Reunidos em frente ao Palácio das Cerejeiras, servidores municipais em greve fizeram mais um ato. Eles aguardam uma posição da administração municipal em relação à contraproposta apresentada na última sexta-feira. Alguns dos trabalhadores aproveitam a paralisação para doar sangue.
Quem trabalha normalmente são os subordinados à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Após várias negociações iniciadas na última quarta-feira, inclusive com proposta elaborada por servidor na sexta-feira passada, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) e a empresa fecharam acordo na manhã desta segunda-feira.
Sem que a coleta de lixo fosse paralisada sequer um dia, ficou definido que o reajuste salarial será de 3,5%, o vale-compra subirá de R$ 310,00 para R$ 390,00 e os trabalhadores receberão abono de R$ 70,00, incorporado no salário de outubro. O acordo será retroativo a 1º de março, conforme a reportagem apurou no local. A Emdurb tem autonomia para negociar proposta diferenciada.
Mas parte dos servidores da administração direta continua em greve. Na última sexta-feira, a paralisação ganhou novas adesões de trabalhadores descontentes com a oferta de reajuste salarial de 3,5%, feita pelo governo. Segundo o sindicato, o número de grevistas subiu de cerca de 600 para 900 pessoas.
Já a prefeitura registrou aumento de 442 para 578 trabalhadores parados. Destes, 319 estão vinculados à Secretaria da Educação. O JC voltou a questionar a assessoria de imprensa do governo acerca do número de creches fechadas ou funcionando com atendimento parcial devido à greve, mas não obteve resposta.
A contraproposta apresentada prevê reajuste salarial de 10,84%, referente à reposição da inflação no último ano. Além do não desconto ou reposição dos dias parados, os servidores também pediram aumento do vale-compra de R$ 310,00 para R$ 400,00 e do abono que substituiu o vale-refeição de R$ 300,00 para R$ 350,00, estendendo o benefício a todos os demais trabalhadores.
Conforme o JC noticiou, por decisão da juíza da 1.ª Vara da Fazenda Pública, Elaine Cristina Storino Leoni, a medida cautelar exige a manutenção de 100% dos serviços inadiáveis (pronto atendimento em saúde e transporte de pacientes) e 70% dos serviços essenciais (tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos e alimentos, captação e tratamento de lixo e esgoto).
Em caso de descumprimento, o Sinserm fica sujeito à multa diária de R$ 5 mil. Segundo, Moisés Cristo, o sindicato já recorreu da liminar.
Impasse
Desde o início da greve, o governo aponta que não há mais como avançar em relação às cláusulas econômicas, já que, até o momento, o aumento de receita do município mantém-se em torno de 3,3% em comparação ao ano passado. Além disso, argumenta que já gasta 51,24% da sua Receita Corrente Líquida com folha de pagamento, sendo que a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece o limite prudencial de 51,30%.