Política

Adesão a protesto se amplia em Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Manifestantes de Bauru atendem ao chamado dos organizadores e tomam conta da avenida Getúlio Vargas em protesto pacífico

Mais uma vez, as cores da bandeira brasileira dominaram a avenida Getúlio Vargas na manhã de domingo, no quinto e maior ato já realizado na cidade em prol do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A Polícia Militar estima que 15 mil pessoas participaram do movimento, enquanto os organizadores dos grupos Vem Pra Rua, Direita Bauru e Juventude Bauruense estimam a presença de 25 mil manifestantes. Dentre as passeatas anteriores, o recorde havia sido de 12 mil.

Assim como em todo o Brasil (leia mais nas páginas 8 e 9), palavras de ordem contra a corrupção, o PT e o ex-presidente Lula engrossaram a pauta do protesto, cuja concentração se deu na frente da sede da Polícia Federal. A caminhada durou cerca de uma hora e meia e terminou com discursos e com a execução do Hino Nacional na Praça Portugal.

O apoio à Operação Lava Jato e à atuação do juiz federal Sérgio Moro também foi massivamente expresso durante todo o percurso.

Os manifestantes levaram cartazes, faixas e bandeiras. Alguns optaram por protestar com apitos e buzinas. Já a bancária aposentada Raquel Debreix, 72 anos, decidiu, com uma colher e uma pequena frigideira, reproduzir na Getúlio os “panelaços” promovidos por insatisfeitos com o governo em aparições de Dilma e Lula na TV.

“Bato panela sozinha lá na Vila Independência e sempre venho nesses atos. O que me move é a indignação com a corrupção, que rouba as vidas das crianças e da nossa juventude. Não venho por mim. Venho pelos meus netos e bisnetos. Conseguiram roubar a esperança do brasileiro”, acredita.

O aposentado Antonio Berenguer, 71, por sua vez, atraiu olhares para seu “pixuleco”, como foram batizados os bonecos infláveis do ex-presidente Lula vestido como presidiário. “Minha filha comprou pela Internet”.

DE FORA
Médico de Lençóis Paulista, Djalma Lima Júnior, 60, decidiu participar do ato de Bauru com intuito de reforçar o público do protesto mais expressivo das cidades da região.

“Todo mundo deve se unir, vir às ruas e, principalmente, nunca mais votar no PT. Não devemos ser uma republiqueta de bananas”, pontuou, trajando uma peruca com as cores brasileiras e a bandeira nacional, datada da Copa do Mundo de 1982.

Até quem estava na cidade a passeio compareceu. Caso do professor Stefano Lima, 39, de Campinas, que defende a convocação de novas eleições até o fim deste ano.

DIVERSIDADE
A presença de famílias no protesto também foi intensa. O empresário Fernando Bueno, 40,  e a fonoaudióloga Lilian Bueno, 35, participaram pela primeira vez dos atos em Bauru e levaram consigo a filha Lívia Bueno, 5.

“A nossa revolta tem crescido. Nossos salários estão diminuindo enquanto os preços não param de subir”, disse Lilian.

Adolescentes também compareceram em peso. As amigas Mariana Scarlmeloto, 15, e Verônica Krook, 17, por exemplo, acreditam que a participação é uma forma de contribuir na luta por um Brasil melhor.


‘Desdobramentos das investigações colaboraram’

Um dos organizadores do protesto de ontem, Paulo Eduardo Ladeira atribuiu o aumento da adesão ao movimento aos desdobramentos das investigações em torno dos escândalos de corrupção que estão no alvo da Operação Lava Jato.

“Houve a condução coercitiva para o depoimento do Lula e toda a sua ironia em entrevistas e declarações depois desse episódio deixou todo mundo com ainda mais raiva”.

Ladeira ressaltou o caráter apartidário do ato, observando que a organização apoia eventuais desdobramentos das apurações independentemente das filiações de possíveis envolvidos de outras legendas.

“Tudo está pipocando. Não só em relação ao PT. Vimos o nome do Aécio [senador Aécio Neves] sendo citado. Por isso que pedimos para que não fossem levantas bandeiras de partidos”.

Ladeira destacou ainda o apoio formal de entidades ao movimento, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Bauru) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que levou para a Getúlio Vargas o pato gigante da campanha encabeçada por seu presidente, Paulo Skaf, contra a criação de novos impostos no País.

Discursos

Durante a caminhada, organizadores e apoiadores discursaram no carro de som que conduziu o ato deste 13 de abril. O ex-presidente Lula foi o principal alvo das falas, que, em alguns momentos, o classificavam como “Pai da Facção”, em alusão à trama da novela “A Regra do Jogo”, encerrada na semana passada.

Os manifestantes entoaram ainda os versos de que “A nossa bandeira jamais será vermelha”, em referência à cor do PT. O advogado Carlos Augusto de Carvalho afirmou que os comunistas querem tomar conta do Brasil, mas que, assim como ocorreu no dia 19 de março de 1964 (data da Marcha da Família com Deus pela Liberdade que antecedeu o golpe militar), a força pública estava do lado do povo paulista, em referência à PM. “Muitos morreram nas mãos de Dilma”, bradou.

Organizador do ato, Gabriel Machado, por sua vez, puxou o coro que pedia por democracia.

Ao fim do percurso, o aposentado Omar Fayad pediu a palavra para enaltecer a iniciativa dos grupos que encabeçam o movimento.


‘Fim do governo’

Durante a passeata pela Getúlio Vargas, a equipe do JC avistou alguns políticos que aderiram ao movimento pró-impeachment. Dentre eles, o deputado estadual Pedro Tobias. Presidente estadual do PSDB, ele afirmou que o governo petista já acabou. “A situação caótica chegou ao bolso e à mesa do povo brasileiro, que está sem dinheiro. A única salvação para o Brasil está na saída de Dilma. Caso contrário, a radicalização irá aumentar e todos vamos perder. Além disso, do ponto de vista jurídico, todas as suspeitas estão se materializando”, argumentou.

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