Polícia

Cerca de 250 famílias ocupam área no Mary Dota por moradia

Thiago Vendrami
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: Thiago Vendrami
Márcio Rodrigo Alves de Oliveira (terceiro da esq. para a dir.) lidera o grupo
Patrícia Fabiana Ferreira espera segundo filho
Nair Francisco Costa da Silva mantém viva a esperança 
Ocupante monta seu barraco para passar próximos dias com a família

Pelo menos 700 pessoas, divididas em 250 famílias, ocuparam uma grande área localizada no núcleo Mary Dota, em Bauru, na noite desta sexta-feira (19). Eles fazem parte do Movimento Social de Luta (MSL) Campo e Cidade e reivindicam moradias.

De crianças a idosos, os ocupantes são bauruenses que pagam aluguel ou não possuem um teto sequer. Para este sábado (20), está prevista a chegada de mais famílias.

De acordo com o líder do grupo, o agricultor Márcio Rodrigo Alves de Oliveira, 35 anos, não é sabido quem é o dono da propriedade localizada na avenida Rosa Malandrino Mondelli. “Percorremos todos os cartórios e não há uma pessoa que seja dona da área. Sendo assim, acreditamos ser da União”. 

“ Mas quando uma área é ocupada aparecem vários ‘donos’, pessoas querendo se aproveitar da situação”, conclui.

Além disso, Oliveira chama a atenção para a proliferação do mosquito aedes aegypti. “Uma terra desse tamanho abandonada e servindo de moradia apenas para o mosquito da dengue e outros bichos indesejáveis, enquanto centenas de famílias apenas esperam pela chance de construir uma casa”.

Só com negociação

Questionado sobre o tempo que pretendem ficar na área ou se já tinha algum outro local em vista para ocupar, Oliveira foi enfático. “Viemos para ficar e esperamos negociação por parte do Estado ou da Prefeitura com algum lugar para construirmos nossas moradias”.

Duas realidades

Patrícia Fabiana Ferreira, 30 anos, grávida de quase 9 meses, pode ter seu segundo filho a qualquer momento, até mesmo na ocupação. Ela já é mãe de uma adolescente e dividiam um colchão de casal durante a noite. “Moramos de favor, preciso de uma casa para viver com meus filhos”, diz.

Já Nair Francisco Costa da Silva, 63 anos, há 40 anos mora de aluguel. “Desde quando tive meu primeiro filho, sempre moramos de aluguel e já não tenho mais condições de continuar assim”. Ela ainda mantém viva a esperança de ter sua casa própria.

PM registra ocorrência

Como de costume, a Polícia Militar (PM) foi ao local para registrar um boletim de ocorrência (BO), identificar os líderes e evitar possíveis transtornos.

Tudo foi tranquilo, pelo menos até por volta das 2h30. Oliveira destaca a ação da PM. “Geralmente vemos ações truculentas da polícia, tanto que a orientação sempre é de montar a barraca e não sair, mas a equipe que veio aqui foi extremamente educada e atenciosa, respeitando nosso ato”.

Comentários

Comentários