| Fotos: João Rosan |
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| Ronielle e Emerson encontraram, na paixão mútua, a força para superar as diferenças culturais |
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| Finalmente juntos: casal apaixonado vive hoje em uma casa no Núcleo Mary Dota, em Bauru |
“Foram estes olhos verdes”, tenta explicar o segurança Emerson William Nascimento, lançando um olhar apaixonado em direção à esposa Ronielle Rodrigues de Souza Nascimento. No intervalo de um ano, ele conheceu, noivou e se casou com a jovem de 19 anos, que vivia em Manaus.
Depois de começar a namorar pela Internet e perceber que a relação tinha ficado séria, Emerson, 35 anos, decidiu sair do emprego e percorrer, ao todo, cerca de 14 mil quilômetros, em duas viagens para o Amazonas - incluindo trechos de lancha pelo Rio Solimões, para poder ter seu desejo de uma vida juntos concretizado.
Também apaixonada, Ronielle, agora, vive em Bauru na companhia do marido. Além da distância da família, a caçula de oito irmãos diz enfrentar dificuldades com o tempero peculiar da culinária paulista.
Mas garante que Emerson tem feito todo o sacrifício valer a pena e, aos poucos, tem lhe mostrado os prazeres da vida na cidade. Já com a vida conjugal plenamente estabelecida, hoje, ambos procuram superar outro obstáculo: encontrar empregos para, de fato, começarem a construir sua história.
O segurança conta que, em dezembro de 2014, havia acabado de terminar um relacionamento quando viu, por acaso, o perfil da futura esposa no Facebook. “Achei ela bonita e resolvi adicioná-la. Poucos dias depois, começamos a conversar e, em um mês, já estávamos namorando. Os olhos verdes ajudaram”, revela, entre risos.
Viagem
Na época, Emerson morava e trabalhava em São Bernardo do Campo e a distância não afastou o desejo de conhecer Ronielle. Com muita insistência e a promessa de cumprir jornadas extras para compensar sua ausência, ele conseguiu negociar com o patrão 15 dias de folga, quando embarcou pela primeira vez a Manaus.
“Fui em 28 de fevereiro de 2015 e, em 14 de março, voltei noivo. Não tinha como ficarmos namorando a distância. Fui para Manaus e, depois, para Beruri, onde os pais dela moram, para pedir a mão dela em casamento. Foram três horas de viagem só de barco, pelo Rio Solimões, fora as 12 horas entre São Paulo e Manaus, com escalas em Belo Horizonte e Brasília”, relembra.
Ronielle lembra que o primeiro beijo ocorreu ainda dentro do táxi, antes de Emerson conhecer seus pais. Apesar de desconfiada, a família, segundo ela, aprovou o noivado, que foi concretizado em Beruri, cidade ribeirinha do Amazonas.
“Eles ficaram se perguntando sobre o motivo de ele querer uma mulher de Manaus, se existem tantas em São Paulo. Todos ficaram meio assustados, mas aceitaram, até porque, aos poucos, perceberam quem ele era e que tinha boas intenções”, comenta.
Casamento
Depois do noivado, o casal ficou até o final de 2015 sem se ver. Neste meio tempo, uma tia de Emerson deu uma casa em Bauru de presente para o sobrinho, quando ele decidiu deixar o emprego em São Bernardo. Com o dinheiro recebido da rescisão, reformou o imóvel localizado no Núcleo Mary Dota para receber Ronielle. “Quando estava tudo mais ou menos pronto, voltei para Manaus e nos casamos no civil e no religioso. No dia 28 de dezembro, já estávamos de volta a Bauru”, conta.
Adaptação
A jovem manauara diz que a paixão avassaladora que envolve o casal tem ajudado a minimizar a saudade que sente de casa. O esforço do marido em integrá-la aos novos hábitos e cultura também tem contribuído para a adaptação dela à realidade bauruense.

