Cultura

Confira o legado da artista plástica Elisabeth De Lucca

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Albúm de família
Bauruense Elisabeth De Lucca deixou telas na história das artes; acima, alguns de seus trabalhos 
Douglas Reis
Sérgio mostra arquivo de reportagens e notas publicadas no Jornal da Cidade sobre o trabalho de sua mãe, a artista Elisabeth De Lucca

Não por acaso os trabalhos e exposições da artista plástica Elisabeth De Lucca sempre eram notícia em Bauru: suas técnicas mistas, utilizando da pintura a óleo a tintas acrílicas, com colagens e temas diversos, despertavam genuína admiração.

Cada uma das notas e reportagens se tornou um recorte cuidadosamente guardado em pastas e álbuns, herdados pelo seu filho, Sérgio De Lucca dos Reis.

Entretanto, seu legado cultural vai muito além do arquivo histórico: está em mais de 250 telas e nos cerca de 500 alunos que aprenderam a pintar com as aulas, desde 1977.

Natural de Bauru, Elisabeth morreu em novembro de 2015, aos 76 anos. Compartilhar esse vasto material é uma forma de homenagear não só a mãe, mas também a professora e artista.

“Ela participou de muitas exposições e festivais de artes, não só em Bauru, mas em outros municípios do interior paulista, em vários desses eventos, recebendo premiações e menções honrosas pelo seu trabalho”, resume Sérgio.

Conheça mais sobre o talento e a trajetória de Elisabeth De Lucca.

Aluna e professora

Elisabeth De Lucca foi aluna de Angelina Messenberg e Salvador Ponce Paz. Além de expor ao lado deles, também trabalhou com seus professores para que Bauru tivesse um espaço permanente para a exposição das artes plásticas. Hoje o local existe: fica no Centro Cultural e leva o nome de Angelina. Em casa, Elisabeth tinha seu ateliê, onde deu aulas até alguns anos atrás, quando diminuiu o ritmo para cuidar da sua saúde e da própria mãe.

“Minha avó, Jesuína, faleceu aos 99 anos, 18 dias antes da minha mãe. Ela começou a pintar já idosa, pois ficava vendo minha mãe dar aulas, e chegou a expor”, conta Sérgio. Quem também seguiu os passos de Elisabeth foi Vinícius, um dos filhos de Sérgio, que aprendeu a pintar com ela e hoje é estudante de arquitetura.

“Minha mãe era muito querida pelos alunos. Alguns ficaram por vários anos, uns pelo aprendizado em si, outros como forma de terapia”, ressalta o filho. “Por nós também. Ela era muito família e exemplo. Batalhadora, não reclamava das coisas e venceu muitos obstáculos”.

A artista

Diversos temas passaram pelos pincéis e pela sensibilidade de Elisabeth: da natureza a figuras humanas, de casarios a abstratos, muitos deles com traços expressionistas.

Religiosa, transmitiu sua fé em muitas obras. Era também conhecida pelos traços delicados, mesmo com cores vivas, pela transcendência das obras, por trabalhar sombra e luz com exatidão e não se fechar em determinado estilo.

“A arte é um instrumento expressivo de tranquilidade espiritual e paz interior, bem como serve de estímulo e incentivo aos interessados em ingressar no exercício maravilhoso do universo das artes plásticas”, disse Elisabeth em reportagem publicada pelo Jornal da Cidade em 2001. Em 2015, fez parte de uma exposição coletiva, a última em vida.

“Minha mãe participou da história bauruense com exposições em muitos lugares, de agências bancárias a universidades, shopping, entidades... Também coordenou exposições dos alunos, era jurada em festivais de arte e integrava o grupo Amigos da Boa Música”. Outro motivo de orgulho para a família é que seus quadros nunca “encalharam”.

“Há pessoas que adquiriram e levaram as telas até para fora do país. Em Bauru, alguns estão no museu histórico, em igrejas, entidades assistenciais, no Automóvel Clube e no Centrinho”, lista. Muitas obras foram doadas pela própria artista. Com o filho restaram aproximadamente 60 telas que ele pretende expor assim que possível.

 

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