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Residência inclusiva precisa de prédio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto
Diretora da Drads Maria Perroni, Peta Farias, Roberto Franceschetti Filho e Olga Bicudo, da Apae

Jovens e adultos com deficiência mental, muitas vezes abandonados por suas famílias inseridas em um contexto de vulnerabilidade, encontraram nas residências inclusivas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) uma oportunidade de crescimento, dignidade, autonomia, inserção social e consequente melhoria de qualidade de vida. Para aprimorar ainda mais este atendimento respeitado como referência no Estado e no País, a entidade pretende, agora, adquirir um terreno para construir a casa própria onde os meninos possam viver.

Para tanto, a intenção é lançar uma campanha em âmbito regional para arrecadar fundos e comprar uma área próxima à sede da Apae Bauru, no Jardim Ferraz. Com isso, além da economia de R$ 1,8 mil gastos hoje com aluguel, os 15 jovens e adultos não precisariam se deslocar diariamente da Vila Pacífico, onde residem, para participar das atividades mantidas pela Apae.

“Esse deslocamento diário também tem custos. E percorrer essa distância todo dia não é o ideal. É algo que queremos mudar, unificar o serviço, levando-os para perto da nossa sede”, explica a presidente da associação, Olga Bicudo. Segundo ela, a forma como a população poderá contribuir com o projeto será divulgada em breve.

A partir da aquisição do terreno, a Apae terá condições de pleitear, com ajuda da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads) de Bauru, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e patrocinadora do programa de Residências Inclusivas, o recebimento de recursos por meio de emenda parlamentar para a construção da nova unidade. “Foi o que ocorreu com a residência inclusiva feminina, em 2014. Também pagávamos aluguel e, agora, as meninas estão perto da nossa sede”, acrescenta Olga.

Início
A residência feminina foi a primeira a ser criada, em 2007, a convite da Drads, que propôs instituir uma parceria com a Apae para construção de um novo modelo de acolhimento, de pequenos grupos, que até então nem era tipificado no País. Em 2011, com o fechamento do Lar Escola Rafael Maurício, foi criada a residência masculina, também em convênio com a diretoria regional da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social.

Hoje, a unidade da Vila Pacífico conta com 27 profissionais, entre cuidadores, ajudantes gerais e técnicos de nível superior: psicólogos, assistente sociais, terapeuta ocupacional e o coordenador. A equipe é responsável por cuidar, diariamente, de 15 jovens e adultos, que foram acolhidos por determinação judicial.

Progressos
Todo o trabalho é mantido com recursos da Drads, que repassa R$ 32 mil mensais somente para manutenção da residência masculina, com contrapartida da prefeitura de R$ 17,5 mil por mês. Conforme destaca Maria Perroni, diretora da Drads, em cinco anos muitos progressos foram observados a partir desta abordagem multidisciplinar.

Ela relata  que os abrigados deixaram uma condição de total isolamento para, hoje, estabelecerem relações de vizinhança e participarem não só das atividades da Apae, mas também irem à academia de ginástica, parques públicos, missas, cultos, shows e eventos da cidade e até a viagens para o litoral paulista. Dos 15 atendidos hoje, nove trabalham em empresas da cidade e se deslocam em ônibus circulares, com total independência.

“Eles também são levados ao supermercado para ajudar a fazer as compras dos mantimentos da casa. Os que trabalham podem usar seu dinheiro para comprar um celular, por exemplo. Eles são acompanhados na loja e também podem escolher as roupas que querem ter. Ou seja, ganharam poder de decisão”, pontua ela, salientando que todo o trabalho é acompanhado e respaldado pelo Ministério Público.


Rotina ‘normal’

A ampla casa na Vila Pacífico obedece a uma rotina presente na maioria das famílias, em que cada residente possui responsabilidades para manter seus espaços individuais, como camas e armários, organizados. “Cada um tem seu armário próprio, onde guardam suas roupas e objetos pessoais. Além de valorizar a identidade de cada um, isso é importante para que eles possam, cada dia mais, ter autonomia e conhecimento das regras do convívio em sociedade”, pontua o coordenador do serviço de acolhimento da Apae Bauru, Roberto Franceschetti Filho.

Ele frisa ainda que alguns já estão sendo, inclusive, preparados e ajudados a gerenciar a sua própria vida, para que possam viver, de maneira independente, fora do acolhimento.

A coordenadoria da residência também mantém trabalho constante para fortalecimento de vínculos dos abrigados com suas famílias para, se possível, retornarem aos seus lares de origem. Desde 2007, 15 jovens e adultos das residências masculina e feminina voltaram ao convívio familiar e uma garota de 22 anos foi adotada.


Pioneiro

Pioneiro, o serviço de acolhimento em residência inclusiva da Apae de Bauru é considerado modelo nacional de excelência na execução desse trabalho. No final do mês passado, a convite da Federação Nacional das Apaes, o Estado de São Paulo foi representado pela Apae de Bauru no “Encontro Técnico para Qualificação das Relações Institucionais nas Ofertas do Sistema Único de Assistência Social (Suas)”.

O evento foi realizado em Brasília, no auditório da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “Entre 2013 e 2015, recebemos 25 municípios em processo de implantação de novas residências ou já implantadas, que vieram conhecer nosso serviço executado como modelo na região do estado de São Paulo. Também viajamos para capacitar outras entidades”, acrescenta Roberto Franceschetti Filho, coordenador do serviço de acolhimento da Apae Bauru.

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