Filha de ferroviários, tinha a menina 11 ou 12 anos na década de 60, cursava o 1º ano ginasial, orgulhosamente trajava seu uniforme escolar e na entrada da aula ouvia atentamente e se emocionava com o Hino Nacional, e amava arduamente seu país. Esta menina, sempre atenta às dificuldades de seus pais, tinha nove irmãos, os ouviu dizerem que seria debitado dos seus salários um dia de serviço para pagamento de dívida brasileira e que isso faria muita falta no orçamento doméstico. Neste mesmo tempo os governantes lançaram uma campanha pedindo aos brasileiros que doassem ouro para o bem do Brasil. Diante de tal proposta, essa menina que possuía apenas uma correntinha de ouro, presente de sua mãe, se comoveu, enfrentou a fila e doou sua única joia, pois orgulhava-se de seu país, recebeu em troca um anel de latão com os dizeres: “Dei ouro para o bem do Brasil”, que ostentava orgulhosamente até ele se enferrujar. Esta menina cresceu se tornou mulher, mãe, avó e continua a amar seu país, pois tem noção que a pátria amada é um berço esplêndido com suas matas, florestas, suas grandezas e suas riquezas, mas se entristece por ser governada por políticos corruptos que se esquecem do povo sofrido, sem esperanças e sem trabalho. O cenário político é caótico e decepcionante.
Essa mulher, antes menina, sou eu, Márcia, que não entende de política, não tem formação acadêmica, mas entende de honestidade, de caráter, de dificuldades e de temor a Deus, e continua a sentir orgulho de seu país, e ficaria feliz se pudesse transmitir esse orgulho aos seus filhos e netos. E a pergunta é a você, leitor/eleitor brasileiro: você doaria ou incentivaria seus filhos a doarem ouro para o bem do Brasil nos dias de hoje?
P.S. Ainda me emociono com o Hino brasileiro, mas me sinto decepcionada e me pergunto que rumos o Brasil reserva para jovens e crianças desta Pátria tão amada.