| O sistema de captação |
Após o colapso no sistema de abastecimento do Rio Batalha, que interrompeu o fornecimento de água para cerca de 140 mil pessoas, a pergunta que fica é: o que foi ou será feito para impedir que nova enchente de proporções semelhantes danifique as bombas de sucção, instaladas numa casa de máquinas próxima à lagoa de captação do rio?
O JC foi atrás de respostas e descobriu que, além das quatro bombas e seus respectivos motores, foram alvo da inundação outros dois motores excedentes que não são utilizados e, se estivessem guardados em outro espaço, poderiam substituir os demais.
Diante dessa constatação, vem a primeira e óbvia medida tomada do DAE após a recuperação desses equipamentos: os dois motores extras, agora, estão armazenados no Centro de Manutenção da Estação de Tratamento de Água (ETA), mais distante e a cerca de 130 metros de altura da lagoa.
Como já explicado pelo JC, duas bombas e seus respectivos motores funcionam ininterruptamente para abastecer as regiões que recebem água do Rio Batalha. A terceira é acionada nos momentos de pico de consumo, especialmente no início da manhã e da noite. A quarta, reserva, só é acionada quando alguma das três primeiras quebra ou precisa ser desligada para algum tipo de manutenção.
Diante de questionamentos do porquê da manutenção deste outro estepe no local afetado pelas águas do rio na semana retrasada, o prefeito Rodrigo Agostinho explica que esta bomba e seu motor precisam ser mantidos na casa de máquinas da ETA para garantir a substituição imediata em caso de falha de algum dos três outros equipamentos.
INESPERADO
Não existem, porém, respostas que justifiquem o depósito de outros dois motores na casa de máquinas. Diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira admite que, até a noite de 12 de janeiro, ninguém havia cogitado o risco de inundação do local. “Nunca havia acontecido nada do tipo desde 1970, quando a ETA foi construída”.
Com os equipamentos excedentes já armazenados em local seguro, agora a autarquia abriu também procedimento para a compra de mais um motor reserva para as bombas de sucção.
PONDERAÇÃO
Como as quatro bombas em si são equipamentos mecânicos, precisam apenas ser limpos após a enchente para voltarem a funcionar. Os seis motores, no entanto, por serem elétricos, é que tiveram de ser lavados e secos em estufa após a inundação; o que justificou o prazo de três dias até que o primeiro danificado fosse reinstalado.
Heber alerta, porém, que, mesmo se os dois equipamentos excedentes tivessem sido preservados, o fornecimento de água não seria retomado em tão menos tempo por conta das condições do Rio Batalha nas horas subsequentes à enxurrada.
MUROS
Além de ter retirado os dois motores excedentes da casa da máquinas da ETA, a pedido do prefeito, o DAE começou a estudar alternativas para evitar que, em eventuais episódios de chuvas de proporções semelhantes, o local volte a ser tomado pela água.
Uma das possibilidades acenadas é a construção de um grande muro em volta do prédio. Tanto Rodrigo Agostinho quanto Heber Soares questionam, porém, a viabilidade da proposta. “A força da água derrubou até pontes”.
Existe ainda outra alternativa: a de aquisição de motores capazes de não sofrerem danos com o contato da água. “Mas demandaria altos investimentos”, afirma o diretor de Produção do DAE.
Erosão desafia família no Águas Virtuosas
Moradores de bairro rural sofrem com cratera de quase dois quarteirões aberta pela chuva do dia 12 de janeiro; a volta às aulas já preocupa
| Malavolta Jr. |
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| Moradores se arriscam em meio à cratera para sair de casa na rua Agenor Lopes |
| Douglas Reis |
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| Obras começa reparo na quadra 2 da rua Silvia Regina Mariano |
A chuva que assolou Bauru no dia 12 de janeiro continua trazendo consequências para famílias como a da faxineira Simone Aguiar, moradora do bairro rural Águas Virtuosas. A quadra em que ela mora com mais duas famílias na rua Agenor Lopes, próxima ao antigo clube que existia no bairro, foi praticamente engolida por uma erosão.
Sair de casa tornou-se um desafio para ela e os demais moradores da quadra 2 da referida rua, que coleciona riscos e abriga a cratera, que mede quase dois quarteirões só de comprimento.
“Minha rua é a pior aqui do bairro, sempre fica intransitável. Ficamos praticamente ilhados desta vez. É impossível sair de carro, temos que nos arriscar pulando esses buracos, e com filho é mais difícil ainda. Quero ver como será quando as aulas voltarem”, reclama Simone, que mora há cinco anos no Águas Virtuosas. Além dela, que mora com os dois filhos de 6 e 11 anos, uma enteada também vive no local com uma criança de 2 anos.
“E se acontecer alguma urgência de saúde, como a ambulância vai chegar até nós?”, questiona. “A estrutura não vem, mas o imposto chega sempre”, reclama Simone.
Na última semana, uma equipe da Secretaria de Administração Regional (Sear) ajudava na recuperação de algumas vias no bairro. “Mas eles disseram que não podiam mexer mais nessa rua, porque seria necessária uma drenagem”, afirma a moradora.
Enquanto o problema não é resolvido, eles precisam se arriscar em meio à cratera e caminhar cerca de 40 minutos para chegar até a rodovia João Baptista Cabral Rennó, a Bauru-Ipaussu, para conseguir pegar circular até a cidade.
Longo prazo
O secretário de Obras do município, Sidnei Rodrigues, informou que o problema que acomete a via só deve ser resolvido de fato com obras a longo prazo. As residências em questão, segundo ele, estariam situadas em Área de Preservação Permanente (APP).
“É um ponto bem problemático e essas famílias nem poderiam estar ali. O que podemos fazer em curto prazo para ajudar é retirar a areia depositada pela chuva lá e construir caixas de contenção de água pluvial nos lotes vazios”, comenta Sidnei.
Ele diz que a secretaria planeja contratar um levantamento altimétrico para estudar a implantação de uma barragem de água pluvial no córrego que corta o bairro. Essa é uma das soluções possíveis para acabar com o problema das erosões no Águas Virtuosas, segundo aponta o secretário. “Só que são obras que custariam em média R$ 8 milhões”, detalha.
Obras no Parque Bauru
Nessa segunda (25), a Secretaria de Obras iniciou o reparo da quadra 2 da rua Silvia Regina Mariano, no Parque Bauru. A chuva do dia 12 de janeiro arrasou com a via de terra, que foi “engolida” por uma cratera de vários metros que se abriu no local. A pasta estima que o serviço leve até duas semanas para ser concluído. A via será beneficiada pelo PAC do asfalto e receberá pavimentação ainda neste primeiro semestre.

