| Fotos: Divulgação |
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| Robinson Pinheiro interpreta Jesus em Ibitinga |
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| Apresentação da encenação do ano de 2010 em Macatuba que tem tradição de 40 anos |
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| Em Agudos, quem faz o papel de Jesus é o administrador de empresas Guilherme Moraes |
A Paixão de Cristo do grupo de teatro Bom Jesus de Ibitinga é uma espécie de megaespetáculo com belos cenários, efeitos especiais e visuais que se firmou como a mais bem estruturada da região. Já ganhou apelido de “Hollywood da Paixão de Cristo” pelo esmero nos cenários e no conjunto da obra.
É também onde tem o ator que interpreta Jesus com mais longevidade: 31 anos “defendendo” o papel pelo bancário Robinson Pinheiro, 60 anos, encarando o “calvário” com direito até a levar açoites do carrasco de verdade.
Neste ano, o espetáculo também teve apresentação em Botucatu, em frente da Catedral como no ano passado. Mas para chegar a essa sofisticação, Pinheiro conta que tudo começou em 1985 com encenações na rua de Ibitinga até se transformar em evento de forte apelo popular para atrair visitantes ao município.
Os atores seguem fielmente o texto bíblico com cenário de 14 metros de altura e cenas de iluminação que possibilitam efeitos especiais na cena final de ressurreição de Jesus.
Pinheiro admite que pelo menos duas vezes se emocionou ao reviver o calvário de Cristo, mas isso não é o costume. “Nem dá para ficar sempre emocionado, porque é necessário concentração absoluta para encarar o personagem. Os açoites são para valer e ocorre de você levar tombos no episódio em que o Cristo leva a cruz sobre os ombros”, conta.
A última vez que chorou literalmente ocorreu numa apresentação em Ribeirão Bonito há 20 anos. “Depois que Jesus é sepultado, o padre fez um comentário comovente ao relembrar a morte do próprio pai com a ressurreição de Cristo. Não teve jeito: me emocionei”, revela.
Pinheiro estará somando mais de 130 apresentações em Botucatu e duas em Ibitinga (dias 23 e 25 de março).
‘Cada ano fica mais difícil’
O ator que interpreta Jesus em Santa Cruz do Rio Pardo, o construtor José Ailton Mira, 41 anos, afirma que a cada ano fica mais difícil interpretar o personagem. “Você vai conhecendo um pouco mais do que Jesus passou por meio de leitura. Então, você acaba envolvendo um pouco mais. Isso é sentimento. Não é a dificuldade com as pessoas, é coisa interior, de sentimento”.
Só o primeiro ato da encenação é por meio de dublagem, mas de 85% a 90% é tudo ao vivo. Ailton Mira relata que já aconteceu no episódio da santa eucaristia dar um branco. “Tive que inventar uma outra palavra, nada, no entanto, de mudar muito o conteúdo do texto”, relembra.
A encenação ocorre na sexta-feira, 25, por volta das 20h no bairro da Estação. Com a reforma do prédio da antiga estação ferroviária, houve mudança no cenário. Tudo é feito nos arredores e não mais quando o imóvel estava em ruínas, que servia para cenário do Palácio de Pôncio Pilatos.
“Depois de 10 anos, você vai se envolvendo emocionalmente e inclui nisso tudo os acontecimentos da sua própria vida. A gente acaba tendo um problema na família e sentimentalmente isso acaba tendo influência na interpretação. Enquanto Deus me der força, quero continuar fazendo Jesus”, declarou.
Segundo ele, em 10 anos pelo menos quatro atores fizeram o papel de Cristo, um deles era um Jesus negro para discutir a questão do racismo na sociedade.
Tecnologia garante autenticidade
Dos adereços de cartolina a capacetes dos soldados mais resistentes. Uma qualidade de som e até canhões de raio laser alugados pela prefeitura são inovações tecnológicas que garantem um espetáculo melhor para o grupo de atores da comunidade São Pedro de Agudos.
“Antigamente a gente ficava noites e noites fazendo adereços de cartolina. Se chovesse, perdia tudo”, relembra Luiz Carlos de Paula.
O espetáculo será no dia 25 de março na Praça do Sol e no estádio municipal Achilles Sormani. “A própria comunidade teve iniciativa de fazer esses espetáculos após assistir na TV apresentações de outras cidades”, conta.
Segundo ele, a prefeitura ajuda muito nos figurinos e no aluguel de um som mais potente. Luiz Carlos faz uma ponta como carrasco na encenação, além de coordenar as cerca de 70 pessoas.
Quem faz o papel de Jesus em Agudos é o administrador Guilherme Moraes Comin, 28 anos. “Neste ano vamos ter algumas surpresas. No momento de carregar a cruz, vai ficar para o público. É uma forma de interagir com os espectadores. O local da saída será na Praça do Sol com destino ao estádio”, cita Comin.
Ex-judas será Jesus em Macatuba
O “estreante” no papel de Jesus Cristo na encenação de Macatuba será o supervisor agrícola Osmar Aparecido Paludetto, de 43 anos, mas ele já encarou o personagem mais controvertido: Judas por 12 anos seguidos.
No início nas encenações Paludetto já foi o ladrão e soldado romano. “A responsabilidade é muito maior de interpretar Jesus. Tem que fazer a interpretação certa senão complica”, ressalta.
A boa nova foi comunicada numa reunião interna no dia 30 de janeiro, quando os organizadores anunciaram que o supervisor será Jesus na encenação deste ano. “Na primeira reunião já fizeram essa proposta e aceitei”, conta Paludetto de fala simples e demonstrando contentamento com a nova “missão”.
O grupo de teatro padre José Corsini é uma homenagem ao incentivador dos espetáculos no município nos anos 70, mas são cerca de 40 anos de tradição. Paludetto participa como ator há 31 anos. O espetáculo será na Sexta-Feira Santa, às 16h em frente da Igreja Matriz.


