Tribuna do Leitor

'Ato anti-Dilma é maior da história' e aquela margarina continua sendo a mais vendida

Mauro Cesar P. Landolffi, professor
| Tempo de leitura: 3 min

Irei me lembrar, sim, deste momento da história do Brasil, em que li essa manchete no jornal Folha de SP, com a imagem da Avenida Paulista, em São Paulo, tomada por manifestantes, e também nunca me esquecerei nem deixarei de contar a campanha reacionária que antecedeu todos esses atos. No horário nobre da TV, astros e apresentadores – pagos - conclamando os telespectadores a odiarem a presidente e a comparecerem aos protestos; legisladores, autoridades policiais e judiciárias, representantes do Ministério Público desprezando seu compromisso com a verdade e com quem paga seus salários, agindo de forma parcial e desleal; movidos por interesses pessoais e partidários, mexendo os pauzinhos de modo autoritário e ilegal às vésperas do dia marcado, a fim de preparar o clima para o grande espetáculo.


Não, isso não passará em branco. Fala-se em “liberdade de imprensa”, mas o que vemos são empresas privadas agindo em nome e em benefício de interesses privados de uma minoria que tem como lema uma crescente concentração de riquezas. Jornalistas desempenhando trabalho jornalístico também é algo raro de se ver – o que vemos é um trabalho de funcionários da empresa, que nunca ousariam arriscar seus razoáveis salários exteriorizando suas próprias ideias ou tornando público um raciocínio que vá contra o interesse de seus patrões.


Recitam de forma repetitiva e enfadonha a cartilha que recebem de seus editores. As pessoas se sentam em frente à TV para assistir ao noticiário e acreditam que estão se pondo a par da realidade. Leem com voracidade a revista mais vendida e se sentem aderindo ao combate radical e odioso a tudo o que está errado no país;  os que buscam por uma fonte mais sofisticada de informações devoram o grande jornal de São Paulo com a ilusão de que estão deglutindo uma visão mais intelectual e analítica de nossa complexa situação política e social (...). Essas informações barganhadas – que normalmente se distanciam muito da realidade e omitem intencionalmente uma parte relevante do que acontece - passam a ser o recheio das conversas, argumentações, matérias de veículos não tão abastados, reflexões de aventureiros e inclusive substância para comentaristas do interior.

      

Há quem não consiga entender as manifestações de gente de outros países – diferentes daquilo que vemos no jornal- porque o que essas pessoas dizem tem como base dados mais objetivos: os resultados numéricos que se têm sobre a política e o trabalho realizado aqui em nosso país, e não o que é divulgado diariamente por uma mídia parcial, cujos proprietários, anunciantes e maiores acionistas são adversários diretos da administração que tanto criticam; entidades que têm interesses opostos aos da população em geral e às prioridades desse governo que dia a dia tentam massacrar.


É algo inevitavelmente previsível que a margarina mais anunciada seja a mais vendida, e não havemos de esperar outra coisa senão que a atitude mais praticada seja aquela que é a mais estimulada. A luta é desigual, e o povo parece estar em franca desvantagem. Uma coisa que essa oposição e essas empresas de informação sabem neste momento, no entanto, é que estão fadados ao fracasso se permitirem à maioria da população que decidam seu destino pela maneira democrática: as urnas.

Comentários

Comentários