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Gente como a gente

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Você percebeu? Sem querer querendo, os últimos dias foram marcados por situações em que personalidades tiveram seus rompantes de gente comum. O papa Francisco, por exemplo, perdeu a boa. Como qualquer um quando tem o carrinho levado no supermercado ou vê sua fila ser descaradamente cortada. “Não sejam egoístas!”, repetiu, bravo, sem saber ao certo qual fiel mexicano partiu para o empurra-geral na tentativa de se aproximar do santo homem.  


Na verdade, o afobado quase derrubou Francisco ao segurá-lo firme pelo braço. O argentino por pouco não cai sobre uma pessoa sentada logo ali. Levar um puxão pelo braço e quase cair: imprevisto de gente normal (normalmente tirada do sério por gente em impulso anormal). Sobre o “fiel egoísta”, parece que foi visto depois com o sombrero afundado na cabeça, morrendo de vergonha em algum canto da cidade de Morelia, onde ocorreu o incidente papal.


E o papa da música? Paul McCartney foi barrado numa festa pós-Grammy que o rapper Tyga, 47 anos mais novo do que ele, promoveu em casa de shows de Los Angeles. Paul, 73, insistiu, foi até a porta e recuou até o carrão preto com seus companheiros também famosos – também ignorados: o premiado cantor Beck e o baterista da banda Foo Fighters, Taylor Hawkins. “O quão VIP nós precisamos ficar? Necessitamos de um novo sucesso, rapazes. Trabalhem nisso”, disse Paul a Beck e Taylor diante de seguranças irredutíveis. Tyga, 26, afirmou, depois, que teria aberto a porta ao eterno Beatle se soubesse que ele estava plantado lá na frente: mascando chiclete, mãos no bolso, cara de espanto. Ser barrado em festa? Coisa de gente comum.


Teve, ainda, todo o imbróglio envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique e a jornalista Miriam Dutra, com quem manteve relacionamento por anos.  Como acontece por aí em tantos núcleos familiares: amor, sexo, traição. E com um jovem no meio do fogo cruzado entre adultos. Novelão.


Melhor trocar a novela por um filme: sem estrelismo, Dedé Santana, 79 anos, topou participar das gravações de um curta dirigido por Diego Ramiro, 31, em Pirajuí. Com longo histórico de TV e cinema, Dedé fez questão de ser quase um anônimo. Usou a fama para se livrar dela. Não teve porta na cara, nem puxão no braço, nem acusação de ex. Nessa, o trapalhão modestamente riu por último.


O autor é editor executivo do JC

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