Tribuna do Leitor

O mar do Razuk seria o mesmo do Fernando?

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 1 min

Hoje pus me a pensar nos mares, quantos são, para onde vão e quando devemos nos lançar neles, como Razuk disse, que o poeta Alan Shlup Sant’Anna dissera. Para dizer a verdade não conheço bem o mar, porque ainda, não conheço bem a vida. Quando isso se fará? Também não sei.


Mas sei que um “mar de gente” foi às ruas no final de semana passado, como sei também que muitos não sabiam, exatamente, o que estavam fazendo ali. E talvez isso seja tão perigoso como lançar-se ao mar, sem uma embarcação segura ou sem saber nadar. No “mar das ruas”, calculo eu, muitas pessoas foram só para ver a onda. Outras marias que foram com as outras e também tiveram os “Vo i lá, acho que vai dar praia hoje”.


Porque quem não sabe quem e por que tirou (a se cumprir as leis dos mares fazendo-se andar na prancha a “capitã da nossa nave Brasil”) muito provavelmente também ao fim do necessário motim não se saberá quem porá no lugar vago. Com isso, provavelmente, continuaremos à deriva ou como o “O fantasma do Holandês voador” (mais uma lenda dos sete mares?).


Mas cada um tem seu motivo mesmo para ir ter com o mar, muitas vezes sem escolha, como estampa a capa deste JC, com uma mãe refugiada, com seu bebê dentro de uma caixa de papelão, uma oportunidade de continuar a viver com a sua cria ou ser obrigada a fazer da frágil caixa mais uma louca tentativa e lançá-la ao mar.


Fico com o mar do Gil: “Eu vim/vim parar na beira do cais/onde a estrada chegou ou fim/onde o fim tarde é lilás”.

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