Carnaval 2016

Imperatriz joga luz na cultura maia

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Aceituno Jr.
A “Invocada”, bateria da Imperatriz, tem ritmistas de bloco: parceria importante; acima, parte das fantasias que “brilham”

A cultura maia vai muito além da criação do calendário, cuja contagem encerrada em 2012 deu margem a previsões apocalípticas. Essa civilização reuniu conhecimentos, criou uma organização social e deixou monumentos arquitetônicos incríveis até mesmo para os dias de hoje.

Esse legado, incluindo seu amor pelo meio ambiente e sua espiritualidade inspiraram a Imperatriz da Grande Bauru a levar para o Sambódromo no dia 6 de fevereiro o enredo “As 7 profecias Maias”.

“O povo maia é milenar e ainda tem muito para nos ensinar sobre ecologia e cultura. As previsões foram mal interpretadas. Acredito que falavam sobre reações da natureza que vemos hoje. É um alerta para não destruirmos o planeta e vamos trazer isso para o desfile”, antecipa José Carlos Zotino, presidente da agremiação. “O mundo não acabou, então, vamos pro Carnaval!”.

Retomada

A Imperatriz da Grande Bauru, “nascida e criada” no Jardim Bela Vista há 35 anos, começou com o pé direito e, logo no primeiro desfile foi vice-campeã. O título veio no ano seguinte, em 1982. Por bastante tempo a escola ficou fora da avenida. Porém, há quatro anos retornou.

“Trabalhamos com muita dificuldade para colocar nosso Carnaval na rua e contamos com os amigos para terminar as alegorias”, conta Zotino.

Por amor ao Carnaval, ele garante que vale a pena seguir em frente. “Nosso bairro envelheceu, muita gente se mudou... Estamos buscando gente nos bairros vizinhos e convidando quem quer participar. É um processo que leva tempo até o pessoal pegar amor pela escola e se firmar”.

Parceria

A “Invocada”, bateria da Imperatriz, conta com o reforço de ritmistas do bloco Pérola Negra, estreante nesse Carnaval. O músico Adílio Nascimento, “sangue novo” no samba, é um dos fundadores do bloco e recebeu a missão de ser mestre de bateria da escola, além de ter composto o samba-enredo.

“Um está dando força para o outro e estamos crescendo juntos. Alguns membros da bateria começaram do zero e com um mês de ensaio dá para perceber a evolução. É gratificante”, comemora. “Apesar das dificuldades, a escola promete desfile empolgante”.

Ele chega animado e com a proposta de aliar cada vez mais mensagem e melodia, tanto no bloco quanto na Imperatriz. “A ideia é colocar uma batida cadenciada que ajude a manter o ritmo durante todo o desfile e valorize o samba-enredo”, sugere o percussionista, que também integra o grupo Balaio de Sinhá.

Samba-enredo

Autor: Adílio Nascimento

Canta forte, deixa fluir a emoção

A nova era de uma civilização

Canta forte, o samba é minha raiz

Sou Bela Vista, sou Imperatriz!

Civilização,

História de encanto e magia

Mistérios, lutas, profecias,

E seus feitos colossais.

Ciências, calendário que surgiu,

A crença tanto contribuiu,

Para o sucesso de um bom plantio.

Faz balançar bateria

É carnaval tem folia

Ritmo que contagia

Faz coração pulsar

Matemática, astrologia

Da física à ecologia.

Da guerra à paz e harmonia.

A força do povo Maia

A arte, e a beleza,

Cultura de um povo milenar

Seus deuses, cultos, os faziam,

No amanhã sempre acreditar,

Templo, do grande jaguar

Sonho, de um dia chegar,

Com sua arquitetura

Pirâmides, nuvens alcançar

Enfim o sonho se realizar.

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