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| Galdenoro Botura Jr. visitou diversos parques tecnológicos do País |
Uma pesquisa elaborada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru demonstrou a viabilidade de implantação de um parque tecnológico na cidade, um desejo e uma intenção já debatidos no passado pelo poder público.
Segundo o estudo, elaborado pela mestranda de design Ekaterina Emmanuil Inglesis Barcellos sob orientação do professor Galdenoro Botura Junior, o parque deveria aproveitar a vocação de Bauru para a economia criativa, voltada à produção e distribuição de bens e serviços que utilizam a criatividade e as habilidades dos indivíduos como fonte de trabalho e renda. Trata-se de um mercado que gerou, segundo dados da Unesco, US$ 624 bilhões ao redor do mundo, no ano de 2011.
O trabalho, que teve financiamento da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), será apresentado à banca examinadora na próxima segunda-feira, na Unesp. O professor orientador explica que ele e a aluna visitaram diversos parques tecnológicos no País e que, após estas visitas e a aplicação de questionários a gestores e técnicos destes espaços, chegou-se à conclusão sobre a viabilidade de implantação do parque em Bauru.
Pela proposta descrita na pesquisa, o empreendimento deveria explorar o “DNA criativo” da cidade, com um parque dedicado às áreas de design, comunicação, artes, engenharia, sistemas, tecnologia da informação e inovação. Também teria de estar sedimentado na integração e financiamento da iniciativa privada, centros científicos e poder público, com participação, ainda, da sociedade civil organizada.
Condições favoráveis
Uma possibilidade seria a própria Unesp, que possui cursos nestas áreas de conhecimento, abraçar a ideia. “O estudo mostrou que os parques que trabalham de forma integrada com universidades têm mais chances de alcançar melhores resultados. Há muitos casos bem-sucedidos, como Avaré, Botucatu e Sorocaba, demonstram que esta parceria é plenamente viável”, analisa Botura Junior.
O estudo elaborado por Ekaterina com a supervisão dele lembra que Bauru é polo universitário, contemplado por 11 instituições de ensino superior, além de centros técnicos, que sinalizam a possibilidade desta integração. O trabalho aponta, ainda, a conjunção de fatores essenciais que a região conta para a implantação de um parque tecnológico, como concentração de indústrias inovadoras, ambiente comercial e de serviços intenso, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado e estrutura local propícia, bem como logística e geografia favoráveis.
Rodrigo Agostinho defende uma incubadora como ponto de partida
Procurado pela reportagem, o prefeito Rodrigo Agostinho disse estar aberto ao diálogo com a Unesp de Bauru, mas demonstrou ser favorável à instalação, ao menos em um primeiro momento, de uma incubadora que integrasse a parceria entre universidade, empresas e administração municipal. “Seria uma forma de incentivar o estudante ou o profissional recém-formado a começar a produzir. Mas as responsabilidades e atribuições de cada ente precisariam ser muito bem definidas”, pontua.
Ele lembra que o município já tentou, no passado, viabilizar a instalação de um parque tecnológico na cidade, mas as iniciativas não foram bem-sucedidas devido à falta de área apropriada, que, pelas regras, deveria ter ao menos 200 mil metros quadrados. A pesquisa realizada por Ekaterina Barcellos, contudo, cita a possibilidade de utilização de área da própria Unesp.
“O município também poderia disponibilizar uma área para a incubadora. Tudo pode ser discutido e estou disponível para conversar. A economia criativa tem, há muito tempo, uma grande importância para Bauru e poder desenvolver ainda mais este setor é do nosso interesse”, observa Rodrigo, salientando que a instituição de um parque tecnológico poderia esbarrar na dificuldade de concretizar esta proposta de parceria entre universidade, poder público e iniciativa privada.
“A universidade pública é sempre muito resistente neste sentido. E, mesmo quando a disposição existe, a burocracia interna é muito grande quando uma empresa se instala dentro de uma área pública. Há dificuldade para determinar a responsabilidade, financeira, inclusive, de cada um dentro desta parceria”, pondera.
