A televisão brasileira teve origem no rádio e grande parte da programação veio de lá, e um dos carros-chefes desde aquela época eram as novelas que fizeram grande sucesso desde sua estreia, assim conquistando o coração dos brasileiros.
No início a TV Tupi, TV Excelsior, TV Record e TV Globo produziam as principais novelas, mas após a ditadura militar as duas primeiras acabaram encerrando suas atividades e a TV Record extinguiu a sua produção de teledramaturgia, logo a TV Globo passou a ser a única produtora de novelas do Brasil e seu diretor José Bonifácio Sobrinho, conhecido como Boni, criou o famoso “Padrão de Qualidade”.
Em 1983, Adolfo Bloch recebe a outorga do governo e monta a Rede Manchete, que nos anos 90 exibiu a novela “Pantanal”, escrita pelo novelista Benedito Ruy Barbosa, que era ex-contratado da Globo. Benedito apresentou para a TV de Roberto Marinho o projeto da novela, porém, a emissora achou que seria muito caro fazer uma novela ambientalizada no pantanal mato-grossense e como na época a emissora carioca já era líder, não acharam necessário produzir essa novela. Benedito procurou a emissora da família Bloch e conseguiu produzir “Pantanal”, uma das novelas de maior sucesso e repercussão da história da TV brasileira, chegando a ganhar da Globo em audiência diariamente. Depois disso a Manchete produziu outras novelas de grande sucesso, mas nenhuma com tanta repercussão.
Em 2005 a Rede Record realizou um projeto inovador: a emissora da Barra Funda reativou o seu departamento de teledramaturgia e produziu a novela “A Escrava Isaura”, de Tiago Santiago, que já havia sido sucesso em sua versão original na Globo. A novela alcançou índices que há muito tempo não era alcançados pela TV do bispo. O SBT, por sua vez, fez de tudo para conseguir recuperar a sua vice-liderança perdida para a Record, mas sem sucesso, até que em 2012 a televisão de Silvio Santos teve a idéia de fazer um remake da novela infantil mexicana “Carrossel”. Adaptada por Iris Abravanel, esposa de Silvio Santos, a novela conseguir elevar os índices de audiência da emissora da Anhanguera, Carrossel chegou a ter médias de até 14 pontos e picos de 19 pontos, sucesso absoluto que fez o SBT investir em outras novelas do gênero infantil como remake de “Chiquititas” e “Cúmplices de Um Resgate”, ambas fazendo grande sucesso.
No ano de 2012, enquanto a emissora de Silvio Santos teve grande êxito com a novela infantil “Carrossel”, a TV do bispo teve seu maior fracasso de audiência: a novela “Máscaras”, escrita por Lauro César Muniz, essa novela conseguiu derrubar a audiência das novelas da Record que eram de 14 pontos para 3 pontos. Essa novela que inicialmente teria 170 capítulos terminou com apenas 100 capítulos.
Após “Máscaras”, a emissora da Barra Funda tentou emplacar novelas como Balaco-Baco, Dona Xepa, Pecado Mortal e Vitória, sendo todas essas novelas bem produzidas, porém, não obtiveram sucesso devido a sua antecessora. Em 2015 a realidade da dramaturgia da Record começou a mudar e entrou no ar a primeira novela inspirada em uma história da Bíblia no mundo - “Os Dez Mandamentos”, escrita por Vivian de Oliveira, conseguiu acabar com os problemas de audiência da TV do bispo no passado.
A novela conseguiu médias de 20 pontos e picos de até 32 pontos, audiência que até então só era alcançada por novelas da oito. A novela teve 170 capítulos, porém, devido a uma passagem que a emissora julga importante da Bíblia, dos 40 anos que o personagem Moisés fica no deserto, a emissora optou por fazer 60 capítulos a mais para poder explicar essa passagem, e anteceder “A Terra Prometida”, que será a nova novela bíblica da Record, escrita por Renato Modesto.
O sucesso da novela “Os Dez Mandamentos” foi tão grande que fez a própria Rede Globo rever os seus conceitos de teledramaturgia. A televisão da família Marinho nos últimos tempos tem abordado assuntos muitas vezes pesados como: sexo, drogas, prostituição, homofobia, entre outros.
A Globo realizou uma pesquisa de campo e percebeu que as pessoas, quando assistem novelas, querem ver coisas positivas, querem ver um mundo diferente, mais leve. A partir disso começou a emissora começou mudar a forma de ser fazer dramaturgia, exemplo disso as novelas Êta Mundo Bom e Totalmente Demais, que falam de amor, união e família, sem necessidade de criar polêmicas ou mostrar uma realidade violenta do Brasil.