Quando o Jornal da Cidade realizou a série de reportagens com as escolas de samba de Bauru, encontrou histórias incríveis, de gente que batalha muito e supera inúmeras adversidades para que sua escola faça um espetáculo bonito e encante o público. Embora vivam o Carnaval o ano inteiro, nesse período os bambas do samba se doam de corpo e alma e o estandarte que defendem vem em primeiro lugar.
Há todo tipo de apaixonado, do que solda carros alegóricos madrugada adentro ao que abre mão da própria cama para guardar fantasias - há quem já disse adeus a uma companheira para não sair do samba e quem se casou com o marido e com a escola na quadra, entre as alegorias. Em comum, todos eles (e muitos outros) têm um brilho a mais nos olhos, voz embargada ao falar da escola e um amor contagiante pelo Carnaval.
| João Rosan |
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| Nome: Wilson Tavares Escola: Tradição da Bela Vista Idade: 51 anos Profissão: segurança Tempo de samba: 35 anos Na escola: integra a diretoria da Tradição da Bela Vista desde a fundação, é coringa na Tradição da Zona Leste e intérprete do samba-enredo nas duas. Pelo Carnaval: “a gente deixa a nossa vida para viver a vida do Carnaval. Larguei uma companheira que era contra. Ela disse: ‘ou eu ou o Carnaval’ e eu respondi ‘tchau, fia!’ Quem faz é porque ama, pois a oposição é muito grande, até dentro de casa”. Motivação: “a gente vive Carnaval o ano inteiro, me dedico de corpo e alma. Convivo mais com os amigos da escola do que com a família, me sinto em casa”. Para mim o Carnaval é... “Minha vida!”. |
| Aceituno Junior |
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| Nome: Ana Luzia Pavan Storniolo Escola: Acadêmicos do Cartola Idade: 58 anos Profissão: dona de casa Tempo de samba: 38 anos Na escola: coordena o barracão, alas e fantasias, distribui serviço, corta, cola e faz adereços. Pelo Carnaval... “faço tudo, até casei na quadra da Cartola, com o marido e a escola! Meus filhos falam que um mês antes do Carnaval a gente esquece deles. Nessa época a escola vem em primeiro lugar”. Motivação: “É um amor incondicional pela azul e branco. Gosto da Cartola, do samba, da quadra, das pessoas... Se tem briguinha, ajudo a harmonizar. Quem brilha aqui é a Águia; todo mundo é igual.” Para mim o Carnaval é... “Parte da minha vida, da minha história”. |
| Aceituno Junior |
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| Nome: Jorge Santtanna Escola: Mocidade Unida da Vila Falcão Idade: 44 anos Profissão: carnavalesco. "Sou formado em direito e publicidade, mas a arte me encantou”. Tempo de samba: 36 anos. Na escola e no bloco: é carnavalesco da Mocidade e do bloco Pé de Varsa, desfilando na harmonia. Pelo Carnaval: “sacrifico muito a saúde. A gente não mede esforços para que a escola vá para a avenida como sonhou. É um filho coletivo que a gente tem todo ano e graças a Deus há uma equipe imensa de fiéis escudeiros e membros das agremiações”. Motivação: “Carnaval é um ‘vírus’ que contagia pelo resto da vida! A paixão pela arte é forte. Pelo Carnaval você visita países sem estar lá, conhece história, cultura e lendas em um universo riquíssimo”. Para mim o Carnaval é... “Fundamental. Muito embora esse ano eu encerre o ciclo como carnavalesco, nunca vou deixar o Carnaval. Quero contribuir de outras formas, de repente na direção artística ou numa escolinha de Carnaval”. |
| João Rosan |
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| Nome: Edilson Luiz Barduchi Escola: Tradição da Zona Leste Idade: 55 anos Profissão: aposentado. Tempo de samba: 16 anos Na escola: é serralheiro da Tradição da Zona Leste e sede a casa como almoxarifado da escola. Pelo Carnaval... “chego a trabalhar 18 horas por dia, até de madrugada. Outras pessoas entenderiam como sacrifício, mas para nós é dedicação. Na hora a adrenalina vai a mil e a gente não mede esforços. Se o carro quebrar, a gente leva no braço”. Motivação: “só quem vive uma escola sabe o que é, não dá para explicar. Tem uma ligação muito fraterna com a escola e com as pessoas”. Para mim o Carnaval é... “Um prazer muito grande. É uma festa, que embora criticada, milhares de pessoas precisam para se divertir, extravasar, ter lazer. O Carnaval de Bauru é um dos melhores do Estado, a população enche o Sambódromo. Seria uma pena se por questões políticas acabassem com os desfiles”. |
| Quioshi Goto |
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| Nome: Aparecida Brito Caleda, a Cida do Azulão Escola: Azulão do Morro Idade: 55 anos Profissão: tem loja em casa e é servente de escola Tempo de samba: 29 anos Na escola: é uma das fundadoras, vice-presidente, costureira, faz-tudo e desfila como porta-bandeira. Pelo Carnaval: abro mão da liberdade e privacidade, pois os ensaios são na frente de casa, as fantasias são feitas e guardadas lá. Fica todo mundo em casa, não dá nem pra namorar! Já foram várias madrugadas sem dormir e muito estresse. A gente fica cansado, fala que vai parar, mas aí começa tudo de novo!”. Motivação: “quando você ouve a bateria, seu samba, o grito de guerra da escola... Esquece tudo, é maravilhoso. O pessoal não para porque a escola mostra um lado bom do Jaraguá. Penso nas crianças do projeto social ‘Sementes do Azulão’ e isso nunca pode parar. Quanto mais a gente dá atividade para elas, menos se envolvem com coisas erradas na rua”. Para mim o Carnaval é... “uma felicidade que vem da alma, uma paixão que não tem cura!”. |
| João Rosan |
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| Nome: Michele Regina de Oliveira Escola: Coroa Imperial da Grande Cidade Idade: 36 anos Profissão: auxiliar de limpeza Tempo de samba: 26 anos Na escola: é auxiliar do carnavalesco Claudio Goya e faz-tudo. Pelo Carnaval: “já larguei emprego para trabalhar pela Coroa dia e noite. Tenho medo de altura, mas saio como destaque no carro alegórico, tudo pela minha escola”. Motivação: “amo a escola e quero que ela seja campeã. Cada ano é uma emoção, nunca é igual. Na hora chego a chorar. Vivo o Carnaval ano todo e já estou até pensando no desfile do ano que vem!”. Para mim o Carnaval é... “Tudo! Eu não vivo sem. Está no sangue. Meu pai era puxador de samba-enredo e sempre gostei”. |
| João Rosan |
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| Nome: Chiquinho Saes Escolas: Tradição da Bela Vista e Tradição da Zona Leste Idade: 59 anos Profissão: vendedor Tempo de samba: 41 anos Nas escolas: é fundador, diretor, presidente, carnavalesco e "faz-tudo" da Tradição da Bela Vista e da Tradição da Zona Leste. Pelo Carnaval: “o ano inteiro me dedico. Abro mão da minha casa e até na cama coloquei fantasias... Fui dormir na cozinha! No meu serviço, deu o horário, acabou, mas o Carnaval não tem hora, amanhece o dia e estamos lá. Na reta final o desgaste é grande”. Motivação: “é muito amor. Há 30 anos levei a esposa e a família dela. Hoje, filhos e netos saem no desfile. Conseguimos conciliar pela paixão e pelos amigos, que gostam das escolas e da gente”. Para mim o Carnaval é... “importante desde que eu era criança. Sou apaixonado pelas escolas e pelo Carnaval. Foi difícil quando ficamos sem Carnaval de rua em Bauru, lutei para o desfile voltar. Vale a pena”. |
| Aceituno Junior |
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| Nome: José Horácio Gonçalves Escola: Acadêmicos do Cartola Idade: 66 anos Profissão: aposentado Tempo de samba: 40 anos Na escola: é carnavalesco, desfila na harmonia e dá apoio ao casal de mestre-sala e porta-bandeira. Pelo Carnaval... “já cheguei a tirar férias do meu trabalho e ficar o mês inteiro no barracão sem ganhar nada. Depois, o Carnaval se profissionalizou e hoje desempenho como atividade”. Motivação: “Tudo gira em torno da expectativa e quando abre o portão para o início do desfile, é como um filho que nasce. É gratificante ver a galera vibrando e aplaudindo, reconhecendo o trabalho.” Para mim o Carnaval é... “tudo! É quando as pessoas extravasam; não existe cara feia, separação de classes sociais, de raças... É união total. Essa integração emociona. Cada um deixa de lado o seu orgulho próprio para amar a escola. Só quem está dentro do samba entende... E quem não está eu convido a conhecer. É uma explosão de alegria...”. |
| Aceituno Junior |
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| Nome: Ana Cristina Ignácio da Silva Escola: Mocidade Unida da Vila Falcão Idade: 54 anos Profissão: bancária Tempo de samba: 50 anos Na escola: é vice-presidente. Pelo Carnaval: “A gente chega a ficar doente. Tem que gostar muito... Mas depois que passa, não parece sacrifício, porque a gente fez com amor”. Motivação: “quando a gente chega no Sambódromo e vê que conseguiu, eu me desmancho em lágrimas... É envolvente e estou passando esse amor aos filhos. A cultura carnavalesca é linda, mas exigente, pois um errinho coloca a perder o trabalho de um ano”. Para mim o Carnaval é... “Cultura, paixão, envolvimento e trabalho com seriedade. Acompanho o Carnaval de todos os lugares e ensina muito pelo enredo e pelo trabalho nas comunidades”. |
| Aceituno Jr |
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| Nome: José Carlos Zotino Escola: Imperatriz da Grande Bauru Idade: 68 anos Profissão: radialista e representante comercial Tempo de samba: 43 anos Na escola: presidente e carnavalesco Pelo Carnaval: “a maior loucura foi voltar com a Imperatriz depois de 30 anos parada. Ajudava em outras agremiações, mas sempre tive o sonho de criar um projeto social voltado para a educação a partir de uma escola de samba”. Motivação: “além de conviver com a comunidade, o Carnaval rejuvenesce, pois mexe com a emoção e o corpo, exercita o cérebro e desenvolve a sensibilidade”. O Carnaval é... “O máximo da realização. Colocar a escola na avenida é coroar o trabalho; quando dá errado, tem a frustração, mas também a chance de aprender e melhorar no próximo”. |
| Aceituno Jr |
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| Nome: Gilsinho Jacintho Escola: Águia de Ouro Idade: 45 anos Profissão: decorador Tempo de samba: 35 anos Na escola: é carnavalesco Pelo Carnaval: “abro mão de dormir. E o cansaço e estresse, pela responsabilidade e por lidar com tantas pessoas diferentes é grande. Temos que equilibrar e manter o clima de harmonia, porque todos são importantes”. Motivação: “claro que a gente busca o título, porém o melhor é confraternização entre as pessoas”. O Carnaval é... “Felicidade, o ar que respiro”. |
| João Rosan |
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| Nome: Cláudio Goya Escola: Coroa Imperial da Grande Cidade Idade: 66 anos Profissão: professor doutor do curso de design na Unesp de Bauru. Tempo de samba: 30 anos Na escola: é carnavalesco e, com 17 de seus alunos, desenvolve o projeto Laboratório de Design Solidário. Pelo Carnaval: “a maior loucura que já fiz foi emprestar dinheiro para a escola! Vale a pena porque nosso Carnaval é o oposto da cultura capitalista, em que se produz para gerar capital. Aqui a gente produz para gerar alegria e cultura. Nada é comercializado, tudo é feito com muito esforço e por amor”. Motivação: “o Carnaval é uma das maiores manifestações da cultura popular no Brasil e é preciso manter essa riqueza”. Para mim o Carnaval é... “Cultura, beleza e prazer. É muito bom ver isso nas pessoas que trabalharam tanto e nas que estão nos assistindo”. |











