Articulistas

Kant e o Aedes aegypti

Marli Monteiro
| Tempo de leitura: 1 min

Louvável a iniciativa do poder público em realizar mutirão para combater o mosquito transmissor de tantas doenças. No entanto, tais ações que, num primeiro momento, parecem basear-se no máximo bem-estar para a maioria da população, nos remete a uma indagação: qual sua base moral, na melhor proposta kantiana?


Um Estado mínimo que exclui a maioria das medidas para diminuir a desigualdade e promover o bem comum não é capaz de justificar e apresentar o valor moral de uma ação levada a efeito no país todo para combater bichinho tão sanguinário. Por certo, a ação foi motivada para minimizar os impactos da notícia no exterior e afugentar possíveis turistas por ocasião dos Jogos Olímpicos. Ora, se para Kant o valor moral de uma ação não consiste em suas consequências, mas sim na intenção que justificou a realização desta, o que importa ou deveria importar é fazer a coisa certa; qual seja, a saúde coletiva, e não um outro móvel exterior a ela.


No dizer do filósofo: “[...] uma boa ação não é boa devido ao que dela resulta ou por aquilo que ela realiza[...], mas sim o motivo certo que levou a praticá-la. Quando avaliamos se uma ação é boa ou não, estamos analisando não apenas o dever de praticá-la, mas se a mesma têm valor moral. Não se condena a ação, que é útil e necessária, por óbvio, mas esta deveria ser praticada pelo motivo certo: a saúde de toda uma coletividade e não um meio para se atingir um outro objetivo, qual seja: transmitir uma imagem de que fazemos a coisa certa do jeito certo.


A autora é doutora em Saúde Coletiva pela USP – Mestre em Filosofia pela Unesp -  (adv-marlim@uol.com.br)

Comentários

Comentários