Tribuna do Leitor

Saúde transparente

Rose Lopes - Membro do Conselho Municipal de Saúde de Bauru
| Tempo de leitura: 3 min

A sociedade brasileira está vivendo um momento político e econômico tão difícil que todos os setores e classes sociais estão buscando entender como chegamos a esse caos. Nas notícias da segunda-feira, o secretário da municipal de Saúde de Bauru, doutor Fernando Monti, informa que a reforma do Pronto-Socorro Central será reduzida de R$ 8 milhões para R$ 750 mil, primeiro porque essa verba está garantida e segundo porque o país inteiro está passando por uma grande recessão, mas o secretário estadual de Saúde, doutor David Uip, veio a Bauru recentemente para anunciar o fechamento do Hospital Manoel de Abreu para reforma, no valor de R$ 20 milhões.


Pensem comigo. Há dez anos esse hospital tinha 90 leitos e o Conselho Municipal da Saúde aguardava a autorização do Estado para liberar 30 leitos para regulação psiquiátrica, que até hoje não aconteceu, e era administrado pela Associação Hospitalar de Bauru. Depois da reestruturação realizada pela Famesp, caiu para 41 leitos, e ainda desmataram 50% da área verde ali preservada, mas o prédio ora existente tem quartos e leitos para 110 internações e essa reforma milionária só entregará mais 34 leitos para mais 35 internações mensais.


Agora não é hora para fechar hospital, mas é uma desculpa muito boa para reduzir custos com atendimento hospitalar. O secretário da Saúde do Estado de São Paulo veio acompanhado do deputado Pedro Tobias para anunciar o fechamento imediato, já a partir de abril, mas ainda não foi nem mesmo iniciado o processo licitatório e quem garante que essa obra realmente seja concluída em um ano e meio?


Como usuária e representante dos usuários no Conselho Municipal de Saúde, vejo que o número de leito e a qualidade do atendimento são do interesse de todos! O Hospital Manoel de Abreu é divido em alas distintas, em prédios separados e a reforma pode ocorrer com o hospital funcionando, assim como aconteceu com o Hospital de Base, mesmo sendo um edifício vertical, nos últimos anos.


Outro fato que me espanta e acredito que deve espantar todos os usuários do SUS que estão sem remédios básicos para tratamento de doenças crônicas, principalmente o câncer, é o valor exorbitante da obra: R$ 20 milhões, ou seja, R$ 571.428,00 por leito entregue, vocês acham um valor coerente com a situação do momento? Será que essa verba realmente é garantida? Ou é uma boa desculpa para fechar de vez esse histórico hospital bauruense que tem a área doada pela família Filardes.


Está na hora da sociedade acordar. Se o Hospital Estadual tem espaço para absorver esses 41 leitos que serão transferidos, por que não liberou antes? Então libere esses leitos e continue com os leitos do Hospital Manoel de Abreu funcionando mesmo durante a obra. Nada justifica o fechamento desses leitos neste momento. Espero ouvir os usuários do SUS, não quero ser a única a não se conformar com o “cinismo” desses políticos. A sociedade deve ser ouvida. Este é um ano eleitoral e os políticos farão promessas para conquistar nosso voto.


Alguém se lembra da história do Hospital Estadual? As obras ficaram paradas por 19 anos, e os usuários do SUS sofreram muito com essa falta de leitos. Muitos óbitos ocorreram antes do tempo e entre eles deve haver amigos e familiares seus. Hoje estamos com mais de 5.000 pessoas esperando cirurgias e no Pronto-Socorro Central e nas UPAs pacientes aguardam por leitos além do tempo permitido.


Portanto, não concordo com o fechamento do Hospital Manoel de Abreu para reforma e quem pensar como eu, por favor, deixe mensagem no face: roselopes2004, ou escreva para este jornal. Vamos salvar o leito que podemos precisar.

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