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Por que você não será prefeito

Nélson Itaberá Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A vida pública é como o movimento dos astros, pode percorrer quilômetros na órbita, mas um dia vai voltar a girar a partir do ponto de origem. E esta lógica tem ciclos e, em si, estes são formados por nuances que nem o mais esperto dos agentes políticos pode dominar.


E é exatamente a partir da não compreensão dos ciclos e dos eventos inesperados que se formam as “condições naturais de temperatura e pressão” para que a química das urnas explique a probabilidade de vitória ou não de alguém, na mira do olho do furacão dos defeitos e fracassos de cada grupo e cada ‘prefeitável’.  


É o que se vê em Bauru, em particular nesta fase de “diálogo eleitoral”. E, pior, em escala “Sem Limites”. O absurdo dos erros e defeitos primários de conversação e compostura é tal que causa espanto. Até porque, comportamentos bizarros integram o arsenal de conduta nos bastidores do “tabuleiro”...


E, por isso mesmo, não é preciso ir ao espaço sideral para identificar razões que determinam sinais de fracasso de candidaturas que estão sendo postas à mesa, aqui e acolá, nesta fase de conversações visando a confirmação de ‘prefeitáveis’ por diferentes partidos.


Então vamos a algumas dessas simbologias, para esquentar o fogareiro. Já que é um jogo, que se façam rolar os dados... Um candidato a candidato não será prefeito porque nem prefeito quer ser. Pior, só vai estar no jogo para que seu rosto seja mais conhecido na próxima. É a velha estratégia do “trampolim”.


Uns dois ou três da “listinha” que corre na boca dos líderes partidários sabem que nem potencial de voto tem para negociar mesmo a pré-candidatura. Mas é aquela tática ruim do novato em truco que pisca o olho tão descarado que nem se pode chamar de blefe.


E tem pelo menos dois com o mesmo discurso (e prática) desde os anos 90... Outros três são adeptos do discurso “em favor de Bauru”, mas a trajetória política acumulada dilui todas as letrinhas da fala, com facilidade. Outro nome da lista acha que é a “bola da vez”. Minha nossa! Tão primário quanto o “assessor” que liga para jornalista para balão de ensaio.


E no jogo de ‘faz de conta’ e ‘diz que me disse’, pasmem, já estão negociando cargos, estruturas e participações no poder antes mesmo de serem efetivados na lista como “prefeitáveis”. O movimento tem sido tão frenético nessa fase pré-eleitoral que na feira já tem quem saiba como uma legenda está vendendo sua barraca e quanto a outra agremiação está pedindo, no varejo, para tentar cooptar a fruta da temporada.


Você não será prefeito, camarada, porque comeu a isca fácil e nessa brincadeira esquizofrênica de lidar com a vida da cidade como se fosse o quintal de sua casa, já deu todas as demonstrações de como e por que seu nome será facilmente descontruído depois da Quaresma.


Você não será prefeito porque esqueceu que em boca fechada não entra mosquito. Você não será prefeito porque não percebeu que, na crise, é ainda mais fácil o sujeito, na penúria, guardar raiva e rancor de sua desfaçatez. Você não será prefeito porque esqueceu de sentar à mesa com a mínima de compostura e não se deu ao luxo de fechar o botão, tamanha a sanha de seu umbigo saltado à frente da barriga.


Você não será prefeito porque esqueceu que eleição se perde com muita gula, não se ganha com projeto pessoal e que se engana quem pensa que as pessoas não conhecem quem está com você, o que pensa, o que já fez, por onde andou, onde trabalhou (se trabalhou), o que é e o que diz que quer ser.


Você não será prefeito, cara pálida, porque eleição não se ganha com só negócio, mas se perde com os defeitos que, desde já, você está dando de ‘mão beijada’ para a desconstrução de sua caricatura. Eu sei que você enganará muitos. Mas nem todos. Até agosto, mês de cachorro louco e de campanha por voto.


O autor é compositor e jornalista da TV Câmara e Jornal da Cidade

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