Tribuna do Leitor

Perdido num mato sem cachorro

Ricardo Caversan
| Tempo de leitura: 3 min

Tenho acompanhado toda a situação atual do País com muita desesperança e incredulidade. Não que eu me considere ingênuo, longe disso, sei que o ser humano, justamente por ser humano, peca, erra, se seduz por poder, procura tirar vantagens de tudo, age constantemente guiado pelo famoso “jeitinho brasileiro”. Eu, você, seu vizinho, colega de trabalho ou faculdade, uma vez ou outra na vida usou desse subterfúgio, infelizmente, diga-se de passagem. Atire a primeira pedra quem, por exemplo, nunca falsificou uma carteirinha de estudante para pagar meia entrada no cinema, ou aproveitou uma noite cheia de relâmpagos e trovões para acionar o seguro e consertar aquele DVD estragado falando que “foi o raio”, ou foi no mercado e desgrudou um preço menor e colocou numa peça maior de carne, e por aí vai...


Pequenos deslizes, falhas como essas, devem ser corrigidas, temos que dar bons exemplos aos nossos filhos, devemos seguir o caminho e copiar as atitudes daquele que foi o único ser perfeito da face da Terra, Jesus Cristo, nosso Salvador. Às vezes é muito difícil, a vida, de modo geral, nos ensina que a “lei do mais forte” sobressai, para “se dar bem na vida” tem que ser esperto, ligeiro, desconfiado até da sombra, uma pena....


Agora, quando num País das dimensões do nosso querido Brasil se torna institucional o “jeitinho brasileiro”, onde quase que a unanimidade da classe política age da mesma maneira indecente, criminosa, corrupta, achincalhando os brasileiros, jogando na lama a fama do País, rindo e escarnecendo da cara de toda uma população, aí, meus amigos e amigas, aí é o fim da linha, o fundo do poço, a destruição das instituições, o cinismo e a falsidade elevadas a última potência...


E o pior é que estamos largados, abandonados, usando uma palavra do Lula, estamos “fodidos”. Quem na política se salva, quem tem honestidade e caráter ilibados, quem tem vergonha na cara e pode sair na rua sem problemas e deita a cabeça no travesseiro e dorme com a consciência tranqüila? Ao que parece, o único nessa situação é o deputado Tiririca, que foi alvo de chacotas e piadas, mas é o único deputado presente em todas as sessões da Câmara e que recusou propina para vender seu voto. Um homem honrado, quem diria, honesto, exemplo, e que já declarou que não se orgulha de ser ficha limpa, porque honestidade não é algo para se orgulhar, honestidade é obrigação...


Mas, tirando ele, quem sobra? Quem vai moralizar a política? Quem vai fazer valer a voz das ruas e agir com braço forte para extirpar esse câncer que é o PT e seus asseclas?


Os presidentes do Senado e da Câmara estão enrolados até o pescoço. O PMDB, principal aliado do Governo Federal, não fica atrás em termos de gente enrolada com a justiça. O PSDB, maior partido de oposição, tem um bando de oportunistas e, ao que parece, tem seu presidente atual, Aécio Neves, também envolvido em recebimento de propina. Meu Deus do céu, o que fazer? Como agir?


Como ajudar a mudar? Em Brasília, infelizmente, são todos farinha do mesmo saco, todos com o rabo preso, todos que devem favores uns aos outros, todos que sabem de podres uns dos outros, todos se ameaçando mutuamente, todos enlamaçados na corrupção, nas vantagens pessoais, no jogo de sedução do poder, no tráfico de influência. Brasília mais parece uma imensa lata de lixo ou um enorme penico!


Não sei o dia de amanhã, não sei como a História vai retratar isso aos nossos netos e bisnetos, mas sei que a minha parte devo fazer, continuar trabalhando, pois ele dignifica o homem; continuar agindo com correção, honestidade e caráter, isso forma o homem como um todo; continuar acreditando em Deus, acima de tudo, pois isso traz alento, esperança e paz de espírito; continuar me indignando com a patifaria dos políticos, pois isso traz um fio de esperança de que dias melhores virão. Como diria o filósofo, político e advogado anglo-irlandês Edmund Burke: “Para que o mal triunfe, basta que os bons nada façam”.

Fiquem com Deus.

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