Tribuna do Leitor

A culpa não é da Dilma

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 3 min

A culpa pela crise que nos assola não é de Dilma. A presidente é apenas o poste escolhido por Lula para a sucessão. Se não fosse ela, seria qualquer outro. Dela é somente a prepotência, ignorância e incompetência emblemáticas. Mas o quadro degenerativo da triste situação é fruto da política do PT. Este sim é o responsável. Prova maior de que não vivemos mais o presidencialismo está no fato de que a cada problema nacional divulgado, quem vai à imprensa é Lula ou Rui Falcão, presidente do PT. É a versão tupiniquim do politburo soviético, nos tempos áureos do comunismo.


Sem prejuízo do inigualável esquema de corrupção armado muito antes do PT chegar ao poder, que em 2002 só foi colocado em prática. A verdade é que os sociais-comunistas de 64 não conseguiram aprender nem na base da borrachada, nem assistindo ao colapso do socialismo nos anos 90, quando a queda da cortina de ferro mostrou a inépcia do sistema. Ainda assim, o estrume mental que não recicla fez com que muitos aqui continuassem a apostar na mesma política perdulária, irresponsável e parasitária. O ápice de “salvamento dos pobres”, alardeado por eles, com a distribuição aleatória de dinheiro e benefícios, só funcionou na era Lula porque éramos um país forte, com economia estável e dinheiro em caixa. Entretanto, tal política só funciona enquanto dura o dinheiro dos outros, pois ela não é autossustentável. Quando a fonte esgota, ela desmorona, deixando para trás apenas discursos mambembes. E ruínas.


De que insanas “conquistas importantes” essa gentalha fala? Do maior esquema de corrupção jamais visto mundialmente? Da pior inflação dos últimos 20 anos? Do pior PIB dos últimos 25? Da maior recessão e desemprego dos últimos 15? Ou seria dos piores índices educacionais, cujo ranking internacional da OCDE, da qual o Brasil é signatário, nos aponta em penúltimo lugar? Talvez falem do sofrimento da saúde pública, cuja falta de hospitais, material e profissionais segue em direção oposta aos gastos com Cuba para pagar mais de R$ 1 bilhão anualmente por “médicos cubanos” incapazes de fazer o diagnóstico da Síndrome de Guillain Barré, doença associada ao zika vírus.


Mas não fechemos os olhos ainda. Que dizer dos PAC I e II, Copa do Mundo, Olimpíada, transposição de São Francisco, infraestrutura de rodovias e ferrovias, trem-bala, indústria naval e uma infindável lista de desperdício de dinheiro público em obras fantasmas, inacabadas ou superfaturadas, capitaneadas nos palanques eleitorais de forma covarde e sabiamente mentirosa? Falariam também do desmantelamento da Petrobras, que foi da 9ª para a 416ª posição nas empresas petrolíferas? Enfim, a lista dos “legados do PT” é grande, fruto da política da terra arrasada, que nos levou à atual bancarrota.


A sigla acabou. Em verdade, tem que ser cassada porque o partido se mantém com dinheiro de propinas de obras públicas desde 2003. Lula acabou. O homem mais honesto e honrado do país não consegue explicar como se relacionou com tantos amigos, empresários e políticos que estão presos e condenados, ou como sempre os tesoureiros do PT e marqueteiros de campanha são presos nos grandes esquemas de corrupção federal desmascarados. Sem o fim desse ciclo, não teremos o recomeço de um país.

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