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| Transmitido pelo Aedes aegypti, o zika já tem um caso positivo confirmado em Bauru |
Um estudo liderado por pesquisadores de Bauru e do Canadá pretende estabelecer uma nova forma de diagnóstico para o zika vírus, que já infectou uma gestante em Bauru, neste ano. No País, o Ministério da Saúde investiga quase 4 mil casos de microcefalia em bebês, que podem estar relacionados à doença, quando contraída pela mãe durante a gravidez.
Ainda em fase inicial, a pesquisa – considerada inédita no mundo - busca desenvolver um teste rápido para o zika por meio de amostra de saliva do paciente, tornando o diagnóstico mais ágil, barato e indolor. Numa última etapa, a intenção é que o teste seja feito por meio de uma fita reagente, que poderá ser utilizada por unidades de saúde e, inclusive, comercializada à população em farmácias.
A parceria firmada entre pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) e da Schulich School of Medicine and Dentistry, de Ontário, no Canadá, ainda terá um longo caminho a percorrer.
Segundo a coordenadora do estudo em Bauru, professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, a intenção inicial é estabelecer cooperação com a Universidade Federal de Pernambuco, no Estado onde o primeiro surto de microcefalia foi registrado, para a coleta de amostras de saliva de pacientes infectados pelo vírus.
“Se isso for possível, a ideia é irmos até lá para realizar este trabalho. Também temos interesse na coleta de material de pacientes que foram ou venham a ser diagnosticados com zika em Bauru”, destaca ela, que é diretora da FOB/USP e superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP), o Centrinho.
Vantagens
Atualmente, o diagnóstico da doença é feito por meio da análise de amostras de sangue. A desvantagem é que, através deste método, é preciso esperar a reação dos anticorpos ao vírus injetado pela picada do mosquito Aedes aegypti, o que pode levar até uma semana.
Na nova modalidade em estudo, a expectativa é de que não seja preciso aguardar este período, já que, por meio das proteínas presentes na saliva, acredita-se que seja possível identificar a presença do vírus nos primeiros dias após a contaminação.
“O grande desafio é que o teste seja eficiente quando as pessoas ainda estão com a janela de infecção, ou seja, durante a manifestação dos sintomas, visto que este é o momento ideal para o diagnóstico precoce”, pontua Walter Siqueira, professor da Schulich School, um dos cientistas pioneiros no estudo do uso de saliva para diagnósticos. Com o vírus detectado logo após a pessoa ser contaminada, é possível começar o tratamento mais cedo, o que aumenta as chances de cura do paciente e desafoga o serviço público de saúde.
| Malavolta Jr. |
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| Segundo Maria Aparecida, da FOB, intenção é coletar amostras de pacientes em Pernambuco |
Pesquisadores de Bauru e do Canadá já realizaram estudo sobre a dengue
A pesquisa elaborada pela parceria entre Bauru e Canadá pode ser considerada uma continuidade do estudo iniciado pela FOB/USP e Schulich School of Medicine and Dentistry há cerca de cinco anos. Na época, conforme o JC noticiou, os pesquisadores investigaram mecanismos para diagnosticar dengue através da saliva.
Este primeiro levantamento, contudo, foi inconclusivo. Mas, de acordo com a professora Maria Aparecida Machado, as novas tecnologias disponíveis vem abrindo novos horizontes para as pesquisas.
Da mesma forma, o professor Walter Siqueira destaca que o zika vírus já tem genoma identificado, o que deve facilitar o trabalho de detecção dos biomarcadores para a doença. “Também é importante lembrar que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) identificou, recentemente, a presença do zika vírus na saliva de pacientes infectados”.
Etapas
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| Walter Siqueira, da Schulich School, destaca que meta é desenvolver fita reagente para o vírus |
O professor Walter Siqueira explica que, após a coleta de saliva de pacientes com zika diagnosticados pelos métodos tradicionais, as amostras serão analisadas em laboratório, com o objetivo de identificar as proteínas que podem funcionar como biomarcadores para a doença. “A partir destes marcadores, iremos elaborar sinteticamente um anticorpo e usá-lo em uma fita reagente, que mudará de cor de acordo com a presença ou não da proteína vinculada ao vírus”, resume.
Segundo ele, a intenção é de que o resultado do exame fique pronto entre 10 e 20 minutos, dentro dos mesmos moldes de um teste de gravidez comprado em farmácias. Além da agilidade, outra vantagem do uso da fita seria a praticidade, já que qualquer pessoa não especializada poderia fazer a coleta, sem traumas principalmente para pacientes infantis e idosos. Porém, ainda não é possível precisar o prazo necessário para que a pesquisa seja concluída e o dispositivo, viabilizado comercialmente.
Botucatu estuda o uso de bactérias que podem ser agentes contra Aedes
Outra ofensiva lançada como resposta ao aumento do número de casos de dengue e zika no Brasil veio do Instituto de Biotecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (106 quilômetros de Bauru). Conforme o JC divulgou, pesquisadores isolaram bactérias que podem funcionar como agentes antidengue, ou seja, que tenham habilidade de neutralizar e impedir a replicação do vírus no Aedes aegypti. Desde o fim do ano passado, os estudos estão sendo expandidos para o zika vírus.
Eles também estão desenvolvendo em laboratório linhagens transgênicas do mosquito, resistentes aos dois vírus e com características diferentes do mosquito criado pela inglesa Oxitec. De acordo com o pesquisador Jayme Souza-Neto, coordenador do laboratório de vetores da universidade, o estudo investiga o vírus quando chega ao intestino do Aedes, após o inseto se alimentar com o sangue infectado.
“Quando o vírus consegue sair do intestino e chegar à glândulas salivares, o mosquito se torna transmissor da doença. Nosso interesse é desvendar a interação entre as defesas imunológicas do inseto e os micróbios que o colonizam e criar barreiras para impedir essa travessia”, explicou o pesquisador.


