| Malavolta Jr. |
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| O dever de casa de Victória e Isabella acabou estreitando os laços de suas famílias, afastadas há anos |
O vínculo entre as estudantes Isabella Bianca Piculo Fontes, de 16 anos, e Victória Carolyne Cardoso Gusmão, da mesma idade, era tão forte que parecia ser de sangue e, após construírem suas árvores genealógicas durante um trabalho de escola, descobriram que, de fato, são primas. Ninguém sabe explicar a razão, mas a família se distanciou há muito tempo. Todavia, o dever de casa das alunas acabou retomando esse laço.
Isabella narra que a tarefa lhe foi atribuída há aproximadamente duas semanas. “De início, não encontrei nenhuma serventia para essa lição”, confessa a estudante da 2.ª série do ensino médio da Escola Estadual Stela Machado. Mesmo assim, a garota resolveu se adiantar e entregou o trabalho antes do prazo determinado pelo professor de sociologia Marcos Rogerio Jesus Chagas.
Já Victória decidiu utilizar todo o tempo concedido pelo docente, porque, afinal, levantar os dados de boa parte da família dá bastante trabalho. Na data da entrega, Isabella pediu para ver a tarefa de Victória, que, além de ser sua colega de sala, a considera melhor amiga “Comecei a ler e, de repente, constatei que temos os mesmos trisavós maternos: Aristóteles Nascimento e Nair Nascimento”, relata.
Imediatamente, as amigas contaram a coincidência para suas respectivas famílias e as avós maternas de ambas acabaram confirmando a constatação. Desde então, as mães das garotas começaram a conversar por telefone e também viraram amigas. Agora, pensam até em marcar uma confraternização para estreitar os laços de parentesco. “Estou surpresa e feliz, já que minha melhor amiga virou minha prima”, acrescenta Victória.
O trabalho
Respondendo a questão que a própria Isabella havia feito antes de elaborar o trabalho, acerca de seu real objetivo, o professor Marcos é enfático: “quem não conhece sua história e suas influências vive como se fosse cego”. Além disso, ele quis mostrar aos alunos a diversidade étnica brasileira, uma vez que eles também foram incumbidos de designar a origem de cada parente citado na árvore genealógica.
Marcos avaliou o resultado da atribuição que deu aos estudantes de forma positiva. Inclusive, ele também se surpreendeu com a descoberta de Isabella e Victória. “Teve outro aluno que descobriu sua ascendência tapuia e quis saber mais sobre essa cultura. Até indiquei aquele livro ‘Cem Noites Tapuias’ para que saciasse a curiosidade, afinal, quando desconhecemos nossa história, andamos como cegos”, finaliza.
