| Mauricio Felix/Divulgação |
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| Algumas plantas, como a bromélia, devem ser lavadas em água corrente uma vez por semana |
Tão improváveis quanto um copo com escovas de dente em cima da pia do banheiro com água acumulada e propício para a proliferação do Aedes aegypt, alguns criadouros passam despercebidos na rotina da limpeza em casa. Em meio à natureza e, geralmente, distantes do dia a dia do interior dos imóveis, os chamados criadouros naturais têm preocupado as equipes de controle de endemias. E a apreensão ocorre justamente pela dificuldade de visualização do acúmulo de água nesses locais.
O oco de uma árvore, por exemplo, pode esconder grandes poças de água parada e, consequentemente, centenas de larvas do mosquito que transmite a dengue, o zika e a febre chikungunya, aponta o agente sanitário da prefeitura, Roldão Antônio Puci Neto.
Em dez anos de fiscalizações e varreduras pela cidade, ele conta já ter encontrado larvas até mesmo em meio às raízes entrelaçadas de árvores e em espécies de cuias formadas em folhagens secas nos quintais de algumas casas.
“A folha de bananeira caída no chão, um buraco formado em uma rocha e até o interior de um bambu quebrado podem acumular água. Criadouros em plantas, como as bromélias e a dracena, são encontrados com frequência nas casas que visitamos”, comenta Puci Neto.
“Às vezes, a pessoa tem um jardim ou um quintal de terra e esquece de observar os detalhes com atenção por tratar-se de um ambiente natural”, completa. E é aí que mora o perigo. São exatamente esses criadouros incomuns, somados aos criadouros improváveis no interior da casa, como os ralos, os sifões de pias, entre outros, que podem aproximar a família e a vizinhança dos riscos de contrair as doenças em questão.
Em alerta
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| Até folha seca pode acumular água e virar criadouro do Aedes |
Roldão ressalta que todas as regiões de Bauru estão sujeitas a esse tipo de problema, mas lembra de algumas situações recentes observadas em bairros na área do Altos da Cidade. “Lá, tem muita bromélia, dracena e jardins. É uma situação diferente de algumas regiões periféricas, onde a maioria dos criadouros é encontrada em meios artificiais, materiais inservíveis ou servíveis, como plásticos, embalagens” compara.
Vale destacar, no entanto, que todas as regiões de Bauru, exceto os bairros Jardim Ivone, Núcleo Nobuji Nagasawa, Jardim Silvestre, Jardim Pagani, Jardim Flórida, Araruna, Núcleo Beija-flor e Jardim Santa Luzia, registraram índice quase três vezes maior do que o 1% preconizado pelo Ministério da Saúde, no último Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa), realizado em outubro de 2015.
Conforme o JC noticiou, nos 6.159 imóveis visitados em toda a cidade, 11.682 recipientes foram encontrados com água e 256 foram positivos para o Aedes. Os números revelaram que 3,3% das casas pesquisados estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti, o que colocou o município na fase de alerta para epidemia de fengue em 2016.
Além de revelar os índices de infestação por Aedes, o Liraa indica os principais tipos de criadouros encontrados nos bairros e especifica qual o melhor tipo de ação para cada localidade. Nas últimas semanas, a cidade passou por uma série de mutirões contra o mosquito. Vários órgãos, incluindo o Exército, participaram das ações.
As equipes continuam nas ruas realizando buscas ativas, já que o alerta permanece e os casos não pararam de subir. Neste ano, 119 casos de dengue já foram confirmados em Bauru, 110 deles autóctones. Houve também a confirmação de um caso de zika.
Denúncia
Nos últimos dias, o JC recebeu denúncias de leitores informando acúmulo de água na laje de uma construção localizada no cruzamento das ruas Capitão João Antônio e Antônio Alves, próximo a um hospital. Por meio de nota, o grupo Maksoud Plaza, proprietário do terreno, informou que o local recebe manutenção permanente e que a limpeza está em dia, e é feita por funcionários contratados pela empresa.
É preciso ficar de olho até em aquários
Entre as medidas para prevenção e contenção da proliferação do Aedes, Roldão Puci Neto destaca que é preciso que os moradores realizem vistorias dentro e fora de suas residências ao menos uma vez por semana. “O sal ou a água sanitária devem ser sempre jogados nos ralos, porque transformam a densidade da água, que fica imprópria para a sobrevivência do Aedes”, afirma. “É importante esclarecer que o pó de café como medida caseira não funciona. O melhor a fazer com relação às plantas é jogar a água fora e lavar o local em que a água estava acumulada com água corrente”, ensina o agente sanitário da prefeitura.
Outro alerta feito pelo agente e que envolve criadouros naturais é com relação aos pequenos lagos e aquários artificiais. “Nem todos os peixes são larvófagos, aliás, somente o Beta e o Guaru são. Então, é preciso monitorar e higienizar sempre esses locais e não deixar que a água fique parada”, acrescenta Puci Neto.

