Crise? Sim. E das brabas. Não é teoria da conspiração/partidária/midiática. Inegável que 99% dos setores sintam de forma desfavorável o atual cenário econômico. Mas e aquele 1% (ainda em clima de Wesley Safadão)? Aquele 1% é formado por setores que até se dão bem em momentos críticos (sabe aquela lojinha de lembrancinhas do shopping? Pois é. Ela vendeu muito mais no último Natal porque os consumidores deixaram de presentear com TVs de LED para comprar um brinco de R$ 25,89).
Bom. Deixo a profundidade deste assunto para os economistas. Vamos falar de forma superficial mesmo e sob outro prisma: e a crise para o consumidor comum? Tem algum reflexo positivo quando ele parte para as compras? Liquidações aos montes! Aliado aos descontos, com certeza, todos estão oferecendo um melhor atendimento (pré e pós-venda) para “fisgar” o cliente, correto? Não. Não é bem assim.
É comum ouvir o consumidor reclamar do modo como fora tratado em uma ou outra loja. Poxa! São tempos bicudos. Todo o detalhe faz a diferença para enfrentar a turbulência. Custa ser educado? Custa dar um sorrisinho? Custa ser honesto e dizer que aquela blusa cor de caqui não ficou legal? Custa? Custa sim. Custa ao estabelecimento que perde cliente após cliente. Custa ao funcionário que sente só quando começam as ‘descontinuidades’ (belo eufemismo para demissões).
Isso sem falar nas compras virtuais. Senti na pele a falta de comprometimento loja com o cliente. Após comprar um calçado de R$ 474,35 em dezembro e a Zattini/Netshoes ter me enviado outro produto totalmente diferente (ocorreu igualzinho com uma outra pessoa na mesma época; detalhe: com o mesmíssimo produto), precisei de dois meses de luta para o estorno. Estorno com transtorno.
Após enviar o produto de volta para a empresa em 18/12, foram dois meses ligando (e pagando interurbano) para atendentes que não resolviam nada, mandando e-mails que ficavam no vácuo, aguardando retornos que não vinham, e, claro, enchendo as redes sociais deles de reclamações. Foi preciso fazer montagem, poema (acreditem, é verdade), ser irônico, piadista, mal-humorado, etc. Só nesta sexta (19/2), eles disseram que vão estornar o que paguei. E, por uma incrível coincidência (será mesmo?), somente após algumas postagens que fiz nas redes sociais deles começarem a tomar repercussões maiores.
Sempre fui um comprador online. E continuarei sendo. Contudo, certamente não mais da Zattini/Netshoes. Será que as empresas, mesmo em cenário de crise, não conseguem enxergar isso? Será que, para elas, perder clientes é indiferente? Estamos em tempos bicudos. Inegável. Começamos 2016 com a filosofia do desafio: superar e aprender com a crise. De forma exacerbadamente otimista (algumas vezes até utópica), acredito que é assim que o Brasil (e todos nós) iremos passar por tudo isso. Torço para que a turbulência faça 99% das empresas aprenderem que “cliente bem atendido é cliente que volta”. Mas e aquele 1%? Aquele 1% não vê nunca mais a cor do meu suado dinheiro!
O autor é jornalista