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Acidentes ampliam custo na Saúde

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
Secretário Fernando Monti lembra que a desorganização urbana ‘atropelou’ os indivíduos e as soluções são intersetoriais

O impacto das ocorrências de traumas sobre a sociedade e os serviços públicos de saúde é de grandes proporções. Em Bauru, esse perfil de atendimento responde por 15% da demanda somente no Pronto-Socorro Central (PSC). E com um agravante: os custos proporcionais para o serviço especializado são bem maiores que o da fila “comum”.

Por enquanto, trata-se de um problema sem controle em razão da explosão do volume de veículos nas ruas e os riscos visivelmente ligados ao uso de motos, segundo o secretário Municipal de Saúde, Fernando Monti.

Além das consequências econômicas e sociais para a vítima, o titular da pasta lembra que o atendimento ao trauma paralisa, por prioridade, a fila de espera nos centros de urgência e emergência e aumenta significativamente os gastos, em razão da complexidade.

“A equipe de urgência para o que está fazendo na fila tradicional para atender ao caso de traumatismo. Isso gera problemas na logística do atendimento. Depois disso, da urgência em si, os casos de traumas continuam consumindo equipe e equipamentos porque são muitos os casos que exigem cirurgias e a maioria também depende de recuperação longa, com fisioterapia”, aborda.

Conjunto

Para Monti, as ocorrências ligadas ao trânsito constituem um dos males mais graves da atualidade. E com moto envolvida é ainda mais grave, respondendo 2/3 de todos os registros.

“Isso é gigantesco e sem controle na sociedade moderna. O Brasil urbanizou-se rapidamente e com problemas. E essas consequências com doenças e acidentes explodindo não serão resolvidas com uma ação única. Assim como as epidemias, a solução para a explosão de acidentes com repercussão na área de traumas precisa de solução intersetorial. A desorganização da vida urbana nos trouxe essas situações”, completa Monti.

A busca do domínio sobre o veículo na pista

Boa parte dos acidentes em rodovia acontece por negligência do motorista, com o conhecido destaque para o excesso de velocidade. Mas, também, existem evidências de que outra parcela das ocorrências acontece por imperícia dos condutores. Especialistas são favoráveis à obrigatoriedade de aulas em rodovias, sobretudo em percurso à noite, para quem vai obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O instrutor de trânsito Paulo Pereira Castro defende as aulas em rodovias, para as situações típicas desse trajeto e também que a primeira CNH, aos 18 anos, seja necessariamente com exigência técnica e prática para carros. Atualmente, muitos jovens tiram a primeira CNH especificamente para motocicletas.

Técnicos da Emdurb, em Bauru, também são adeptos desta medida, ou seja, que a primeira habilitação seja para carros. Requerimentos já foram remetidos ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) defendendo a exigência de aulas práticas em rodovias, inclusive noturnas, e, de outro lado, que o acesso à 1ª CNH seja viabilizada através da aprovação nos exames realizados para carros e não só por intermédio da prova de circuito interno atualmente praticada com uso só de moto.

Consequência

A ideia dessas propostas é reduzir os riscos de acidentes por imperícia do condutor, sobretudo em estradas. O desconhecimento sobre as manobras essenciais de segurança, em especial as defensivas, para evitar acidentes em estradas é apontado como um dos fatores que contribuem para os elevados índices de registros.     

Para a especialista em curso de preparação de pilotos com aula de “direção evasiva” Suzane Carvalho, habilitar o motorista é o primeiro e principal passo. Apesar disso, opina, os motoristas não só chegam às ruas despreparados como não têm domínio sobre técnicas de como controlar o veículo e evitar desastres em situações de emergência.  

“Se um caminhão vier em sua direção, em uma descida de serra, debaixo de chuva e à noite, o que fazer para se esquivar dele sem bater nem cair na ribanceira? Nessa situação a manobra é “defensiva”, pois você estará se defendendo de um acidente”, argumenta.

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