O Carnaval 2016 chegou ao fim e, como dizem que o ano só começa depois dessa folia, já podemos desejar um feliz 2016, certo? Feliz? Que jeito? Tá tudo tranquilo e favorável aqui na terra no samba? Tranquilo e favorável só se for em legenda de foto de Facebook porque aqui no Brasilzão não tem nada tranquilo, muito menos favorável. O Carnaval acabou e já podemos parar de namorar todo mundo e guardar nossas fantasias, se bem que usamos o tempo todo uma fantasia chamada rede social: essa ajuda muito a disfarçamos quem somos.
Bom, o ano de 2016 do nosso país já começou na “Zika”: tá todo mundo com medo de pegar esse vírus, mas talvez nosso maior medo seja ter que parar em algum hospital ou pronto-socorro sem estrutura nenhuma e que podem acabar atrapalhando ainda mais a nossa situação. A dança da moda aqui é a “Dança do Desempregado”, amanhã o dançarino pode ser você, eu, seu amigo, ou qualquer pessoa que vive nesse país. Não me sinto nem um pouco seguro, aliás, tem um seguro que anda salvando muita gente, que é o seguro-desemprego.
Vamos aos destaques do esporte. E a seleção? Essa aí não dá mais alegria nenhuma pro seu povo, em alguns momentos ela se mostrou o retrato do nosso país decadente e corrupto. Não podemos nem dizer que somos o país do futebol, futebol que está cada dia mais caro e difícil pro povão assistir no estádio. Na Fórmula 1 os pilotos brasileiros estão mais travados do que nossa economia, melhor nem acordar de manhã pra assistir corrida: vamos aproveitar a manhã do domingão para dormir e sonhar com dias melhores.
Tem Olimpíadas no Brasil esse ano. Quantos vexames nossos atletas vão dar? Pra quem vamos perder? Ficaremos atrás de quantos países no quadro de medalhas? Algum ginasta vai cair? O vento vai atrapalhar alguma atleta do salto com vara? Quantos atletas brasileiros que só querem dar alegria para o povo vão chorar que nem uma criança após as derrotas? Bom, o negócio é dizer que o importante é competir, e mantermos o tal do espírito olímpico.
E na política? Tem que falar disso mesmo? Vai ter impeachment ou não vai? Mas o que isso muda? Ninguém nos dá esperança e passaremos a acreditar em algum soldado como salvador da pátria? É Meu amigo, uma frase que poderia retratar nosso momento político seria: se gritar pega ladrão, não fica quase nenhum, meu irmão. E o povo brasileiro discute política na internet, na verdade não discute, e sim se agride defendendo suas ideologias a qualquer custo, como se elas fossem times de futebol.
Vamos tomar uma com os amigos pra relaxar já que a coisa não tá fácil pra ninguém, mas a inflação sobe e o preço da bebida também pode subir, então, vamos pedir pro garçom trazer a catuaba ou a cerveja mais barata que tiver.
Para o nosso copo podemos até dar um jeito de manter ele cheio, mas o coração anda vazio. Quem diria que um povo como o brasileiro iria passar por um momento de intolerância tão grande, basta olhar o show de horrores dos comentários de internet pra percebemos o quanto estamos perdendo nossa sensibilidade. E como dizem que a fé não costuma “faiá”, o jeito será se apegar a ela e a todos os santos do Brasil. Temos essa arte de vivermos da fé, só não sabemos fé em quê.