| Aceituno Jr. |
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| A partir deste sábado, EMB-110 Bandeirante vira monumento permanente da Praça Duarte Silva, na região da Vila Aviação |
| Douglas Reis |
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| Zeir Ramos e Mário Bevilacqua estão entre os envolvidos no processo que trouxe a aeronave para Bauru |
| Fotos: Quioshi Goto/Reprodução |
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O avião EMB-110 Bandeirante, doado pela Força Aérea Brasileira (FAB), se tornará, a partir de hoje, um monumento permanente da Praça Duarte Silva, na região da Vila Aviação, em Bauru, ligação entre a avenida Getúlio Vargas e a rodovia Marechal Rondon. A cerimônia de entrega oficial da aeronave ocorre às 10h e contará com a presença do coronel reformado da Aeronáutica, bauruense Ozires Silva, quem capitaneou a equipe que projetou e construiu o Bandeirante, em 1969.
A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Obras, providenciou o transporte e a execução do obelisco onde ficará a aeronave, de acordo com projeto técnico do engenheiro Julio Cesar Natividade, da Secretaria do Planejamento.
Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ozires, 85 anos Silva, também liderou grupo que promoveu a criação da Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Foi presidente da Petrobras e ministro da Infraestrutura (veja mais abaixo).
A inauguração do monumento será feita pelo prefeito Rodrigo Agostinho. Instalado na Praça Duarte Silva, espaço público adotado pela Associação dos Maçons de Bauru (Assoma), situada à avenida Mário Matosinho - ligação da Getúlio Vargas à Marechal Rondon, o Bandeirante permanecerá sobre pedestal de sustentação construído pela prefeitura.
Conforme noticiado pelo JC, o avião foi transportado do Rio de Janeiro a Bauru. Ex-diretor do Aeroclube de Bauru Mário Bevilacqua e a prefeitura conseguiram o auxílio da Pires Materiais de Construção para o transporte. “Foram mobilizadas duas carretas. Depois, um comandante e nove mecânicos vieram para montá-lo, além de um especialista em eletricidade para instalar luzes de LED na aeronave”, detalhou.
Tenente-coronel da FAB, Zeir Lima Ramos trabalhou diretamente no processo que trouxe o Bandeirante a Bauru. “Os trâmites começaram em 2012, quando a FAB desativou 35 aeronaves. Lutei muito para que essa doação se concretizasse, pois Ozires Silva é a pessoa que fez acontecer a indústria aeronáutica no Brasil”, elogiou Mario Bevilacqua.
Diretor da Secretaria de Obras, Etelvino Martins, pede a colaboração da população pela vigilância permanente do avião, por sua conservação e apela para que possíveis atos de vandalismo sejam imediatamente informados à Polícia Militar.
A aeronave
O projeto do avião Bandeirante é anterior à criação da Embraer. Em junho de 1965, o Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD), órgão do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), iniciou o desenvolvimento de um antigo projeto de aeronave, chamada então de IPD-6504, sob as especificações de um pedido do Ministério da Aeronáutica.
Em agosto de 1969, Paulo Victor, diretor do CTA, batizou a aeronave IPD-6504 com o nome “Bandeirante”. Havia uma carga simbólica na expressão, que remetia à ideia dos bandeirantes como pioneiros da integração nacional.
O primeiro protótipo do Bandeirante levantou voo pela primeira vez em outubro de 1968. O programa foi aprovado pelo governo e a Embraer realizou a fabricação seriada do avião, designado então como EMB-100.
O exemplar instalado em Bauru tem capacidade para 12 lugares.
Histórico
Um livro de fotografias, doado para o Núcleo de História (Nuphis) da Universidade Sagrado Coração (USC), traz fotos (veja ao lado) dos funcionários da Embraer mostrando como foi o processo de construção do avião EMB-110 Bandeirante. De acordo com a historiadora Terezinha Santarosa Zanlochi, o documento histórico homenageia os 20 anos da Embraer e a saída de Ozires Silva da empresa, em 1986, quando ele assumiu a presidência da Petrobras. Segundo Terezinha, o documento foi recebido com o acervo de Luiz de Gonzaga Bevilacqua.
Daqui para o mundo...
Tudo começou no Aeroclube de Bauru. Ozires Silva tinha o sonho de ser aviador. Recebeu o apoio de Kurt Hendrik, um suíço que adotou a cidade e também tinha paixão pela aviação. Logo após a criação da FAB, Ozires se apresentou como candidato a cadete do ar. Ele alçou voou e concretizou seu desejo. Hoje, o coronel reformado da Aeronáutica destaca-se no cenário nacional por sua contribuição no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira.
Além de participar da construção do Bandeirante, presidiu a Embraer e também a Petrobras. Nesta última, ele atuou de 1986 a 1989. No ano seguinte, assumiu o Ministério da Infraestrutura, mas retornou à Embraer em 1991 para atuar na processo de privatização da empresa, concluído em 1994. Também foi presidente da Varig por dois anos (2000-2002) e, em 2003, criou a Pele Nova Biotecnologia em Ribeirão Preto – empresa de pesquisa focada na saúde humana.
Contribuições
Contribuíram no processo de viabilização do monumento em Bauru: Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Obras, sob coordenação do diretor de Obras, Etelvino Zacarias Martins; Mário Bevilacqua; ex-vereador José Roberto Martins Segalla e vereador Carlão do Gás; Polícia Militar, que assegurou a integridade do avião quando ele ainda estava no chão da praça; Base Operacional do Grupamento Aéreo da PM; Zeir Ramos e mecânicos do Parque da Aeronáutica do Campo dos Afonsos do Rio de Janeiro (Pama).
Também apoiaram a conquista: Pires Materiais de Construção; Trans Torc Locações; Vallim Tornearia; Reghine Porto de Areia, secretarias municipais de Obras, Planejamento, Semma e Cultura; Rede Confiança de Supermercados; além do Jornal da Cidade, Assenag, Acib e Rotary Clube Bauru, dentre outros apoiadores.




