Tribuna do Leitor

Pendurando as chuteiras

Professor Eugênio Mira
| Tempo de leitura: 2 min

As duas primeiras palavras que eu escrevi, quando criança, foram Collor e Lula. Com apenas quatro anos de idade, rabiscava os bastões com lápis de cor imitando os traços da televisão, durante a calorosa eleição de 1989. Em 2003, quando o ex-presidente Lula iniciou seu primeiro mandato, eu era apenas um ajudante de oficina, que havia terminado o ensino médio e tinha pouca expectativa de ascensão social e nenhum interesse político. Tal interesse só seria despertado em 2005, quando, graças ao Prouni, ganhei a oportunidade de fazer ensino superior. Curioso como era, quis entender o que tinha se passado para o Brasil que cortava zeros e fechava faculdades ter se transformado no país que dava bolsas de estudo para filhos de pobre. E a resposta estava lá nas minhas primeiras letras, em 1989. A resposta era Lula.


Hoje, como profissional formado e professor, vejo que se Lula não mudou, o mundo mudou ao redor dele. De 1989 para 2016, o Brasil mudou muito também, e boa parte dessa mudança se deve a figuras malfadadas da política nacional: Collor com sua renúncia e sua lei de importação; FHC e Itamar com sua moeda forte, suas compras de votos e privatizações baratas; Lula e Dilma com seu avanço social, suas negociatas de cargos e lobbys. O PT, que antes ocupava lugar de honra na esquerda, vergonhosamente migrou para o centro do espectro político, incorrendo em apoios escusos e negociatas nem sempre lícitas.


O Brasil de 2018 não vai ser mais o lugar para o ex-presidente Lula e o PT. Vai ser um lugar inóspito, onde eles deveriam aliar sua influência e carisma para apoiar uma chapa progressista forte, que permitisse ao Brasil o avanço social e econômico que sonhamos na última década. Se para o PT falta humildade de “passar a vez” para um candidato de outro partido, mas de mesma ideologia, para o Lula creio que falte apoio e juízo para se resignar, e assumir uma posição de não-candidato.


Como um velho atleta experiente, é hora de usar a experiência e não os músculos. É hora de admitir que o fôlego está se esgotando e que será melhor ser um treinador talentoso do que um lutador que apanha todo dia da mídia e da oposição. É hora de observar o jogo do lado de fora e admitir que mais importante que a vitória, é o jogo limpo.


Lula escreveu uma parte da história no Brasil, mas resta saber como o seu capítulo termina. E isso só depende dele.

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