Apesar dos meus 70 anos e de já ter operado os dois olhos de catarata, graças a Deus, faço bom uso deles. E mais do que enxergar com eles, enxergo também com o coração. Acho incrível as pessoas no dia a dia se fazerem de cegas: seja na hora de ajudar um idoso a atravessar uma rua ou a carregar uma sacola, seja para oferecer um prato de comida para uma pessoa faminta, que pode ser o seu vizinho, seja para ajudar um cão de rua doente. Como muitos já me conhecem, sou defensora dos animais, e tenho o coração tranquilo por saber que faço a minha parte como ser humano, ajudando as criaturas de Deus de todas as espécies.
Outro dia me deparei com um cão numa região populosa de Bauru, com o esqueleto à mostra, que mal parava em pé, em situação lastimável. Perguntei para as pessoas que estavam ali na calçada se já tinham feito algo por eles, e todas disseram: “coitado, fazer o quê, né?”. Meu Deus, como assim? Vc pode e deve fazer! Eu sempre carrego comigo um pouco de ração e naquele dia tinha comprado uma latinha de ração úmida. Dei para o cãozinho que comeu tudo, e pedi um pote de água para uma mulher que só olhava. Ele bebeu desesperadamente.
O que está acontecendo com o bicho homem, que não enxerga mais nada na sua frente e guarda um coração de pedra no peito? Piedade, misericórdia, é preciso que a mudança comece por nós!