Tribuna do Leitor

Fuleco e a democracia

Benedito J. A. Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Só de lembrar no Fuleco já tenho dor de cabeça. Em segundos me vem à lembrança aquele fatídico 7 X 1 contra a Alemanha... Porém outras coisas ridículas ocorreram antes disso: a construção de estádios no meio do nada... a mudança “forçada” de nossa legislação para que as empresas de cerveja pudessem vender nos estádios... e a mais emblemática demonstração de nossa frágil “democracia soberana”: a “eleição” do Fuleco. Sem nenhuma participação popular, a Coca-Cola, valendo-se de seu poder econômico incontestável, impôs aos brasileiros três candidatos ao “cargo” de mascote da Copa: Fuleco, Zuzeco e Amijube (lembram?).


Na realidade nenhum deles agradava a população, especialmente quanto aos nomes que mais pareciam um “Frankstein” de sílabas que não remetiam a coisa nenhuma. Após uma “democrática votação” (que ninguém sabe, nem viu), foi escolhido Fuleco (cujo nome nos faz lembrar Fulero... ou qualquer coisa sem valor que o valha)... O boneco parecia mais amaldiçoado que o Chucky. Perdemos a Copa de forma vergonhosa e o Fuleco ficou encalhado nas prateleiras a espantar vendedores e clientes por um longo tempo...


Fizeram promoção e.... nada. Até que, por uma questão de bom senso, os bonecos malditos foram retirados das prateleiras e lançados no limbo... Pois é.... a cada eleição majoritária essa história se repete ... Os poderosos, mandatários deste país, promovem uma aguerrida disputa (de fachada), enquanto nos bastidores se unem para empurrar guela abaixo do povo, o Fuleco, o Zuzeco ou o Amijube... tudo para que tenhamos a impressão de que nosso voto tem importância e que realmente vivemos numa democracia.


Na verdade, nosso voto não vale nada... É sempre mais do mesmo. Tanto faz... É tudo Fuleco do mesmo saco... No final, vence sempre a vontade de uns poucos coronéis (com nome e sobrenome), referendada pelo voto de muitos anônimos barnabés (entre os quais me incluo).

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