Você já deve ter ouvido a frase “com dinheiro tudo fica mais fácil” e eu acrescentaria: com dinheiro e gestão tudo fica mais fácil. Coloco isso por considerar que o equacionamento de boa parte dos problemas que o Brasil vem enfrentando neste momento tem solução na retomada do crescimento econômico.
Observem o caso da Previdência Social. A necessidade em manter por mais tempo o trabalhador na ativa, visando não receber muito cedo os benefícios da previdência, reduz a abertura de vagas no mercado de trabalho para os jovens e para aqueles que estão distantes da aposentadoria. Se o tempo de contribuição for ampliado e a houver elevação da idade mínima para se aposentar, a velocidade na geração de novas oportunidades de emprego para quem quer e precisa trabalhar é reduzida.
O crescimento econômico equacionaria isso. Teríamos o chamado acelerador do investimento. Mais vendas, mais lucro, mais emprego, mais consumo, novos investimentos. As empresas ampliam suas atividades. Os empreendedores se sentem estimulados a canalizar seus recursos para atividades produtivas e mais riqueza é gerada.
Com crescimento o Estado, em todas suas esferas, arrecada mais recursos, incluindo a Previdência Social. Há dois efeitos práticos: mais geração de tributos e menor inadimplência. Com crescimento os empresários contratam mais. Com crescimento as famílias elevam a renda. Com crescimento há recursos para investimentos. Com crescimento os servidores públicos terão melhoria nas condições de trabalho e renda. Com crescimento o país prospera e deixa de ter um ciclo vicioso, para inaugurar um ciclo virtuoso. Quando coloco que também é questão de gestão o indicativo é que tudo isso é possível sem desequilíbrios importantes, mantendo as demais variáveis econômicas sob controle. Até mesmo as questões políticas não causam tanto impacto na condução econômica do país.
Infelizmente o desempenho econômico brasileiro está exatamente no sentido contrário. Queda acentuada do crescimento, com dois anos seguidos de recessão e para piorar o quadro sem controle efetivo da inflação. Por sinal, reforçando o acima colocado, crescimento sem gestão também não resolve o problema. É preciso saber como aplicar adequadamente os recursos disponíveis e, quando abundantes, mais ainda.
Quem tem um mínimo conhecimento de economia sabe que o crescimento econômico é uma pré-condição para atingir o desenvolvimento econômico, este sim, com prática de justiça social. Os esforços de todos os agentes econômicos (setores público e privado) deveriam ser no sentido de encontrar rapidamente o caminho da recuperação econômica. O combate firme ao aumento de preços, portanto controlar a inflação seria um grande e fundamental primeiro passo. Discutir a viabilidade do Estado e das empresas em ambiente de penúria, tendo a recessão como pano de fundo, somente potencializa o já elevado desânimo dos agentes econômicos.
A equipe econômica do governo Federal, comandada pelo ministro da Fazenda Nelson Barbosa tem que dizer a que veio, e quanto antes estabelecer um modelo econômico que nos leve à recuperação do crescimento, mais cedo os graves problemas que o país enfrenta será equacionado. Com crescimento e gestão, o país dará importantes passos para o equilíbrio fiscal em todas as áreas. É imperativo que isso ocorra com a maior brevidade possível.
O autor é economista e articulista do JC