Tribuna do Leitor

E qual é o verdadeiro nome da Rosa?

Renato Ghilardi - Professor Unesp - ghilardi@fc.unesp.br
| Tempo de leitura: 1 min

Umberto Eco foi uma daquelas figuras intelectuais das quais o mundo carece verdadeiramente. Ele foi um verdadeiro pensador, diferentemente de vários que apenas vociferam nos dias de hoje. Como o próprio dizia, hoje o mundo é preenchido de falsas criaturas pensantes que, em tempos passados, não passariam de filósofos de botequim.


Ao contrário, hoje qualquer medíocre pode ter suas ideias perpetuadas pela internet ou pela imprensa num mesmo quilate comparativo das ideias de um prêmio Nobel. Os intelectuais, segundo ele, tinham sua própria maneira de protestar: escrevendo artigos, indicando leituras, mas não com a força de mudar o mundo sozinhos. E isso gerava um enorme desconforto dele em relação à humanidade que não conseguia pensar por si só.


Filósofo que era, tinha uma predileção por pensadores medievais de onde surgiu seu livro de romance mais conhecido: “O Nome da Rosa” que nada mais é do que um pensamento filosófico que tenta captar qual a verdadeira essência por detrás de um simples nome. É como se quiséssemos pegar uma sigla partidária qualquer e saber qual a essência de pensamentos que tal partido tem.


Como nos dias atuais os partidos políticos não possuem essência ideológica alguma a não ser a do poder a qualquer custo, obviamente não se é de estranhar mudanças partidárias frequentes de pessoas que pululam de sigla em sigla não por estar atrás de um ideal político, mas sim por tentar descobrir onde conseguem carregar e obter mais votos.


Era essa espécie de barbárie e desonestidade intelectual que fazia Umberto Eco ter, em seus últimos anos de vida, uma certa aversão a humanidade. Afinal, como ele escreveu no final de sua obra prima: a rosa antiga permanece no nome, nada temos além dos nomes (“stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus”).

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