| JC Imagens |
![]() |
| Em 26 dos seus 39 anos, Marciano passou preso por crimes como roubo, tráfico e outros homicídios |
Quase quatros anos depois de matar um companheiro de cela, Marciano Ribeiro Araújo, de 39 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Bauru a cumprir 18 anos de prisão. O crime ocorreu no interior do Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade na noite do dia 8 de março de 2012. Wellinton Leite da Silva, que estava detido acusado de estuprar dois familiares - um deles de 6 anos - em Sabino (137 quilômetros de Bauru), foi morto aos 33 anos dentro do banheiro da cela com pauladas e cortes provocados por uma lâmina de barbear.
O Conselho de Sentença considerou em sua decisão o fato de o réu ser participante de nova facção criminosa atuante nos presídios do interior paulista e de apresentar personalidade voltada para o crime, situação que fez com que a pena aumentasse um terço acima do tempo mínimo legal estabelecido para o homicídio qualificado.
Inicialmente, a sentença falava em 20 anos prisão, mas o fato de o acusado ser réu confesso diminuiu o tempo de reclusão em dois anos.
A decisão foi preferida pelo juiz da 1.ª Vara Criminal Benedito Antônio Okuno, no final da tarde dessa quinta-feira (3), após cerca de sete horas de julgamento.
Violência
O corpo do operador Wellinton Leite da Silva foi encontrado por agentes de segurança dentro do banheiro da cela do CDP, por volta das 23h10. Conforme o JC noticiou na época, Marciano confessou o crime e alegou ter matado o companheiro de cela em reação após flagrar a vítima se masturbando ao seu lado. Os dois dormiam no mesmo colchão e, na cela, havia outros quatro detentos.
Na ocasião, aventou-se a possibilidade de o homicídio ter ocorrido como forma de represália pelo fato de Silva responder por estupro. Ou de a ação ter sido premeditada, já que o réu quem teria convidado a vítima a dormir no colchão.
Marciano respondia ontem por homicídio qualificado por motivo torpe e por meio de impossibilitou a defesa da vítima.
A promotoria, no entanto, descartou o motivo torpe, porque, segundo o promotor Alex Ravanini Gomes, não foi comprovada ao longo do processo a relação entre o crime e a represália por causa do estupro.
Na tese da defesa, a advogada Miryan Katayama tentou derrubar a outra qualificadora e alegar legítima defesa do réu.
“O crime ocorreu durante discussão e agressões de ambos, porque Wellinton chegou a passar a mão nas nádegas do Marciano. Ele conta que foi tentar se defender e acabou matando”, afirma a advogada, que apresentou duas testemunhas, uma delas era colega de cela de Marciano na época.
Contudo, por quatro votos (como é a maioria que conta, não é divulgada a totalidade dos outros votos), os jurados derrubaram a tese da defesa e reconheceram a materialidade e violência do crime.
Detento será julgado por outros dois assassinatos
Além do assassinato de Wellinton, Marciano é acusado ainda de envolvimento com outros homicídios, ainda mais brutais, ocorridos em Presidente Venceslau, para onde foi transferido após o fato em Bauru. Lá, dois detentos - Francinilzo Araújo de Souza e Cauê de Almeida - foram mortos e tiveram órgãos arrancados, o abdome retalhado e um deles teria sido decapitado.
A Polícia Civil apontou Marciano como um dos autores desses crimes, que ocorreram em datas diferentes no início deste mês. O julgamento do caso está marcado para o dia 15 de março.
Segundo a advogada do réu, dos 39 anos de idade de Marciano, ele passou preso 26, envolvido em crimes como roubo, tráfico e outros homicídios. Atualmente, ele cumpre prisão em Presidente Bernardes, em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Nesse regime, conhecido como “castigo”, o detento tem direito a menos de três horas de banho de sol por dia e o resto do tempo permanece incomunicável em cela individual.
‘Não faz mais parte’
Durante o julgamento, o próprio réu chegou a informar seu envolvimento com uma facção criminosa, que teria sido fundada há mais de um ano, e seria conhecida por seus métodos cruéis de matar as vítimas, em sua maioria detentos e que são quase sempre cortados e degolados. Essa facção, inclusive, seria rival de outro grupo criminoso já atuante no Estado. “Mas ele não faz mais parte dessa facção, inclusive, pediu reforço de proteção ao tribunal porque está sendo jurado de morte por ter saído”, aponta a advogada.
