| Bruno Freitas |
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| Auro Octaviani, secretário de Saúde de Agudos, critica supostas falhas de médicos do plantão de disponibilidade |
O Ministério Público (MP) investiga denúncia de que alguns médicos do Hospital de Agudos (13 quilômetros de Bauru) que recebem pelo plantão de disponibilidade, o chamado “plantão de retaguarda”, estariam realizando consultas por telefone e orientando plantonistas sobre procedimentos a serem adotados através do aplicativo WhatsApp. A Promotoria apura ainda suposta duplicidade de pagamentos em um mesmo plantão.
As informações sobre irregularidades no hospital chegaram ao MP por meio da diretoria técnica do Pronto-Atendimento e inquérito civil foi instaurado para apurar o caso. No plantão de disponibilidade, os médicos ficam de sobreaviso e recebem R$ 800,00 para se deslocarem até o hospital se ocorrer uma emergência na sua especialidade que demande internação.
Segundo a denúncia, alguns profissionais não estariam comparecendo à unidade quando solicitados e atendendo pacientes por telefone ou prestando orientações a enfermeiras através do WhatsApp, sem examinar o doente. “O pessoal do hospital manda foto e eles dizem o que tem que fazer, ou por telefone, sem se deslocar”, explica o promotor Neander Sanches.
Ele investiga ainda se todos os médicos do plantão de disponibilidade têm título de especialidade médica e denúncia de que alguns profissionais estariam recebendo por plantões de retaguarda e presenciais, no mesmo dia e local. “Eu vou apurar e responsabilizar todo mundo, inclusive médicos e enfermeiras que estiverem compactuando com esse tipo de situação”, diz.
Se as denúncias forem confirmadas, segundo o MP, os envolvidos poderão responder por improbidade administrativa em razão do gasto irregular de verba pública. Além da Associação do Hospital de Agudos, a prefeitura também é investigada.
Falhas
O secretário de Saúde de Agudos, Auro Octaviani, conta que a prefeitura havia sido informada sobre falhas cometidas por especialistas do plantão de disponibilidade. Ele cita como exemplo um ortopedista que pediu para equipe de plantão enviar raio-X de paciente com fratura no braço pelo WhatsApp e não foi até o local avaliar se o caso era grave.
Em outra situação, segundo o secretário, gestante em trabalho foi levada para a Maternidade Santa Isabel em Bauru porque obstetra de plantão também estava escalado para trabalhar na cidade vizinha no mesmo dia. “A prefeitura repassa dinheiro para o hospital para que os especialistas dele venham até o Pronto-Socorro ver o caso quando existe a especialidade”.
Segundo hospital, especialistas reclamam de ‘consultoria’
O diretor técnico da Associação do Hospital de Agudos (AHA), Samir Fued Salmen, que é presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), diz que o que está havendo é um “erro de entendimento textual”. Segundo ele, resolução do Conselho Federal de Medicina prevê que o médico plantonista atenda, examine, faça exames e estabeleça o pré diagnóstico.
“Se ele entender necessário internar esse paciente na instituição, ele aciona o especialista”, explica. “O corpo de especialistas vem se queixando com frequência que o nível profissional de alguns médicos que estão atendendo no Pronto-Atendimento é tão baixo que, aquilo que seria um plantão de disponibilidade, virou um plantão de consultoria”.
O médico revela que especialistas estão sendo acionados por plantonistas presenciais para tirar dúvidas sobre exames ou medicamentos a serem prescritos e que chegou a encaminhar a reclamação dos profissionais ao prefeito Everton Octaviani no ano passado. “Estão acontecendo falhas dos dois lados”, analisa.
Ele defende o uso médico do aplicativo WhatsApp, mas como instrumento de orientação. “É uma ferramenta que a gente tem na mão, não é para se resolver casos”, declara. “Ela adianta a consulta e melhora o atendimento, mas, em seguida, deve haver a presença do profissional lá, no caso de haver internação”.
Ainda segundo o diretor, o hospital constatou três falhas de dois profissionais, ortopedista e ginecologista, num universo de 24 médicos, de seis especialidades. Nos três casos, eles deveriam ter ido até a unidade para solicitarem vagas de internação para pacientes, o que não ocorreu. “Esse ginecologista, inclusive, foi expulso da escala de disponibilidade”, afirma.
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