Regional

9 são presos após ataque a banco em Cabrália Paulista

Lilian Grasiela e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: Douglas Reis
A equipe do JCNET esteve no local e acompanhou a rendição
Na foto acima, policiais rodoviários no momento em que integrante da quadrilha se rendeu; na foto abaixo, armas e carregadores apreendidos com os integrantes da quadrilha

Nessa quinta-feira (4) de madrugada, quadrilha fortemente armada explodiu caixas eletrônicos de uma agência em Cabrália Paulista e tentou detonar equipamentos de outra agência. O grupo fugiu em um ônibus fretado, abordado por equipes do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) e Polícia Militar (PM) na praça de pedágio de Agudos (13 quilômetros de Bauru). Oito criminosos se entregaram, mas a polícia teve que negociar por cerca de quatro horas rendição do nono integrante, que denunciou policiais civis da Capital por extorsão. Houve troca de tiros, mas ninguém se feriu.

O primeiro ataque ocorreu por volta das 3h. Segundo a polícia, a quadrilha chegou em dois carros – um GM Astra e um Voyage – e explodiu dois caixas eletrônicos do Banco do Brasil, levando as gavetas onde fica guardado o dinheiro. Na sequência, instalou explosivos nos equipamentos da agência do Bradesco mas, por alguma razão, não houve detonação.

Na fuga, o grupo abandonou os dois veículos usados no crime próximo ao assentamento do horto florestal. Por volta das 4h, uma equipe do TOR, que já sabia do ataque aos bancos, desconfiou de um ônibus de turismo com placas de Sumaré que seguia pela rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), na altura do quilômetro 250, em Piratininga.

Os policiais rodoviários, que estavam no sentido contrário, retornaram e tentaram abordar o veículo, mas o condutor não obedeceu à ordem de parada e ingressou na rodovia Marechal Rondon (SP-300), sentido Interior-Capital. Um cerco foi montado com o apoio da PM na praça de pedágio de Agudos, que fica no quilômetro 314, e o ônibus foi parado.

Prisão

Segundo a Polícia Rodoviária, ao perceberem que estavam cercados, oito homens se entregaram, incluindo o motorista. Eles disseram que não havia mais ninguém no ônibus, mas, quando o sargento Gustavo Acosta Jorge entrou para iniciar uma vistoria, foi recebido a tiros de fuzil por Rodrigo Lopes Araújo, 34 anos.

Houve troca de tiros e, após recuo do policial, que não foi atingido, foi acionado reforço e longo processo de negociação teve início, sob o comando do sargento Victor Prado Gomes de Sá, do TOR, visando à rendição do acusado.

Rodrigo exigiu a presença da imprensa no local, falou com seu advogado, jogou pela janela dois fuzis, uma espingarda calibre doze, uma pistola, carregadores, munições, explosivos, coletes balísticos e celular e se entregou. Ele e os comparsas foram autuados em flagrante por organização criminosa, porte de arma de foto de uso restrito, furto qualificado, receptação, explosão e tentativa de latrocínio.

João Rosan
Bando explodiu 2 caixas eletrônicos do Banco do Brasil

Sem dinheiro

No interior do ônibus que, segundo a polícia, foi fretado pela quadrilha, foram encontradas seis gavetas de terminais de autoatendimento recolhidas no local da explosão. Todas elas, de acordo com a polícia, estavam vazias. Equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais da Policia Militar (Gate) da Capital foram acionadas para remover o material que não foi detonado na agência do Bradesco e o artefato lançado pelo criminoso que negociou a sua rendição. Os explosivos seriam detonados em local seguro.

Outros crimes

A ocorrência foi apresentada na delegacia de Agudos e registrada pelo delegado Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru e coordenador do grupo de roubo a bancos na área da Delegacia Seccional de Bauru. Os nove presos foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. “Prosseguem as investigações pela Delegacia de Investigações Gerais de Bauru visando à apuração do envolvimento dessa célula criminosa em outras ações em nossa região”, revela Granja.

Preso denuncia suposta extorsão

Um dos criminosos detidos em Agudos falou que cometeu o furto para pagar policiais civis da Capital; caso será apurado pela Corregedoria

O criminoso que entregou-se à polícia após cerca de três horas de negociações exigiu a presença da imprensa na praça de pedágio de Agudos (13 quilômetros de Bauru) para denunciar um suposto esquema de extorsão por parte de dois policiais civis da Capital. Na Corregedoria da Polícia Civil em Bauru, ele preferiu se manter em silêncio. De acordo com o órgão, apesar de não ter sido formalizada, a denúncia será investigada.

Douglas Reis
Perfurações de bala no parabrisas do ônibus quando houve a abordagem da polícia na praça de pedágio de Agudos

Da janela do ônibus, Rodrigo Lopes Araújo alegou que explodiu os caixas eletrônicos para levantar dinheiro e pagar os policiais. Segundo ele, eles estariam exigindo R$ 400 mil para que ele não respondesse por crimes que não cometeu. “Os caras me deram prazo pra tá pagando eles até sexta-feira agora, depois do Carnaval. Senão os caras iam prender eu e fazer um monte de BO aí que eu nem tava”, declarou.

“Nós já demos R$ 150 mil. Eu não tinha o dinheiro, eles prenderam meus carros, eu pedi os carros pra poder vender e pagar. Os cara não quiseram dar prazo. Por isso é que eu tô aqui. Vim roubar pra pagar os caras. É a única opção que eu tava tendo”. O criminoso também pediu proteção para sua família em razão das denúncias. Já preso, Rodrigo foi levado à Corregedoria da Polícia Civil em Bauru.

Segundo o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), Marcos Mourão, como o criminoso citou nomes de dois agentes públicos, a denúncia tem que ser apurada. “Quando acontece isso, nossa obrigação é chamar a Corregedoria para ouvir, formalizar e instaurar um procedimento”, explica. Ele revela, contudo, que, na corregedoria, o homem preferiu se manter em silêncio.

Vingança?

Quioshi Goto
Delegado Marcos Mourão explica que, mesmo não formalizada, denúncia será investigada pela Corregedoria da Polícia Civil

De acordo com Mourão, os policiais civis alvos da denúncia investigaram a participação de Rodrigo em ataques a bancos na região de Campinas e reuniram provas para solicitar a prisão preventiva dele. “Ele já era procurado. Os policiais foram até a casa dele, mas não o localizaram. Todos os outros da quadrilha dele de lá foram presos. Então, pode também ser uma leviandade, ele se vingando”, conta.

A reportagem apurou que um dos policiais citado pelo criminoso já foi detido sob acusação de peculato, tortura e extorsão. O JC procurou a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) para confirmar as informações, mas a pasta não respondeu os questionamentos. Como a denúncia não foi formalizada e ainda será apurada, a reportagem optou por não revelar os nomes dos policiais.Acusação

Rodrigo Araújo alegou que explodiu os caixas para levantar dinheiro para pagar dívida a policial.

Detido

Um dos policiais citados pelo integrante da quadrilha já foi detido por peculato extorsão e tortura.

Os integrantes da quadrilha

  • Rodrigo Lopes Araújo, 34 anos, morador de Campinas – tem passagem por roubo e estava foragido
  • Adolfo Martins da Silva, 30 anos, morador de Sumaré – não tem antecedentes
  • Adriano Oliveira de Menezes, 32 anos, morador de Campinas – tem passagem por formação de quadrilha
  • Hagabe Harin Olímpio da Silva, 22 anos, morador de Sumaré – tem passagens por furto e roubo
  • Jackson Dias São Miguel, 21 anos, morador de Sumaré – não tem antecedentes
  • João Batista Lopes Martins, 35 anos, morador de Sumaré – tem passagem por roubo
  • Julio Cezar Silva de Paula, 28 anos, morador de Campinas – tem passagem por roubo
  • Marco Antonio da Silva Oliveira, 22 anos, morador de Hortolândia – tem passagens por roubo e receptação
  • Renan Nepomuceno da Silva, 25 anos, morador de Nova Odessa – tem passagem por furto
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    Divulgação WhatsApp 96FM
    Ação policial - Cautela na abordagem durante rendição dos criminosos no pedágio de Agudos

    Veja vídeo:

     

    Douglas Reis
    Na praça de pedágio de Agudos oito integrantes se entregaram, mas Rodrigo Lopes Araújo demorou para concordar com a rendição

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