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Exército vai às ruas contra dengue e vê em esclarecimentos sua arma

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

No palco de guerra instalado em muitas cidades brasileiras ontem, o vilão foi o Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como a dengue, o zika vírus e a febre chikungunya. Em Bauru, um exercito foi às ruas formado por 200 militares do 37.º Batalhão de Infantaria Leve do Exército de Lins e 40 homens da 6ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM), além de equipes da Vigilância Ambiental da Secretaria da Saúde de Bauru, Defesa Civil, Bombeiro Civil e Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), que atuaram conjuntamente nas regiões Sul e Central de Bauru. Entre os principais objetivos da ação está a formação de multiplicadores. 

Nesta etapa, em todo o Brasil, 230 mil militares das forças armadas brasileiras: Exército, Marinha e Aeronáutica foram às ruas neste sábado com o objetivo de mobilizar e criar multiplicadores do combate ao Aedes. A ação está dividida em quatro etapas e teve início na semana passada com a formação e mobilização nas áreas internas dos aquartelamentos. 

“Hoje (ontem) é o dia nacional do esclarecimento. Na próxima semana, uma equipe fará a eliminação de focos em áreas determinadas pelas prefeituras das cidades onde estamos atuando”, esclarece o chefe da 6.ª CSM, em Bauru, Marco Antônio Estevanatto.  

Os moradores dos imóveis visitados receberam orientações no combate ao mosquito e informações sobre as doenças e sintomas, entre outros. A comerciante e moradora do Jardim América Madalena Francisquini Canales foi uma das pessoas orientadas. “Eu mesma já tive dengue. Foram explicações muito claras. Um fato novo para mim foi sobre o mecanismo de correr do box do banheiro. Eu não havia me atentado sobre o fato dele abrigar água parada”

Centro-sul

A ação se voltou aos frequentadores da região central, com um ponto fixo instalado na Praça Rui Barbosa, e à região da zona Sul, que, segundo o Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), aponta índice médio de infestação de 3,1% na região (o nível considerado aceitável é de até 1%). 

Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, estre os motivos da escolha da região Centro-Sul para o “ataque” está o seu alto índice de infestação. “É comum encontrarmos piscinas abandonas nessas regiões e casas com quartinho nos fundos para churrasco. A privada fica lá sem uso e acaba virando criadouro. A nossa experiência com outros mutirões de fim de semana mostrou que é muito mais fácil encontrar os moradores nesses dias”.

Repercussão

Já o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, comenta que, embora a região apresente média de infestação elevada, outro motivo que levou a ação para lá foi a capacidade de repercussão (em toda a cidade) que ações realizadas nessas áreas têm. “Por exemplo, estamos atuando nos shoppings e outros locais que recebem pessoas da cidade inteira. A ideia é a capacidade de radiação da ação”, grifa. 

Presença federal 

O movimento denominado Dia “D” Contra o Aedes aegipty, em Bauru, contou com a presença do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende. Ao todo, 164 autoridades federais, entre ministros, secretários executivos e presidentes de autarquia foram designadas para várias cidades do País para acompanhar o trabalho de mobilização nacional no combate ao Aedes.   

“O Governo Federal espera que haja mobilização e conscientização da população para que se possa ganhar consciência sobre o fato do combate ao mosquito ser uma tarefa fundamental de todos. O número de casos de doenças transmitidas pelo Aedes é grande em todo o Brasil e o papel da população é muito importante na prevenção e até na identificação dos focos do mosquito”.  

Os Correios já começaram a distribuir 20 milhões de panfletos nas residências e no comércio de todo o País com informações sobre como identificar pontos de reprodução do Aedes aegypti e como combatê-lo. 

Baixa circulação de zika

Até o momento, Bauru detectou um caso de zika vírus em gestante. O que, segundo suas próprias palavras, intriga o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, enquanto  médico infectologista e epidemiologista.

“Fizemos uma busca ativa no município entre as gestantes com possíveis sinais clínicos para detectar outros possíveis casos e não achamos um grande volume de sinais. Então algumas questões e as análises negativas nos levam a sugerir que ainda temos pouca circulação do Zika entre nós. Esse é o lado bom da notícia”, comenta.  

O lado ruim, aponta Monti, é que a dengue ainda é uma realidade preocupante. Até o momento, foram registrados 68 casos autóctones (mais oito importados), e a curva de ocorrências está maior do que no ano passado. “Por isso nossa preocupação está bastante concentrada na dengue. Há um fenômeno midiático onde todo mundo está falando no zika, mas o problema de saúde, na nossa realidade, ainda é a dengue”, preocupa-se.  

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