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Greve dos servidores ganha adesão e coletores devem parar

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A greve dos servidores municipais ganhou novas adesões em seu segundo dia e, nesta sexta-feira (18), poderá receber o reforço dos coletores de lixo, que não aceitaram a última proposta de reajuste oferecida pela Emdurb. A empresa destaca que, com base na liminar concedida pela Justiça de Bauru anteontem, o serviço deverá funcionar com mínimo de 70% de sua capacidade.

Em caso de descumprimento, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) ficará sujeito à multa diária de R$ 5 mil. Até essa quinta-feira (17), a coleta funcionou, embora com cerca de uma hora de atraso.

No segundo dia, a greve ampliou o número de adesões de 359 servidores para 442 trabalhadores, de acordo com dados da prefeitura. O movimento, contudo, contabiliza ao menos 600 grevistas.

A maior adesão ainda ficou concentrada no setor da Educação, com 190 funcionários parados, ainda de acordo com o governo. Em razão da greve, algumas creches já estão com o atendimento comprometido.  

A paralisação, mesmo que parcial, da coleta de lixo – um dos serviços considerados essenciais para a cidade – preocupa à medida que o acúmulo de resíduos pode favorecer a proliferação de animais transmissores de doenças, incluindo o Aedes aegypti.

A Emdurb, no entanto, adiantou que não deverá apresentar nova proposta salarial aos servidores, nesta sexta.

Douglas Reis
Presidente da Emdurb, Nico Mondelli, durante reunião com servidores: propostas recusadas

“Os coletores já confirmaram que irão aderir à greve (a partir desta sexta-18) de manhã, mas ainda não sabemos em qual proporção”, comenta a diretora do Sinserm, Célia Cristina Paulino.

Ela aponta que o sindicato ainda não recorreu da liminar obtida pela prefeitura, que segue garantindo a manutenção de 100% dos serviços considerados inadiáveis (pronto-atendimento em saúde e transporte de pacientes) e 70% dos serviços essenciais (tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos e alimentos, captação e tratamento de lixo e esgoto).

Sem acordo

Em reunião realizada na manhã dessa quinta (17) com uma comissão de trabalhadores, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, e a diretoria executiva da empresa apresentaram três propostas econômicas, todas elas recusadas pela categoria.

A empresa, então, considerou uma nova opção - de aumento salarial de 3,5% e do vale-compra para R$ 385,00 (o vale atual é de R$ 310,00 e a prefeitura interrompeu as negociações em R$ 342,00).

A oferta, segundo a Emdurb, representaria um ganho efetivo médio de 8% no salário da maioria dos colaboradores. Mas, segundo o sindicato, ela também foi rejeitada. Sem a perspectiva de um acordo, a probabilidade de o serviço de coleta parar ao menos parcialmente é grande.

Também segue longe de um consenso a negociação entre prefeitura e os servidores da administração direta e do DAE. Até essa quinta (17), o governo continuava sinalizando que não deverá apresentar proposta de reajuste maior do que os 3,5% já oferecidos, já que, devido às restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, não há mais como avançar em relação às reivindicações financeiras feitas pela categoria.

Passeata

Nessa quinta (17) pela manhã, os grevistas voltaram a sair em passeata por vários pontos da cidade – passaram pela Câmara Municipal, pela Secretaria Municipal de Saúde e Palácio das Cerejeiras. Por último, foram à Secretaria da Educação, onde, segundo o sindicato, uma comissão de servidores conversou com representantes da pasta a respeito de denúncias sobre retaliações que os funcionários parados estariam sofrendo.

Pacientes

Ainda que o serviço de transporte de pacientes seja considerado um serviço inadiável – e que, portanto, deveria ser mantido em sua totalidade –, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a atividade está, na prática, comprometida. Em razão disso, a prioridade do atendimento será dada aos casos em que houver risco aos usuários, tais como transporte para hemodiálises, internações, quimioterapias e radioterapias, entre outros.

Creches: atendimento prejudicado

Parte das Emeiis de Bauru está com atendimento suspenso nos berçários, após um número considerável de auxiliares de creche aderir à greve. O serviço de berçário atende crianças de quatro meses a um ano e seis meses de idade e tem deixado pais preocupados.

Nessa quinta (17), o Jornal da Cidade antecipou que o problema afetaria a Emeii Wilson Monteiro Bonato, no Jardim Europa. Na ocasião, a assessoria de imprensa da prefeitura não deu informações sobre eventual comprometimento das atividades em outras unidades.

No mesmo dia a Secretaria  Municipal de Educação confirmou a paralisação total do atendimento na Emeii Madre Teresa de Calcutá, que fica no Bauru 22. Na unidade, está matriculado o filho de três anos do bacharel em direito Matias Geraldo Muniz, 40 anos.

“Desde o primeiro dia de greve [na última quarta-16], não consigo deixá-lo na creche. Meu filho ficou com um vizinho, mas amanhã [sexta-18] terei de levá-lo para o meu serviço, porque minha esposa e parentes também ficam o dia todo fora de casa”, lamenta.

Segundo a Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, as informações sobre os prejuízos gerados pela greve serão adicionadas à ação que já corre na Justiça pedindo a ilegalidade da greve.

A intenção é solicitar a extensão da obrigatoriedade de manutenção de 70% dos serviços também à Educação e outras secretarias, incluindo o atendimento de berçário.

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