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Agora não tem mais desculpas

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Aqui no Brasil, nos mais diversos setores, incluindo a política, ainda prevalece a percepção (ou desculpa) de que o ano começa após o carnaval. Pois bem, se este era o motivo para adiar decisões importantes, o carnaval já ficou no passado.


Na ótica pessoal, agora não tem mais desculpas, e é preciso colocar em prática tudo que foi planejado. Isso pode ser desde cuidar da saúde, até mudanças efetivas de hábito. No tocante às finanças do lar, não há mais espaço para adiamentos em controle efetivo. Passou da hora de rever o padrão de vida. Gastos em crescimento com renda em queda não é um bom caminho. Não dá para adiar mais. Chega de desculpas.


Na ótica empresarial, agora não tem mais desculpas em entender que o orçamento deste ano está correndo a todo vapor. Sua revisão deve ser permanente e as estratégias precisam ser revistas. O ambiente de vendas está incerto e será preciso cortar na própria carne. É hora de ficar de olho nos gastos fixos. É preciso adiar decisões que comprometam o orçamento empresarial por longo período. Trabalhar para que a equipe esteja comprometida com o “fazer mais com menos”, tendo como palavra de ordem “produtividade”.


No ambiente político, agora não tem mais desculpas, afinal, já passou da hora de mais avanços. A retórica de aumentar tributos para fechar as contas já não tem espaço. Simplesmente afirmar que sairemos da crise porque somos um povo trabalhador é argumento de quem não quer admitir que o que nos trouxe até aqui foram os equívocos na condução da política econômica brasileira. O povo brasileiro faz mesmo a diferença, mas como esperar que fosse solidário à carestia, à falta de emprego, à queda na renda, à perda de qualidade de vida? Precisamos exigir um modelo de condução da política econômica e não será com flexibilização da meta fiscal, como é desejo do atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que isso ocorrerá.


Também é preciso dar velocidade às questões pendentes, como os processos de impedimento da presidente da República Dilma Rousseff e do presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha. O impasse político é um dos grandes impeditivos de avanços nas questões econômicas. Observaram que o carnaval nem sempre é o divisor de águas?


O ano já começou a todo vapor e quem esperou até agora já perdeu muito tempo. Como sempre tem aqueles que usam desculpas para tudo, incluindo o velho paradigma de que as coisas acontecem no país após o carnaval, fica aqui o registro: virem a página e mãos à obra.


Lembre-se: em ambiente competitivo como o que vivemos não é o maior que engole o menor e sim mais veloz que ultrapassa o mais lento. Desculpas não nos levarão a lugar algum e se o carnaval era este motivo, agora nem este existe!


O autor é economista e articulista do JC

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