| João Rosan |
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| Adriana Maria Rossi Alves e troféus conquistados pelo Nacional |
Tem mulher no futebol amador de Bauru, sim. E tem presidente campeã, também. A personagem da Entrevista da Semana de hoje é a advogada Adriana Maria Rossi Alves, presidente do Nacional Atlético Clube da Vila Cardia, o Galo da Cardia, campeão da Liga Bauruense de Futebol Amador.
Nascida em São Manuel, Adriana veio a Bauru em busca da faculdade de direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE). A ideia era voltar para a sua cidade natal após a formatura: “mas eu me apaixonei por Bauru e não conseguir ir embora”, lembra.
Sócia de um escritório jurídico, ela também fala sobre outras paixões além do futebol amador e do direito. Os animais estão entre esses amores. “Inclusive, um desejo meu é poder ajudar as pessoas que resgatam e cuidam de animais de rua. Eu ajudo um pouco, mas quero ajudar mais”, comenta. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade – O que a levou até os campos do futebol amador bauruense?
Adriana Rossi – Minha relação com o futebol amador se deu por influência do meu companheiro, o Ladeira, que acompanha o Galo da Cardia há bastante tempo e já foi presidente. Comecei a frequentar o Nacional com ele por gostar bastante de esporte, principalmente de futebol. Fui conhecendo o pessoal e me integrando, até receber o convite.
JC – Atualmente, você é a única mulher a presidir um clube de futebol amador na cidade?
Adriana - Eu não sei dizer ao certo se sou a única mulher presidente de um clube de futebol amador em Bauru, mas eu sou a primeira mulher presidente a ser campeã.
JC – Os clubes amadores são opções de lazer para as famílias dos bairros.
Adriana – Exatamente. No Nacional, por exemplo, os jogadores levam as mulheres e filhos, que passam o dia todo com eles no clube e nos campos. As reuniões ocorrem normalmente aos domingos. Nossos jogadores não são pagos. Eles jogam pela camisa. Então eles precisam ser bem tratados com as famílias. Fazemos café da manhã, almoço... É uma grande família.
JC – Como foi levantar o troféu da Liga Bauruense de Futebol Amador ?
Adriana – Não fui ao campo ver o jogo final do campeonato. Eu fiquei em casa ouvindo pelo rádio (risos). Estava muito nervosa. É emocionante demais porque é um trabalho de anos. Temos desfalques ao longo dos meses porque alguns jogadores vão embora, o que está certo, porque não pagamos salários. Porém, a gente precisa preencher essas lacunas e tudo mais.
JC – O fator financeiro é o maior problema do esporte amador?
Adriana – Sim. Para manter um time é preciso ter uma boa estrutura. Precisamos pagar uma taxa de arbitragem todo domingo de jogo, por exemplo. O Nacional não tem ajuda financeira. Todo mundo é voluntário e ajuda a arrecadar dinheiro para o time se manter. Vendemos rifas, promovemos feijoadas e outros eventos, além do famoso baile do Nacional, que acontece em 27 de setembro, quando é aniversário do clube. Por isso contamos muito com os colaboradores, gente que vende as rifas, que compra as rifas, que promove e vai aos eventos, além dos comerciantes locais que ajudam.
JC – Mulher no futebol ainda sofre preconceito?
Adriana - Diretamente, não. Mas, no início, eu senti uma certa resistência indireta. Mas tiramos isso de letra.
JC – O que a trouxe a Bauru?
Adriana – Vim para Bauru estudar. Fiz faculdade de direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE) e me apaixonei por Bauru. O plano era voltar, mas não consegui (risos).
JC – Você é sócia de um escritório jurídico, certo?
Adriana – Sim. Eu comecei a trabalhar com o Wando Diomedes e, três anos depois, fui convidada para ser sócia do escritório ao lado dele e do Gilson Rodrigues. Minha área é a cívil. Nosso escritório é como uma família, assim como ocorre no clube. Sou advogada há 13 anos.
JC – Sobre política.
Adriana - Eu sou filiada do PSDB e do PSDB Mulher. Frequento reuniões, participo de votações... Nunca me envolvi diretamente, mas estou sempre lendo sobre política porque acho que todo cidadão deve estar por dentro do que acontece nesse campo. Não tenho interesse em candidaturas, mas também nunca tive a pretensão de ser presidente de um clube de futebol (risos).
JC – Sobre o amor.
Adriana - Estamos juntos há cinco anos e nos conhecemos dentro da sede do Nacional, na primeira vez que lá coloquei os pés. O Gilson Rodrigues, meu sócio, fez aniversário e me convidou para a festa que foi realizada lá. Fui e conheci o Ladeira. Ele é uma pessoa muito importante na minha vida, porque me apoia em tudo. Sou tímida e ele me impulsiona, acredita em mim.
JC – Uma curiosidade sobre você.
Adriana – Eu sonho em aprender a cantar. Amo música, mas sou péssima para cantar. Meu sonho é cantar rock em bares (risos). Um desejo é poder ajudar as pessoas que resgatam e cuidam de animais de rua. Eu ajudo um pouco, mas quero ajudar mais. Há uma frase que procuro seguir e sempre que posso eu falo: “perdoar sempre, amar incondicionalmente e agradecer eternamente”.
Perfil
Adriana Maria Rossi Alves
Nasceu em São Manuel e tem 44 anos
Virginiana, ela divide a vida com Carlos Roberto Ladeira
Além do Nacional, outro time do coração é o São Paulo
O Novo Código de Processo Civil tem sido o seu livro de cabeceira
Nota 10: Ela dá para as pessoas de riso fácil, já que considera que um belo sorriso é capaz de abrir portas
Nota 0: “Essa vai para a falta de compaixão, pois considero que o egoísmo vem acabando com a sociedade”.
E-mail: drijove@hotmail.com
