As cidades mais populosas e com registro de grande número de veículos automotores nas repartições de trânsito começaram a introduzir radares de controle da velocidade de veículos nas suas vias de rolamento, autorizadas pelo vigente código de trânsito de 1997, instalando aparelhos eletrônicos numa atividade paralela aos agentes de trânsito, ambos com legitimidade para flagrarem infrações à legislação específica, ressalvando que os equipamentos têm a única função de fiscalizar a velocidade dos automotores que cruzam sob seu foco. Os radares, de imediato, receberam da boca do povo o apelido de um pássaro, o pardal, desconhecendo-se a razão da alcunha, haja vista que nenhuma semelhança os aproximam.
O funcionamento preciso do mecanismo dos radares mereceu a simpatia dos motoristas cônscios do acerto da iniciativa da Emdurb em modernizar-se na disciplina da fluidez de veículos em ruas onde há grande concentração deles, como é notório em determinados horários. Mas percebeu-se que os aplausos não eram gerais com a negativa da adesão de muitos motoristas, os quais, na maioria jovens e motoqueiros, de hábitos noturnos, vociferaram contra a novidade por verem naqueles aparelhos um silencioso inimigo diuturnamente vigiando e punindo o excesso de velocidade que tanto sacia o gosto dos irresponsáveis. Sem unanimidade, os radares foram julgados em duas versões: contaram com o apoio dos motoristas defensores de um trânsito mais ordenado e seguro e, contaram com a reprovação dos contumazes desafiadores das normas.
O tempo como velho senhor da razão logo revelou a utilidade pública dos radares e sua indisfarçável função didática como eficazes repressores da velocidade excessiva de veículos, conquanto frequentemente não faltaram vozes a dizer que a Administração deles faz um meio de engordar sua receita a cada anúncio de instalação de novas unidades.
Aqui na terra, noticiou-se pela Emdurb que os 30 aparelhos eletrônicos instalados em vários pontos da cidade não mais se acham em funcionamento porque estão sendo retirados pela empresa que manteve sua operação durante um período contratual que chegou ao fim. Outra firma vencedora da licitação irá executar essa atividade em seqüência para retomar o serviço, o qual, sofrerá a disparatada descontinuidade de dois meses, segundo a Emdurb, tempo demasiado para a transição dos equipamentos, a contar da completa desocupação do acervo que será substituído.
Esse episódio já aconteceu há dois anos quando por erro grosseiro da Emdurb as ruas mais congestionados de veículos tiveram seus radares desativados, ficando o trânsito a mercê da consciência dos motoristas, felizmente dominado em maior número por aqueles preparados para viver numa sociedade organizada em função da observância das imposições estatais. Mas não são muitos! Decerto por esse motivo, a policia militar prometeu sanar a lacuna colocando seus agentes para fiscalizar a velocidade, restringindo-se “nos pontos mais problemáticos para focarmos algumas de nossas ações em horários de pico...” ( JC de 28/02/2016, p. 12).
Está declarado que o policiamento da velocidade não suprirá a lacuna do longo período de transição. O homem não consegue fiscalizar a fila indiana de veículos no mesmo ritmo da rapidez da máquina diante do volume de automotores circulando. Além disso, está certo que a polícia militar não agirá nos lugares dos radares retirados, mas em alguns deles de livre escolha. Isso vale dizer que os condutores desobedientes estão satisfeitos. Sem os radares funcionando suas férias de dois meses serão bem aproveitadas pelos amantes da velocidade.
O autor é professor universitário, aposentado.