Cuidado. Minha tia, nonagenária, foi vítima do que eu suponho ser uma quadrilha de “cuidadores de idosos” que age junto aos hospitais, muitas vezes, infiro, contando com a indicação e aval do próprio hospital e a anuência da família, senão analisemos o quadro. A pessoa está hospitalizada e fragilizada pela doença. Por ser idoso recomenda-se, respaldado no Estatuto do Idoso, que se tenha um acompanhante que pode ser um membro da família ou alguém contratado. Nesse momento entram em cena os “profissionais cuidadores”. Também fragilizada e pega de surpresa, a paciente – neste caso – aceita a contratação.
Sem marido e filhos - apenas com netos supostamente dependentes –, com idade acima dos 90 anos e com doença terminal, ela era uma vítima perfeita e com potencial para a ação dessa quadrilha que a “roubou” em mais de 20 mil reais e saiu impune porque contou com o consentimento da própria vítima após ser certamente cooptada por eles. Apesar de eu e minha esposa darmos assistência à distância, não podíamos, por premência das atividades diárias, estar 24 horas ao seu lado.
Bastou uma noite a sós com ela para que o suposto “cuidador” colocasse em ação o seu plano de rapar os parcos “caraminguás” que um aposentado recebe, como era o seu caso. É preciso ressaltar que não estou generalizando que todos desse grupo de “profissionais” têm essa conduta, pois se sabe que em qualquer ramo de atividade há o sempre o mau e o bom profissional, portanto, este texto é apenas um alerta para quem necessita desse apoio, lembrando sempre que é preciso separar o joio do trigo e agir desconfiando o suficiente desses falsos ajudantes.
Infelizmente os envolvidos sumiram da cidade. Minha tia acabou falecendo, mas continuamos atentos, investigando possíveis rastros que possam levar essas pessoas a responder judicialmente por atos que entendemos ser de estelionato com agravante de ter sido cometidos contra uma idosa.