Carnaval 2016

Confira o Carnaval do Rio de Janeiro

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 17 min

Estácio de Sá abre primeira noite de desfiles com apresentação sem novidades

São Jorge abençoou a volta da Estácio de Sá ao Grupo Especial do Rio. A trajetória do mártir católico abriu a primeira noite de desfiles no Sambódromo e marcou também o retorno do carnavalesco Chico Spinosa ao Rio, depois de uma temporada de cinco anos exclusivamente na capital paulista. Para fugir de polêmicas com a Igreja Católica, que deu apoio à escola, Spinosa preferiu não tratar do sincretismo religioso e deixou Ogum de fora da avenida. São Jorge foi retratado como ícone dos católicos, dos anglicanos e dos ortodoxos. "Fiz uma procissão", ele havia anunciado pouco antes do carnaval, e cumpriu.

Apenas com os recursos distribuídos a todas as escolas do Grupo Especial pela Prefeitura e a Liga das Escolas de Samba (R$ 6 milhões), sem patrocínio, Spinosa e os carnavalescos Amauri Santos e Tarcísio Zanon precisaram de soluções alternativas. A peruca de anjos foi feita de palha de aço pintada de dourado; plástico bolha virou espuma de dragão; buchas vegetais compuseram a pele do leão, símbolo da agremiação.

Fotos: Fernando Grilli/ Riotur
Raphael David/ Riotur

A comissão de frente, a cargo do coreógrafo Marco Moura, fez bonito. O enorme cavalo branco de São Jorge foi manipulado por bailarinos vestidos de anjo, como uma marionete gigante. O cavalo se abaixava, numa espécie de reverência ao público do Sambódromo, fechava os olhos e "cavalgava" pela avenida. São Jorge também acenou para seus devotos. Anjos e demônios se enfrentavam numa luta. E esses demônios unidos se transformavam no corpo do dragão.

O monstro que enfrentava São Jorge também foi representado na fantasia da rainha de bateria, Luana Bandeira. A dançarina fez aulas de circo por dois meses com o professor Fabio Melo para poder cuspir fogo em plena avenida. "Ela realmente incorpora o dragão dourado", contou o irmão e coreógrafo Marcos Bandeira. Ao entrar na avenida, Luana não escondia a tensão. Ela acabou impedida por bombeiros, que consideraram a performance insegura para o desfile.

Logo ao entrar na Sapucaí, a Estácio enfrentou dificuldades: o primeiro carro não acoplou e abriu um buraco na avenida. O problema ocorreu antes da primeira cabine de jurados, o que pode evitar que a escola seja prejudicada. O desfile não apresentou grandes novidades e pode levar a escola de volta à Série A, a segunda divisão do carnaval carioca, na qual vinha desfilando desde 2008. A Estácio é considerada a primeira escola de samba do Brasil, por ser herdeira da Deixa Falar, fundada em 1928.

O desfile foi carregado de simbolismo para Spinosa, que voltou à escola que o consagrou, em 1992, com o vitorioso enredo "Paulicéia Desvariada - 70 anos de Modernismo". O carnavalesco, que é também comentarista de desfiles, fez seu último desfile no Rio na Estácio, em 2010. Desde então trabalhou em agremiações paulistanas, como a Vai-Vai e a Unidos de Vila Maria.

"Voltar para o Rio é assustador. Quando eu ganhei em 1992, era um jovem de 30 ano. Hoje tenho 64. Acredito muito nesse enredo, é genial. Trabalhamos sem patrocínio, só com pequenas colaborações", contou. "Quem sabe não consigo repetir o feito do ano 2000, quando a Unidos da Tijuca subiu do Acesso, e ficou em quinto lugar? Tenho certeza de que São Jorge está nos apoiando."

Cambistas. Pouco antes do início dos desfiles, havia grande quantidade de cambistas no entorno do Sambódromo. Quem deixou para a última hora a compra do ingresso para assistir aos desfiles encontrou bilhetes a até dez vezes o preço vendido pela Liga. Dejanane Ribeiro Oliveira, de 42 anos, que vai desfilar na Beija Flor, procurava ingresso para a filha Manuela Flor, de 7, que recebeu o nome em homenagem à escola de Nilópolis.

Raphael David/ Riotur
Tata Barreto/ Riotur

"Ela não viria. Os planos mudaram na última hora. Nossos amigos compraram ingressos a R$ 10 para o setor popular. Mas agora estão oferecendo a R$ 70 e R$ 80", reclamou. Ela tentava negociar para baixar o valor, sem sucesso. "No ano passado, pagamos R$ 20".

Um cambista explicou que os ingressos mais caros são os de segunda-feira, em que a procura está maior. Está sendo vendido a R$ 100 o bilhete para o setor popular.

Em ano olímpico, União da Ilha apresenta maior evento esportivo do planeta

A escola da Ilha do Governador (zona Norte do Rio) aproveita a Olimpíada para fazer uma ode ao Rio de Janeiro, poucos meses antes de a cidade sediar o evento. O enredo "Olímpico por natureza... Todo mundo se encontra no Rio" é dos carnavalescos Jack Vasconcelos (responsável pelo desfile vencedor do Grupo de Acesso de 2009, que alçou a escola de volta à elite) e Paulo Menezes, que substituem Alex de Souza, agora responsável pela Unidos de Vila Isabel.

O desfile começa quando os deuses do Olimpo desembarcam no aeroporto do Galeão para conhecer a Cidade Maravilhosa. Durante o passeio, eles constatam a afinidade dos cariocas com o esporte e o culto ao corpo.

Famoso e respeitado entre os sambistas, mestre Ciça comanda a bateria da escola, que terá a modelo Bianca Leão como rainha. Desde o retorno à elite, em 2010, a escola famosa por enredos como "O Amanhã" e "É Hoje" conseguiu se firmar no Grupo Especial e tenta aproveitar o tema atual para chegar ao desfile das campeãs, que reúne as seis melhores escolas no sábado (13).

Atual campeã, Beija-Flor tem enredo sobre Marquês de Sapucaí

Atual campeã do carnaval carioca e vencedora de sete dos últimos 13 desfiles, há décadas, a Beija-Flor inicia todo desfile como favorita. Em 2016, a escola de Nilópolis (Baixada Fluminense) vai contar a história de Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí, que dá nome à rua do Rio transformada em passarela do samba. Por tabela, a escola presta uma homenagem à cidade onde Cândido nasceu, Congonhas de Sabará, atualmente chamada Nova Lima.

Sob o pulso firme do diretor de carnaval e harmonia Laíla, que também integra a comissão de carnavalescos responsáveis pelo enredo, a Beija-Flor tenta repetir um bicampeonato, conquistado pela última vez em 2007-2008. O cantor Neguinho da Beija-Flor está comemorando 40 anos como intérprete da escola - estreou em 1976, vindo da Leões de Nova Iguaçu, e foi pé-quente: a Beija-Flor conquistou seus três primeiros títulos justamente a partir da estreia do intérprete, em 1976, 77 e 78. Desde a morte de Jamelão, em 2008, Neguinho é o intérprete que está há mais tempo numa escola de samba do Rio.

Distantes do título, Estácio e União da Ilha abrem Carnaval sem patrocínio no RJ

A primeira etapa dos desfiles do Grupo Especial do Rio foi aberta por escolas sem chances de vitória, com apresentações medianas. A Estácio de Sá, que iniciou a noite na Sapucaí, tinha um bom samba, em homenagem a São Jorge, e se apoiou nele para ganhar o público ainda frio do Sambódromo. Acabou pecando pela falta de inventividade - as fantasias eram repetitivas e não trouxeram elementos novos ao repertório do carnaval carioca.

A União da Ilha fez um desfile alegre e colorido sobre os Jogos Olímpicos do Rio, que serão realizados em agosto, com foco no jeito de ser do cidadão carioca, o anfitrião do evento. Mas as referências eram muito literais, sem ousadia criativa.

São Jorge abençoou a volta da Estácio de Sá ao Grupo Especial, do qual a tradicional agremiação - ela é considerada a primeira escola de samba do Brasil, por ser herdeira da Deixa Falar, fundada em 1928 - saiu em 2007. A trajetória do mártir católico marcou o retorno do carnavalesco Chico Spinosa ao Rio, depois de uma temporada de cinco anos exclusivamente no carnaval da capital paulista. Para fugir de polêmicas com a Igreja Católica, que deu apoio à escola, Spinosa preferiu não tratar do sincretismo religioso e deixou Ogum de fora da avenida. São Jorge foi retratado como ícone dos católicos, dos anglicanos e dos ortodoxos. "Fiz uma procissão", ele definiu.

Apenas com os recursos distribuídos igualmente a todas as escolas do Grupo Especial pela Prefeitura e a Liga das Escolas de Samba (R$ 6 milhões), sem patrocínio, Spinosa e os carnavalescos Amauri Santos e Tarcísio Zanon precisaram lançar mão de soluções alternativas. A peruca de anjos foi feita de palha de aço pintada de dourado; plástico bolha virou espuma de dragão; buchas vegetais compuseram a pele do leão, símbolo da agremiação, que ganhou asas, a levá-lo à Capadócia, origem do soldado romano que viria a ser sagrado São Jorge.

A comissão de frente, a cargo do coreógrafo Marco Moura, fez bonito. O enorme cavalo branco de São Jorge foi manipulado por bailarinos vestidos de anjo, como uma marionete gigante. O cavalo se abaixava, numa reverência ao público, fechava os olhos e "cavalgava" pela avenida. São Jorge também acenou para seus devotos. Anjos e demônios se enfrentavam numa luta. E esses demônios unidos se transformavam no corpo do dragão.

O monstro que travava embate com São Jorge também foi representado na fantasia da rainha de bateria, Luana Bandeira. A dançarina fez aulas de circo por dois meses com o professor Fabio Melo para poder cuspir fogo em plena avenida, incorporando o dragão dourado que tentou derrotar São Jorge. A performance de Luana acabou sendo vetada por bombeiros, por razões de segurança.

Logo ao entrar na Sapucaí, a Estácio enfrentou dificuldades: as duas partes do primeiro carro não se acoplaram e se abriu um buraco na avenida. O problema ocorreu antes da primeira cabine de jurados, o que pode evitar que a escola seja prejudicada pela falha na contagem de pontos. O desfile não apresentou grandes novidades e pode levar a escola de volta à Série A, a segunda divisão do carnaval carioca.

O desfile foi carregado de simbolismo para Spinosa, que voltou à escola que o consagrou, em 1992, com o vitorioso enredo "Paulicéia Desvariada - 70 anos de Modernismo". O carnavalesco, que é também comentarista de televisão, fez seu último desfile no Rio na Estácio, em 2010. Desde então trabalhou em agremiações paulistanas, como a Vai-Vai e a Unidos de Vila Maria.

"Voltar para o Rio é assustador. Quando eu ganhei em 1992, era um jovem; hoje tenho 64 anos. Acredito muito nesse enredo, é genial. Trabalhamos sem patrocínio, só com pequenas colaborações", contou. "Quem sabe não consigo repetir o feito do ano 2000, quando a Unidos da Tijuca subiu do Acesso, e ficou em quinto lugar? Tenho certeza de que São Jorge está nos apoiando."

A União da Ilha pouco inovou no desfile em que apresentou o Rio aos deuses do Olimpo grego. A dupla de carnavalescos Paulo Menezes e Jack Vasconcelos trouxe uma sucessão de tipos cariocas como o vendedor de mate e biscoito de polvilho da praia, o ambulante que oferece bexigas às crianças nos parques, os praticantes de musculação ao ar livre. No entanto, as fantasias foram pouco inventivas, o que cansou o público.

A comissão de frente foi um trunfo: sete atletas cadeirantes da equipe Santer Rio Rugby e um bailarino também sobre cadeira de rodas representaram guerreiros e fizeram uma performance vigorosa e emocionante, que mereceu muitos aplausos. O coreógrafo Patrick Carvalho treinou quatro meses com o grupo.

A equipe - que aguarda convocação para as Paraolimpíadas, que se seguirão aos Jogos Olímpicos - foi acrescida do bailarino da Associação Niteroiense de Deficientes (Andef) Felipe Berty. Ele já é veterano na avenida. Desfilou seis vezes na comissão de frente dos Embaixadores da Alegria, grupo que abre a Sapucaí na noite das escolas campeãs, no sábado pós-carnaval. "Isso é bem mais difícil do que jogar. Dançar não é o nosso forte", brincou o atleta Daniel Gonçalves, que contou aguardar ainda convocação para a Paraolimpíada.

Esportes olímpicos como judô, ciclismo, futebol e basquete foram representados. O surfista Rico de Souza, a jogadora de vôlei Fabi e a treinadora Georgette Vidor desfilaram. O maratonista Vanderlei Cordeiro saiu à frente dos integrantes levando uma representação da tocha olímpica. A escola fez dois carros com alegorias humanas, um representando o movimento das ondas do mar e outro, os adeptos do voo livre que sobrevoam o Cristo Redentor. O símbolo maior do Rio abriu seus braços sobre a avenida. Mas esse tipo de efeito não surpreende mais o Sambódromo, a não ser que seja apresentado de maneira espetacular. Este não foi o caso da Ilha.

Este carnaval é marcado pela falta de patrocínio de empresas e órgãos estaduais e municípios de estados e cidades homenageados direta ou indiretamente. Mas aos olhos do prefeito do Rio, Eduardo Paes, "na Sapucaí não tem crise nunca". "Minha impressão é que nunca vi um carnaval tão bem arrumado, tão bonito como esse. É o mais bonito de todos", exagerou, após assistir da pista a parte do desfile da Estácio de Sá.

Usando uma bota ortopédica devido a uma fratura sofrida no pé, Paes confraternizou com integrantes da escola, pulou num pé só e beijou a bandeira da agremiação carregada pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira. Ele está em seu último carnaval como prefeito. "Estou feliz e triste. Vai acabar, mas está bom. A Sapucaí está linda, com vibração e luxo".

Pouco antes do início dos desfiles, havia grande quantidade de cambistas no entorno do Sambódromo. Quem deixou para a última hora a compra do ingresso encontrou bilhetes a até dez vezes o preço vendido oficialmente. Um cambista explicou que os ingressos mais caros são os de hoje - a procura é maior, uma vez que as escolas com grande torcida e histórico de vitórias estão concentradas neste noite: Portela, Salgueiro, Imperatriz, Mangueira e Vila Isabel, além da São Clemente. A arquibancada dos setores populares, que custa R$ 10, está sendo vendida a R$ 100.

Grande Rio traz a cidade de Santos para a avenida, homenageando Pelé e Neymar

Conhecida por reunir muitas celebridades, a escola de Duque de Caxias (Baixada Fluminense) vai homenagear a cidade de Santos, no litoral paulista, com o enredo enredo: "Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei bela Santos, e por ela me apaixonei". A escola sonhava reunir no sambódromo uma dobradinha de astros: o ex-jogador Pelé e o atual craque do Barcelona Neymar. Ambos despontaram no Santos, clube que será homenageado em um carro alegórico. Mas Neymar tem jogos na Espanha e Pelé sofreu uma cirurgia recentemente e ainda está em recuperação.

Os 280 integrantes da bateria vão usar fantasias que fazem referências a Neymar - perucas vão imitar os cortes de cabelo do craque, por exemplo.

Será o terceiro desfile sob a liderança do carnavalesco Fábio Ricardo, que estreou com a sexta posição, em 2014, e no ano passado já alcançou o terceiro lugar. A expectativa também é grande na cidade de Santos, que chegou a adiantar seu desfile carnavalesco em uma semana para que neste domingo a população pudesse se concentrar no apoio à escola carioca.

Grande Rio aposta no luxo e em efeitos especiais para homenagear Santos

A crise parece ter passado longe da Grande Rio. Mesmo sem o patrocínio esperado da prefeitura de Santos, cidade homenageada pela agremiação, a escola de Caxias fez um desfile luxuoso, com bonitos efeitos especiais.

Já na comissão de frente, a opulência chamava a atenção. Os coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri foram à Argentina buscar a tecnologia para uma imensa bola de futebol, que era inflada e encobria a Fonte de Itororó, atração turística da cidade. No topo, o ator Mateus Renan encarnava Pelé, ora como jogador do Santos, ora como campeão do mundo, com o uniforme da Seleção. "É uma honra e uma responsabilidade fazer o papel do Pelé. Estamos ensaiando há quatro meses, inclusive na Argentina" contou Renan.

O carnavalesco Fábio Ricardo tem ligação pessoal com Santos - seu pai trabalhou no porto. Ao contar a história da cidade litorânea, transformou Itororó numa fonte de inspiração - teria sido a partir dali, ao beber das suas águas, que Pelé conquistou o mundo.

Ricardo lembrou de figuras ilustres, como José Bonifácio, patriarca da Independência, interpretado pelo ator santista Oscar Magrini. Dona Domitila, a amante de d. Pedro, que ganharia o título de Marquesa de Santos, foi representada pela porta-bandeira Verônica Lima. O mestre-sala Daniel Werneck fez o papel do imperador.

Santos foi lembrada pela imigração de japoneses, italianos, espanhóis e alemães; pela cultura cafeeira, que impulsionou a cidade economicamente; e pelo porto, o mais importante do País; pelas belezas naturais e o surfe.

Pela contribuição ao esporte, Neymar e Pelé receberam homenagens especiais. Mas nenhum dos dois compareceu ao desfile. Pelé, por ordens médicas. "Ele mandou um vídeo, está andando com apoio de andador", contou o patrono, Leandro Soares. Já Neymar não foi liberado pelo Barcelona, que jogou contra o Levante. A irmã dele Rafaella, foi destaque em um dos carros.

O Santos mereceu várias menções. Os ritmistas liderados pelo mestre Thiago Diogo vestiam uniforme do clube. Uma enorme bola inflável pairou por sobre a bateria, que fez cinco paradinhas, e teve à frente a atriz Paloma Bernardi. Toda de dourado, ela representava o troféu Tereza Herrera. A torcida santista também ganhou uma ala. Como sempre, a escola veio recheada de artistas: Susana Vieira, Monique Alfradique, Tayla Ayala, Ana Hickman e Deborah Secco estavam entre as famosas que desfilaram na escola.

Veterana na Marquês de Sapucaí, Susana Vieira alfinetou rainhas de bateria "mais valorizadas" que os músicos. "Escola de samba é feita de dois tipos de pessoas. Da comunidade e de quem vem tirar uma casquinha. Eu sou comunidade. Rainha tem que conhecer cada músico, entender a bateria. Não é para aparecer mais que a bateria", afirmou.

Ela refutou a pecha de "escola dos artistas" que a Grande Rio ganhou. "Isso aqui é escola de comunidade. Desfilo há 18 anos, desde o grupo de acesso. Eu tenho orgulho de representar esse bairro carioca", disse referindo-se a Duque de Caxias, na verdade, um município da Baixada Fluminense.

Mocidade enfrenta desafio de reconquistar título na Sapucaí após 20 anos

A escola de Padre Miguel (zona oeste do Rio) vai usar a história de Dom Quixote de La Mancha, personagem do escritor espanhol Miguel de Cervantes, como inspiração para incentivar o povo brasileiro a enfrentar seus problemas. O enredo, "O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote - Cavaleiro, Pixote Brasileiro", é dos carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira, que substituem Paulo Barros - o badalado carnavalesco trocou a Mocidade pela Portela após um ano de muita expectativa e pouco resultado, já que em 2015, sob seu comando, a escola da zona oeste ficou apenas em sétimo lugar.

O ensaio técnico da Mocidade, realizado em janeiro na Sapucaí, foi desorganizado e gerou atritos entre diretores da escola. Resta saber se a escola conseguirá corrigir os erros (muitos espaços vazios entre as alas, por exemplo), e voltará a ter o bom desempenho que já lhe garantiu cinco títulos - o último em 1996 - para pelo menos voltar no desfile das campeãs, que reúne as seis primeiras escolas e da qual a Mocidade participou pela última vez em 2003.

Este será também o segundo ano em que a escola desfila sob o comando do empresário Rogério Andrade, sobrinho do lendário bicheiro Castor de Andrade e também envolvido com o jogo do bicho. Ele assumiu a escola poucos dias antes do carnaval de 2014 e o desfile passado foi o primeiro organizado sob suas ordens. Uma estrela à parte é a rainha da bateria, a musa do axé music Claudia Leitte, que ocupa o posto pelo segundo ano.

Tijuca traz enredo sobre Sorriso, a capital do agronegócio

Em seu segundo ano sem o carnavalesco Paulo Barros - depois de uma passagem gloriosa de cinco anos em que a atual estrela da Sapucaí conquistou três títulos -, a Unidos da Tijuca vai levar à avenida um enredo sobre Sorriso, município do Mato Grosso que é considerado a capital nacional do agronegócio e uma das maiores produtoras de soja do Brasil.

O desenvolvimento coube a uma comissão com quatro carnavalescos: Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo - esses três já atuavam na agremiação ao lado de Paulo Barros. Em 2015, junto com Carlos Carvalho, esse grupo levou a escola da zona norte do Rio ao quarto lugar, com um enredo sobre a Suíça.

A escola manteve a estrutura dos desfiles recentes em que foi campeã e tem chance de conquistar o título. O tema tratado neste ano se assemelha àquele apresentado pela Unidos de Vila Isabel em 2013, quando a escola de Martinho da Vila sagrou-se campeão. Um dos compositores do samba deste ano é Dudu Nobre.

 

Comentários

Comentários