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Eduardo Cunha quer instalar comissão do impeachment já nesta semana

Por Alexandre Caverni com Lisandra Paraguassu e Rodrigo Viga Gaier | Reuters
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Com um Congresso Nacional ainda relativamente dividido sobre o impeachment, manifestações tão grandes pouco dias antes do processo do mpeachment voltar a andar servirão para pressionar os parlamentares que ainda se mostram dispostos a defender o mandato de Dilma Rousseff.

Na quarta-feira (16), o Supremo analisa os embargos declaratórios feitos pela Câmara dos Deputados à decisão tomada pela corte em dezembro, que definiu o rito de impeachment de um presidente da República e anulou passos dados anteriormente pela Casa.

Ao entrar com os embargos, os advogados da Câmara, presidida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apontaram que o  Supremo Tribunal Federal (STF) interferiu em questões internas da Casa. Cunha já disse que espera apenas a decisão do STF sobre seus recursos para dar prosseguimento ao processo de impeachment.

O único alívio que o governo pode ter virá mais para o final da semana. Estão marcadas para sexta-feira (18) manifestações em defesa do mandato de Dilma e de Lula. Mas mesmo nelas, não haverá muito refresco. Os organizadores prometem criticas à política econômica e a bandeiras do governo, como a reforma da Previdência.

Não são só das ruas que vêm as pressões sobre o governo. Em convenção nacional no sábado, o PMDB deu uma espécie de "aviso prévio" para o governo.

Apesar de não ter formalizado o desembarque da administração Dilma Rousseff, o maior partido da coalizão governista anunciou que em até 30 dias a Executiva da legenda irá apreciar as moções que pedem a saída do governo ou pelo menos a declaração de independência das bancadas no Congresso.

"É importante esse tempo para que se possa ouvir e fazer um convencimento para ser uma posição de todos", disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Se rompermos hoje, amanhã os ministros não entregam o cargo e vai cada um para um lado", acrescentou, ressaltando que hoje a maioria quer a saída do governo.

A convenção já aprovou, no entanto, uma moção proibindo peemedebistas de assumirem qualquer novo cargo no governo. O PMDB tem não apenas o vice-presidente da República, Michel Temer, que é também o presidente do partido, como seis ministros, para ficar apenas no primeiro escalão do governo. 

No dia seguinte do "aviso prévio" do PMDB, ocorreram os maiores protestos contra o governo até agora. Segundo cálculos da Polícia Militar os participantes somaram cerca de 3 milhões em todo o País.

Em São Paulo, o instituto Datafolha calculou a participação de 500 mil pessoas na região da Avenida Paulista, na maior manifestação já registrada na cidade, superando ato pelas Diretas Já em 1984 - as maiores até então.

 

 

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