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Terreno é notificado 9 vezes, mas segue tirando o sono de moradores

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação
Por ser uma área particular, terreno entre a Raposo Tavares e a Manoel Bento Cruz, no Higienópolis, não pôde ser nebulizado

Em quatro anos, um terreno acumulou nove notificações instauradas pela prefeitura, solicitando a limpeza do local. Apesar de tantas represálias, a área, que fica entre as ruas Raposo Tavares e Manoel Bento Cruz, no Higienópolis, segue abandonada. Há seis meses, o mesmo terreno foi alvo de protesto depois que o local virou “motel clandestino”, conforme o JC noticiou na época.   

Nesta terça, agentes de endemia fizeram nebulização na região do Higienópolis, mas se negaram a realizar a ação no interior do terreno, por ele ser particular. Os vizinhos, indignados, questionaram a recusa, como é o caso do funcionário público Roberto Pinheiro Gamito, 41 anos.

“O lugar está abandonado, com mato alto, lixo espalhado, água acumulada e ainda serve de ambiente para ‘programa sexual’. O terreno oferece mais focos do Aedes aegypti do que as casas. Foi nesta região, inclusive, que ocorreu o caso de zika vírus (a gestante diagnosticada com a doença trabalha no Higienópolis)”, ressalta.

Técnico de saúde e agente de saneamento, Roldão Antonio Puci Neto explica que a lei não permite a entrada de agentes em áreas privadas, devidamente fechadas. Nestes casos, a alternativa é solicitar a limpeza ao dono do terreno.

“O proprietário já foi notificado nove vezes desde 2012. Em todos os casos, foi penalizado, seja com advertência ou multas. Uma das notificações ainda está em andamento, mas segue dentro do prazo legal”.

De acordo com Roldão, o problema se estende por toda a cidade, pois o poder público encontra dificuldade em encontrar os proprietários. “Muitas vezes, já foi feita a venda da área e não houve registro no cartório. Hoje, Bauru contabiliza 70 mil terrenos”, enumera.  

Roldão observa que, das 60 reclamações por dia que a prefeitura recebe de possíveis criadouros do mosquito, 80% são referentes a terrenos baldios. “O processo até que cheguemos à multa é longo”.

Em nota, a Reunidas Paulistas informou que o terreno não pertence mais à empresa, porém, não forneceu detalhes do comprador. A reportagem do JC não conseguiu localizar o atual proprietário.

Larvas em imóveis

No último sábado (5), agentes de combate a endemias realizaram ação no Jardim Carolina, denominada “Casa a Casa, Intensificação”. De acordo com Roldão Antonio Puci Neto, 1.661 imóveis foram vistoriados. 47 tinham larvas do Aedes.

“Em 669, cerca de 40% dos locais visitados, foi preciso promover controles mecânicos, que são trabalhos de eliminação de algum tipo de criadouro como um simples copo com água. Aplicamos larvicidas em 525 imóveis”, enumera Roldão.

“O resultado demonstra que os criadouros ainda se encontram dentro das residências e precisamos reforçar o trabalho de conscientização”, finaliza. 

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