O governo paulista lançou, em 23 de fevereiro último, o INFOSIGA SP - Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo, disponibilizando dados sobre acidentes e óbitos decorrentes do trânsito em todo o Estado. Há que se louvar esta iniciativa.
No Estado, em 2015, morreram 4.583 pessoas no trânsito, distribuídas segundo o sexo da vítima: 77% do sexo masculino, 17% feminino e 6% não foram anotados. Em 2015, 26% dos óbitos foram jovens, de 18 a 29 anos. O maior número de vítimas fatais estava em motocicletas (29%), seguido por pedestres (28%) e ocupantes de automóveis (24%).
Em 2015, Bauru registrou 44 mortes e uma taxa de mortalidade de 12,4 óbitos por 100 mil habitantes. O cálculo do número de mortes ponderado pela população é mais indicado para fazer-se comparações, pois leva em conta o tamanho da população de cada cidade.
Será que o trânsito bauruense é seguro? Levando-se em conta o grupo de 15 municípios de médio porte com mais de 300 mil habitantes, Bauru ficou em 6º lugar, atrás de Carapicuíba (3,7 óbitos/100 mil habitantes), Franca (10,0), Santo André (10,1), São Vicente (10,4), São Bernardo do Campo (11,2). Os demais municípios de médio porte menos seguros que Bauru foram: Osasco (12,5), Ribeirão Preto (12,8), São José dos Campos (13,1), Santos (13,2), Sorocaba (15,6), Piracicaba (16,7), São José do Rio Preto (17,2), Mogi das Cruzes (17,3) e Jundiaí (20,5). A capital paulista, por sua vez, registrou 9,7 óbitos/100 mil habitantes.
O dado relativo ao município de Carapicuíba – apenas 3,7 - mais parece um “outlier”. Em estatística os “outliers” são valores considerados “estranhos”, que se localizam muito distantes da média e que devem ser analisados com muita cautela.
Focando a análise para uma região próxima a Bauru, ela se encontra em posição bastante privilegiada, ou seja, a mais segura de todos os municípios de porte médio, agora com população acima de 100 mil habitantes: Marília (18,7 mortes/100 mil habitantes), São Carlos (19,7), Araraquara (20,0), Botucatu (21,5) e Jaú (21,5).
Apesar da perda de 44 pessoas no trânsito, imputando grande dor para muitas famílias, Bauru apresentou um índice de segurança bastante razoável quando comparado com os demais municípios. Considerando-se a região, pode-se concluir de maneira inequívoca que rodar em Bauru é muito mais seguro do que nos demais municípios circunvizinhos.
Apesar do registro diário, pela mídia, de vários acidentes no sistema viário bauruense, o trânsito quando adquire uma condição de saturação e baixa fluidez passa a ter velocidades médias mais baixas, fazendo com que os acidentes sejam também menos graves. Reclama-se da lentidão do trânsito, mas ele se torna mais seguro. Isto ajuda a justificar a adoção de velocidades mais baixas no tráfego urbano de muitas cidades, caso de São Paulo.
O autor é engenheiro, doutor em Engenharia de Transportes, especialista em trânsito, e professor da UFSCar. Diretor de Mobilidade da Assenag e membro do Conselho Diretor da ANTP.