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| O economista Reinaldo Cafeo: inflação e desemprego restringiram o acesso aos bens e serviços |
O aumento da inflação e do desemprego tem retirado da rede privada de ensino uma legião de alunos, que está migrando em peso para escolas públicas de Bauru.
Segundo dados da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), a ida de pais aos dois conselhos tutelares da cidade em busca de vagas em instituições municipais e estaduais duplicou em apenas um ano.
Do dia 1º de fevereiro até essa terça-feira (23), foram 298 pedidos, quase o dobro das 154 solicitações registradas no mesmo mês do ano passado.
Se considerarmos o ano de 2014, quando foram requisitadas 102 vagas em fevereiro, o volume praticamente triplicou. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, somente nas escolas de ensino infantil, foram cerca de 2 mil novos alunos matriculados entre o final de 2015 e início de 2016.
Diante de um fenômeno considerado “surpreendente”, a expectativa de zerar a fila de espera para matrícula de crianças com até 5 anos não deve ser concretizada neste início de ano. Titular da Sebes, Darlene Tendolo explica que os pais pedem auxílio aos conselhos tutelares quando não conseguem matricular seus filhos na instituição de ensino de preferência – geralmente, a que está mais próxima de casa.
“Também pode ser porque ficaram desempregados agora e perderam o prazo de matrícula. Os conselhos e as secretarias Municipal e Estadual de Educação têm se esforçado para conseguir administrar esta situação e encaminhar as demandas para as unidades em que há vagas disponíveis”, salienta, garantindo que a maioria das solicitações é para crianças e jovens oriundos de escolas particulares, em todos os níveis de ensino.
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‘Passo atrás’
Darlene destaca que o fenômeno tem desdobramentos de âmbito nacional e vem sobrecarregando, além da educação, outros setores públicos, como a saúde e a assistência social. É uma análise com a qual o economista Reinaldo Cafeo concorda.
Ele observa que, diante do segundo ano consecutivo de crise econômica, um terço das 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média há cerca de dez anos teve de “dar um passo atrás”.
“Haviam tido acesso a uma diversidade de bens e serviços. Mas as despesas cresceram por conta da inflação e muitas das famílias estão convivendo com desemprego. Frente a isso resta cortar custos. Hoje, a mensalidade escolar está entre R$ 400,00 e R$ 700,00. As famílias se veem forçadas a matricular os filhos na rede pública”, pondera.
No Estado
Em todo o território paulista, o cenário é o mesmo. Segundo dados da Secretaria da Educação do Estado, 195,7 mil alunos migraram da rede particular para escolas municipais e estaduais entre janeiro e agosto do ano passado. O número já é maior do que o totalizado ao longo de todo o ano de 2014, quando 195 mil estudantes oriundos de escolas privadas foram matriculados em unidades públicas de ensino.
| João Rosan/JC Imagens |
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| Vera Casério: educação infantil já recebeu 2 mil novos alunos |
Ensino Infantil já tem 2 mil novos alunos
Segundo a secretária de Educação, Vera Casério, cerca de 2 mil alunos se matricularam na escolas de ensino infantil do município, um resultado considerado por ela “surpreendente”.
“A procura aumentou absurdamente, foi algo que não aconteceu em anos anteriores. A migração de alunos da rede particular foi muito grande, mas também houve famílias de fora procurando vaga, porque se mudaram para Bauru”, destaca.
Vera afirma que não é possível saber quantos destes estudantes vieram de unidades privadas, já que a comunicação sobre a origem do aluno não é obrigatória para este nível de ensino. “De qualquer forma, temos conhecimento de que escolas da educação infantil particulares de menor porte estão fechando ou ficando com número muito reduzido de matriculados”, observa.
Zerar: não mais
Devido a estas transferências, diz, o déficit da educação infantil não deverá mais ser zerado, mesmo com a oferta de 2.575 novas vagas neste ano. A estimativa atual é de que haja cerca de 400 alunos na fila de espera e 575 vagas a serem disponibilizadas ao longo dos próximos meses.
“Mas, neste período, novas demandas vão sendo geradas”, pontua, salientando que, em 2016, todas as crianças de 4 anos ou mais, obrigatoriamente, devem estar matriculadas nas escolas, sob pena de responsabilização dos pais.
Ela explica que a ampliação de vagas foi proporcionada principalmente por meio da reorganização das turmas de cada unidade de ensino, incluindo os postos deixados em aberto pelos alunos que foram para o Ensino Fundamental. O número também considera as 260 vagas efetivamente novas: 160 em uma escola na Pousada da Esperança e outras 100 por meio de convênio que será firmado com a creche Sementinhas, recém-construída na Vila Independência.
“A da Pousada, por exemplo, será inaugurada no começo de abril. Além dela, durante este ano, vamos inaugurar outra três unidades: na Quinta Ranieri, no Bauru 16 e no Parque Roosevelt (todas com recursos do governo federal). E também vamos abrir novas turmas em escolas que já estão funcionando”, completa.


