Cultura

? E se a gente chamasse Dedé Santana para o nosso filme?

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Para muitos, ter o autógrafo de um ídolo já é uma experiência que ficará guardada na memória para o resto da vida. Imagine contar com um desses ídolos atuando em filme independente que você mesmo produz? 

Quioshi Goto
O eterno trapalhão Dedé Santana, 79 anos, estará no curta-metragem “Ballet de Morte”, escrito e dirigido pelo cineasta pirajuiense Diego Ramiro. 

É o que vai acontecer hoje, em Pirajuí, com a participação do eterno trapalhão Dedé Santana, 79 anos, no curta-metragem “Ballet de Morte”, escrito e dirigido pelo cineasta pirajuiense Diego Ramiro. 

Dedé aceitou o convite para interpretar o dono de um hotel e patrão do atrapalhado Miguel (Diego), em uma história repleta de humor nonsense, artes marciais com uma pitada de surrealismo. 

“Nasci vendo o Dedé e assisto ‘Os Trapalhões’ até hoje. Cheguei a pensar em desistir porque achava que tê-lo em meu filme era algo grande demais para mim. Mas Deus vai colocando a mão, abrindo as portas e as coisas acontecem”, define Diego, emocionado.

Ontem à tarde, almoçando em Bauru e ainda sem dormir por conta da correria com projetos de teatro e cinema, o ex-trapalhão reservou alguns minutos para falar com o Jornal da Cidade, poucas horas após chegar do Rio de Janeiro. Hoje, ele grava as cenas do filme no Pirajuí Plaza Hotel, a partir das 13h. 

Veja abaixo trechos da entrevista com Dedé Santana. 

Jornal da Cidade - Dedé: o que motiva você a estar aqui? Como foi o convite?

Dedé Santana - O roteiro do filme do Diego chegou nas mãos do roteirista Victor Lustosa, que escreveu vários filmes dos Trapalhões. Ele adorou a história e isso me animou. Quando surgiu o convite, achei muito interessante participar. Porque fazer cinema no Brasil é ser super-herói. É um grande desafio para eles e acho muito legal encará-lo. Eles merecem todo o apoio e o que eu puder fazer para ajudar, farei. 

JC - O que mais te chamou a atenção nisso tudo?

Dedé - Foi a coragem dessa turma. Eu sei das dificuldades porque eu já lutei muito para fazer cinema. 

JC – Com a sua experiência, o que você tem a dizer para o Diego, que vem batalhando há anos para conquistar seu espaço no mercado? 

Dedé - Eu fico mais ansioso que ele. Eu senti a emoção dele quando me encontrou hoje (ontem) e procurei disfarçar a minha emoção, pois sabia que ia acabar chorando junto com ele. Porque o que vale na carreira é sempre ter essa emoção. O que eu posso dizer ao Diego? Desistir, nunca. Dedé e Didi já ficaram desempregados duas vezes, fora da televisão. Para fazer o nosso primeiro filme foi luta incansável. Dificuldades não foram motivo para desistir. 

JC - Em resumo, como foi e é trabalhar com o Renato Aragão (Didi)?

Dedé - Gosto muito de trabalhar ao lado do Renato. A gente se dá bem no olhar, se entende. Estamos ensaiando, na Globo, um filme. O elenco ficou admirado porque a gente sai do texto, inventa, brinca, e depois volta no texto de novo. Nós temos essa química. Pelo tom de voz do Renato, já sei para onde ele vai na cena e vou junto. Eu tenho uma ideia de filme para nós dois. O Victor (Lustosa) achou genial. Mas ainda não posso falar muito sobre isso. 

JC - Quais os projetos atuais e os futuros também?

Dedé - Estou atuando em uma peça de teatro chamada ‘A Última Vida de um Gato’, que pretendo trazer a Bauru. A estreia foi em Campinas, há duas semanas. Também estamos fazendo a refilmagem do filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, de 1981. O próximo filme que quero fazer é “O Tribunal”, escrito por mim. Talvez seja o último da minha carreira. 

JC - Como você sintetiza sua trajetória nos Trapalhões, na TV e nos palcos?

Dedé - Sempre me perguntam: ‘você não acha que trabalha demais?’ Eu digo que, se eu não trabalhar, fico velho. Eu quero morrer no palco. Quero morrer trabalhando. 

‘Esperei a vida inteira por isso’

O cineasta independente Diego Ramiro não escondeu a emoção de ver que o seu sonho, enfim, seria realizado. “Foram oito meses de negociação. Uma coisa é você sonhar com o objetivo. Outra é você ver ele [Dedé] aqui. Esperei a vida inteira por isso”, conta Diego. 

Ele explica que escreveu o roteiro há anos. “Eu queria fazer uma versão moderna do filme ‘The Bellboy’ (no Brasil, O Mensageiro Trapalhão), do Jerry Lewis. Tem uma coisa de metafísico, surreal e humor pastelão. Um dos personagens, o dono do hotel, é meio sisudo e dá bronca em todo mundo, assim como o Dedé fazia com o Didi nos Trapalhões”. 

Foi então que Diego colocou o plano em prática. “Eu sempre dizia que o Dedé era inacessível e que não sabia nem como chegar até ele. Por intermédio de uma amiga, que tem o contato do palhaço Tubinho, que já dividiu palco com o Dedé no teatro, consegui fazer com que o roteiro chegasse até o roteirista Victor Lustosa, que aprovou e mostrou ao Dedé”, contou Diego.  

Sinopse

O “Ballet de Morte” narra a história de Miguel, um funcionário preguiçoso, porém ávido por gorjetas, que trabalha em um pequeno hotel e que tem os rumos de sua vida modificados pela presença de um narrador intrometido e alguns gangsters bem mal encarados. 

Quem é?

Diego Ramiro, pirajuiense de 31 anos, é historiador, funcionário público, dublê, ator e faixa preta em Kung Fu e apaixonado por cinema desde criança.  Escreveu, dirigiu, atuou e coreografou cerca de 20 curtas-metragens, três médias-metragens e quatro longas-metragens. Também já atuou como dublê do quadro Bofe de Elite do Show do Cavalcante (Tom Cavalcante). Foi vencedor do FilmaBauru e do Mapa Cultural de SP, em 2008. É um dos finalistas no festival de curtas de Ourinhos, tendo concorrido com 6 mil inscritos. 

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