Falta muita coisa para que a região próxima à avenida José Vicente Aiello, em Bauru, seja um lugar ideal para se viver, mas cerca de 30 moradores das imediações não desistiram de exigir mudanças. Tanto que, há um mês, eles formaram um grupo denominado “Vizinhos da José Vicente Aiello” para expor à prefeitura suas reivindicações, enviadas por ofício.
Segundo o médico veterinário Mário Ramos de Paula e Silva, 50 anos, que mora há 14 na quadra 3 da avenida Octacílio Câmara, na região do Jardim Imperial, os vizinhos perceberam que, sozinhos, não conseguiram mudar nada e decidiram se juntar. Diante disso, as reivindicações do grupo se dividiram, essencialmente, entre os setores de segurança pública e infraestrutura urbana.
Em nome do grupo, Silva denuncia que a administração municipal não realiza a manutenção das caixas de contenção de água pluvial, instaladas nas vias de terra. Aliás, este é outro problema apontado pelo morador: a falta de asfalto. “Quando chove, erosões se espalham pelas ruas e os vizinhos têm de pagar uma máquina particular para reparar o estrago, porque a prefeitura demora muito”, reforça o biólogo Jorge Issa, 52 anos, vizinho de Silva.
Outros problemas que dizem respeito à prefeitura são: necessidade de podar as árvores nas imediações da avenida; irregularidades nas cercas das propriedades rurais instaladas na região e, por conta disso, os animais escapam e provocam acidentes; e existência de minas d’água sobre as ruas de terra. Além disso, falta sinalização nos acessos da José Vicente Aiello para o Jardim Imperial e a Chácara Cardoso e não há coleta seletiva de lixo.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Bauru esclarece que a empresa contratada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) recapeou os últimos 600 metros da avenida José Vicente Aiello, nas proximidades do Lago Sul, onde havia diversos afloramentos d’água sobre o asfalto. Ainda sobre isso, a prefeitura enviará fiscais para verificar a situação e adianta que as minas podem ter aflorado devido às chuvas deste mês.
Além disso, o trecho entre o início da avenida Comendador José da Silva Martha até o condomínio Villa Lobos será recapeado ainda no primeiro semestre deste ano. Segundo o município, a obra será realizada por meio de contrapartida do empreendimento Spazio Comendador. Quanto à manutenção das estradas e chácaras das imediações, a prefeitura informa que é de responsabilidade dos proprietários.
Já a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) acrescenta que já foram feitas as seguintes melhorias na avenida: implantação de cinco obstáculos de solo; instalação de placas de advertência de animais na pista; reforço da sinalização de velocidade máxima permitida; implantação de dois obstáculos de solo para garantir segurança dos usuários de uma creche situada na via; e instalação de sinalização em frente ao Villa Lobos.
Além disso, foram implantadas placas de sentido únicos de direção, tachões, película elastoplástica, pintura de zebrado, demarcação do eixo e sinalização de solo com a máquina de pintura. Aleatoriamente, a Polícia Militar (PM) utiliza o radar estático para autuar os infratores. Quanto à coleta seletiva, a expectativa é de que a região seja atendida dentro de alguns meses, já que ela faz parte dos 20% dos bairros que não recebem o serviço.
Falta de energia e a sensação de insegurança integram problemas
Outra reivindicação do grupo corresponde à sensação de insegurança, principalmente, por parte daqueles que moram em locais mais próximos à linha férrea. “Existe um grande risco de as chácaras serem assaltadas, dada a facilidade da fuga e do esconderijo”, comenta Mário Ramos de Paula e Silva, que aproveita para denunciar a constante falta de energia elétrica em época de chuvas fortes. “Já ficamos 48 horas sem luz”, acrescenta.
O 1.º tenente Lucas de Freitas, comandante da base Sul da Polícia Militar (PM), que é responsável pela região da avenida José Vicente Aiello, afirma que há, de fato, uma sensação de insegurança por parte dos moradores próximos à linha férrea. Contudo, a corporação registra raros casos de assalto, embora realize rondas preventivas de forma constante. “Outros órgãos também têm de colaborar, reforçando a iluminação e a capinação nas vias”, diz.
Já a assessoria de imprensa da CPFL Paulista afirma que a avenida José Vicente Aiello é extensa e, em princípio, não há problemas sistêmicos que envolvam a região.