Cultura

Azulão festeja a maioridade na folia

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Aceituno Jr.
Bateria da Azulão do Morro se prepara para dar um show no segundo dia de desfile, 8-2; acima, alegorias e ajustes finais

Parece que foi “ontem”, mas há 18 anos um dos principais blocos do Carnaval bauruense encarou o desafio de se tornar escola. O empenho foi recompensado com título em 2011,  união da comunidade,  alegria e histórias para contar.

Algumas serão relembradas em alas, alegorias e na letra do samba, com o enredo “Azulão em festa: pelo sim, pelo não, somos eternamente Azulão, 18 anos de alegria e valorização da nossa cultura”.

E o que significa chegar à “maioridade no samba”? “É experiência, a gente cresceu e tem muito para comemorar. Por outro lado, é triste: ainda não termos espaço adequado. Há 23 anos, desde o bloco, colocamos as coisas na minha casa... Fantasias tomam conta de tudo!”, diz Aparecida Brito Caleda, afirmando que este ano a agremiação alugou barracão e parte das coisas está lá.

Amor e plenitude

Conhecida como Cida do Azulão, ela é vice-presidente da escola, alegorista e costureira, além de porta-bandeira desde o primeiro desfile. “A responsabilidade é grande, porque é um quesito. E para mim é ainda maior, pois tenho que ver se tudo está em ordem, só que na hora me concentro e faço meu papel”.

E quais os requisitos para tal missão? “Amor pela escola, ter simpatia e sorrir o tempo todo. E não pode sambar, tem que fazer o bailado”. Há dois anos ela desfila com o sobrinho, Ricardo Caleda, que além de mestre-sala é carnavalesco das alegorias. Aos 34 anos, ele já soma 23 anos de Azulão entre bloco e agremiação. “Eu tenho muito amor pela escola, ela faz parte da minha vida e eu da dela... Me sinto privilegiado”.

Tanto amor estará na avenida dia 8. “Vamos contar nossa história, falar dos nossos projetos sociais, enredos e desfiles, inclusive nos anos em que não teve o Carnaval de rua em Bauru”.

Boas energias

Emoção também não falta para Cristiane Ludgério, que é carnavalesca das fantasias e Madrinha da Bateria.

Em 2015, foi a Rainha da Diversidade e se sente lisonjeada por estar à frente dos ritmistas. “A gente manda energia para a escola toda”. O desafio foi resumir tanta história.

Quem vai puxar essa agremiação toda é Valdemir Antonio Cavalheiro, presidente da Azulão, autor e intérprete do samba.

“Dá mais de uma hora cantando, me preparo com gargarejo e não tomo gelado!”, ensina. Para ele, o momento mais marcante foi o título, porém, a história toda é gratificante. “A comunidade participa e a escola é aberta às pessoas”.

SAMBA-ENREDO

Autor: Valdemir Antonio Cavalheiro

Bate na palma da mão 

Sacode a galera 

Bate na palma da mão

Segura ‘batera’ 

Sou Azulão, sou Carnaval, sou Alegria

18 anos de Amor e de Magia.

E de lá pra cá, daqui pra lá, voei...

w.w.w.com, me informatizei 

Com projetos sem iguais 

Brinquei, cantei, dancei

E em uma linda noite de esplendor

A primavera anunciei.

Solte o grito da garganta 

É Campeão!

É Azul e Branco, o Meu Pavilhão.

Vamos brincar de roda, e cirandar

Vem comigo, vem sambar 

A energia que nos move é o Carnaval

Eu sou do Morro 

E lá o samba é sem igual

Ô, ô, ô... Clareia...

Clareia e deixa clarear, vai clarear

Negro canta liberdade

Pisa forte nesse chão 

E na avenida vai passar.

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